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Chuvas atrasam manejo do trigo no Rio Grande do Sul e elevam risco de giberela nas lavouras

Excesso de umidade restringe a entrada de máquinas, adia aplicações de fertilizantes e fungicidas e aumenta a pressão de doenças nas áreas em floração


Publicado em: 30/08/2026 às 11:25hs

Chuvas atrasam manejo do trigo no Rio Grande do Sul e elevam risco de giberela nas lavouras

As chuvas frequentes e a baixa luminosidade estão dificultando o manejo das lavouras de trigo no Rio Grande do Sul. Embora o desenvolvimento da cultura permaneça dentro da normalidade e o potencial produtivo esteja preservado, o excesso de umidade eleva o risco de doenças fúngicas, especialmente de giberela nas áreas em floração.

As informações constam no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. De acordo com o levantamento, a saturação do solo restringe a entrada de máquinas e atrasa operações importantes, como aplicações de nitrogênio em cobertura, herbicidas e produtos fitossanitários.

A área de trigo projetada para a safra 2026 no Rio Grande do Sul é de 814.220 hectares. A produtividade média está estimada em 2.701 quilos por hectare.

Desenvolvimento vegetativo predomina nas lavouras gaúchas

O desenvolvimento vegetativo concentra 61% das lavouras de trigo do estado. Outros 28% dos cultivos estão em floração, 10% em enchimento de grãos e 1% em maturação.

O avanço de parte das áreas para a fase reprodutiva aumenta a necessidade de monitoramento. Durante o florescimento, a combinação de alta umidade relativa do ar, precipitações e nebulosidade cria condições favoráveis à ocorrência de doenças da espiga.

A giberela aparece como a principal preocupação, uma vez que as infecções durante a floração podem comprometer a formação e a qualidade dos grãos. Também foram identificados sintomas de manchas foliares, ferrugens e oídio, principalmente em lavouras com maior disponibilidade de nitrogênio.

Giberela exige atenção durante a floração do trigo

A elevada proporção de lavouras em floração ou próximas dessa fase amplia o risco fitossanitário. Os produtores concentram esforços na aplicação preventiva de fungicidas para proteger as espigas contra infecções florais.

O excesso de chuva, entretanto, reduz as janelas adequadas para pulverização. Em algumas regiões, os tratamentos precisam ser realizados nos curtos períodos de maior insolação e menor umidade.

Além da dificuldade operacional, a baixa radiação solar limita o crescimento das plantas. Em determinados locais foram observados amarelecimento das folhas inferiores, coloração pálida, maior estatura, colmos finos e folhas estreitas.

Geadas ainda não têm impacto produtivo definido

Geadas de intensidades variadas foram registradas em diferentes áreas produtoras do estado. Os eventuais prejuízos ainda não puderam ser dimensionados de forma consolidada, pois a maior parte das lavouras permanece em estádios vegetativos.

Nos Campos de Cima da Serra, as temperaturas negativas coincidiram com o perfilhamento. Nessa fase, o frio moderado pode estimular a emissão de novos perfilhos, embora a intensidade e a duração das geadas precisem ser consideradas.

Até o momento, as condições gerais das lavouras são avaliadas como satisfatórias. A confirmação do potencial produtivo dependerá do comportamento do clima e do controle das doenças nas próximas semanas.

Excesso de umidade dificulta manejo na Campanha

Na região administrativa de Bagé, as condições variam conforme a localização. Em São Borja, na Fronteira Oeste, o desenvolvimento e a sanidade das lavouras são considerados bons.

No município, 50% dos cultivos estão em emborrachamento, 30% em espigamento e 20% em alongamento dos colmos.

Na Campanha, o excesso de umidade dificulta as aplicações de adubação nitrogenada e herbicidas, especialmente nas lavouras implantadas mais tarde.

Em Caçapava do Sul, as primeiras áreas semeadas chegaram à floração e apresentam pequena redução do potencial produtivo em razão das condições meteorológicas. Apesar disso, não foram observados danos expressivos causados pelas geadas.

Luminosidade favorece lavouras em Caxias do Sul

Na região de Caxias do Sul, a redução das chuvas e o aumento da luminosidade proporcionaram condições mais favoráveis ao desenvolvimento do trigo.

Nos Campos de Cima da Serra, os produtores continuam executando a adubação nitrogenada em cobertura, o controle de plantas invasoras e o monitoramento fitossanitário.

A melhora do tempo é importante para ampliar as janelas de trabalho e permitir a entrada das máquinas nas áreas que permanecem com o solo encharcado.

Umidade restringe aplicações em Frederico Westphalen

Na região administrativa de Frederico Westphalen, 54% das lavouras estão em florescimento, 32% em desenvolvimento vegetativo e 14% em enchimento de grãos.

Com mais da metade dos cultivos na fase de maior suscetibilidade à giberela, os produtores priorizam os tratamentos com fungicidas. A elevada umidade do solo, entretanto, continua limitando algumas operações mecanizadas.

O risco de doenças aumenta quando chuvas e alta umidade coincidem com o período de antese, etapa na qual ocorre a abertura das flores do trigo.

Baixa luminosidade prejudica trigo em Ijuí

Em Ijuí, a baixa incidência de luz solar prejudicou o desenvolvimento das plantas. As lavouras apresentaram folhas com coloração pálida, amarelecimento no terço inferior, maior estatura, colmos finos e folhas estreitas.

Também foi observada incidência de oídio, sobretudo em cultivos com maior disponibilidade de nitrogênio. As condições desfavoráveis atrasaram as operações fitossanitárias, obrigando os produtores a concentrar os tratamentos nos períodos de maior insolação.

Geadas de média intensidade atingiram a região no final do período analisado, mas os possíveis danos ainda estão sendo avaliados.

Em Passo Fundo, 65% das lavouras encontram-se em emborrachamento, 20% em afilhamento e 15% em espigamento. O controle fitossanitário está sendo programado conforme as condições ambientais.

Pelotas acumula mais de 200 milímetros de chuva

Na região administrativa de Pelotas, algumas localidades acumularam mais de 200 milímetros de chuva nas três últimas semanas de agosto. O volume elevado, associado à predominância de dias nublados e à baixa radiação solar direta, atrasou o desenvolvimento do trigo.

Na região, 88% das áreas estão em desenvolvimento vegetativo e 12% no início da floração. A continuidade das chuvas poderá limitar ainda mais as operações de manejo e aumentar a pressão de doenças.

Santa Rosa tem maior risco de doenças na floração

Em Santa Rosa, 52% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 36% em floração, 11% em enchimento de grãos e 1% em maturação.

As temperaturas amenas e a umidade disponível favoreceram o crescimento vegetativo. Por outro lado, a proporção elevada de áreas em antese aumenta o risco de giberela, exigindo atenção especial ao monitoramento e à aplicação preventiva de fungicidas.

As lavouras que já atingiram o enchimento de grãos e a maturação apresentam perspectiva produtiva satisfatória.

Doenças foliares também preocupam produtores

Em Santa Maria, aproximadamente 50% dos cultivos estão em desenvolvimento vegetativo, 43% em floração e 5% em enchimento de grãos.

Na região de Soledade, o excesso de umidade continua restringindo o acesso das máquinas e atrasando os tratos culturais. Também foram observados sintomas de manchas foliares e ferrugens, favorecidos pelas condições ambientais.

Na região, 60% dos cultivos estão em elongação do colmo, 30% em espigamento ou florescimento e 10% em perfilhamento.

Clima será decisivo para produtividade do trigo gaúcho

Apesar do excesso hídrico, do atraso nas operações e da maior pressão fitossanitária, o quadro geral do trigo no Rio Grande do Sul permanece dentro da normalidade.

A evolução da safra dependerá da abertura de períodos secos que permitam concluir as aplicações de nitrogênio, herbicidas e fungicidas. A melhora da luminosidade também será importante para o desenvolvimento das plantas.

Nas áreas em floração, o monitoramento da giberela será decisivo para preservar a produtividade e a qualidade industrial do cereal. Caso as chuvas persistam, as dificuldades de manejo e o risco de infecções poderão aumentar nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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