Publicidade
Capacitação

Soja 2026/27 em Mato Grosso do Sul acende alerta para buva, percevejo-marrom e cercospora

Histórico das lavouras, avanço da resistência e influência do El Niño devem orientar o manejo de plantas daninhas, pragas e doenças antes do início da nova safra


Publicado em: 09/09/2026 às 14:30hs

Soja 2026/27 em Mato Grosso do Sul acende alerta para buva, percevejo-marrom e cercospora

Com o avanço da colheita do milho segunda safra, os produtores de Mato Grosso do Sul começam a direcionar as atenções para o planejamento da soja 2026/27. O novo ciclo, entretanto, carrega desafios identificados nas lavouras atuais e nas temporadas anteriores, especialmente relacionados à buva, ao percevejo-marrom e à cercospora.

Segundo a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), 63,9% da área monitorada de milho segunda safra já havia sido colhida. A transição entre as culturas amplia a importância da análise do histórico de cada talhão para definir as estratégias de manejo antes da semeadura da soja.

Os principais riscos para a próxima temporada foram debatidos durante o Evento Consultor Mato Grosso do Sul, promovido pela ADAMA, em Campo Grande. O encontro reuniu consultores e pesquisadores para avaliar resistência, intensificação dos sistemas produtivos, condições climáticas e os desafios fitossanitários enfrentados no estado.

Buva exige controle antes do plantio da soja

Entre os primeiros sinais de atenção está a elevada presença de buva nas áreas monitoradas pelo Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio de Mato Grosso do Sul (SIGA-MS). A ocorrência foi identificada justamente no período de avanço das operações de dessecação para o próximo cultivo.

De difícil controle, a buva pode comprometer a implantação da soja quando o manejo é realizado tardiamente. Por isso, o planejamento deve começar durante a entressafra, com dessecação antecipada e adoção de estratégias de pré-emergência adequadas às condições de cada área.

A análise do histórico do talhão também ajuda a identificar locais com maior pressão da planta daninha e a organizar as operações dentro da janela mais eficiente.

“Mato Grosso do Sul está em uma zona de transição climática, característica que interfere na dinâmica de pragas, doenças e plantas daninhas. Essas informações ajudam a direcionar melhor as decisões agronômicas”, afirma Rubia Bovo, engenheira agrônoma de Desenvolvimento de Mercado da ADAMA.

Percevejo-marrom permanece no radar dos produtores

Além das plantas daninhas, as populações elevadas de percevejo-marrom registradas nas últimas safras preocupam consultores e produtores. A praga pode provocar danos diretos às vagens e aos grãos, afetando o rendimento e a qualidade da soja.

O cenário reforça a necessidade de monitoramento frequente das lavouras e de intervenções realizadas no momento correto. A tomada de decisão deve considerar a pressão observada em cada região, o estágio de desenvolvimento das plantas e o histórico de ocorrência nos ciclos anteriores.

Antecipar o acompanhamento permite identificar mudanças na população do inseto e reduzir o risco de medidas tardias, quando os prejuízos já podem estar instalados.

Cercospora ganha importância no fim do ciclo

A maior incidência de cercospora na fase final da soja também aparece entre os desafios para 2026/27. A doença exige atenção porque pode avançar no fechamento do ciclo e comprometer o potencial produtivo das áreas afetadas.

O planejamento do manejo deve considerar a presença da doença nas safras anteriores, as condições ambientais favoráveis ao seu desenvolvimento e a necessidade de monitoramento ao longo de toda a temporada.

Segundo os especialistas, avaliar o histórico fitossanitário de cada propriedade ajuda a estabelecer estratégias mais adequadas e a evitar decisões baseadas apenas no cenário momentâneo.

Resistência aumenta complexidade do manejo

A intensificação da agricultura em Mato Grosso do Sul tornou os sistemas produtivos mais complexos. A sucessão frequente de culturas, as janelas operacionais reduzidas e a extensão das propriedades exigem maior capacidade de planejamento e execução.

Em grandes áreas, atrasos nas operações podem diminuir a eficiência do controle de plantas daninhas, pragas e doenças. Ao mesmo tempo, o uso repetitivo das mesmas moléculas para diferentes alvos favorece a seleção de populações resistentes.

Diante desse cenário, a recomendação é diversificar estratégias, alternar mecanismos de ação e integrar diferentes ferramentas de manejo. A adoção dessas práticas contribui para preservar a eficiência das tecnologias disponíveis e ampliar a sustentabilidade do sistema produtivo.

Milho com braquiária fortalece o sistema de produção

O consórcio entre milho e braquiária foi apontado como uma alternativa estratégica para as propriedades sul-mato-grossenses. Amplamente utilizada no estado, a prática aumenta a cobertura vegetal, auxilia na melhoria da estrutura do solo e contribui para o controle de plantas daninhas.

A presença da braquiária também pode elevar a resiliência do sistema em regiões sujeitas a períodos de veranico. Dessa forma, seus benefícios ultrapassam a cultura do milho e alcançam a soja cultivada na sequência.

A estratégia demonstra que o manejo precisa ser analisado de forma integrada, considerando os efeitos de uma cultura sobre a seguinte e os resultados acumulados ao longo das safras.

El Niño pode influenciar decisões na soja 2026/27

A possível influência do El Niño sobre o ciclo 2026/27 adiciona outro componente ao planejamento. As condições climáticas interferem diretamente no desenvolvimento das lavouras e na dinâmica de plantas daninhas, insetos-praga e doenças.

Como Mato Grosso do Sul apresenta diferenças importantes entre suas regiões produtoras, o acompanhamento climático deverá ser combinado com avaliações locais. Ajustes durante o ciclo poderão ser necessários conforme a distribuição das chuvas, a temperatura e o comportamento dos principais problemas fitossanitários.

Para Rafael Mancini, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ADAMA, reunir o histórico das áreas, o cenário atual e as condições esperadas aumenta a capacidade de antecipação do produtor.

“Quando conectamos o histórico da área, o cenário atual e as condições esperadas para os próximos meses, ampliamos a capacidade de planejar antes que o problema esteja instalado”, conclui Mancini.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias