Publicidade
Café

Exportações mundiais de café verde crescem em junho com avanço do arábica brasileiro

Embarques globais alcançaram 10,48 milhões de sacas, impulsionados pela recuperação dos cafés naturais do Brasil; robusta apresentou queda de 2,1%


Publicado em: 30/08/2026 às 11:00hs

Exportações mundiais de café verde crescem em junho com avanço do arábica brasileiro

As exportações mundiais de café verde cresceram 0,8% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, alcançando 10,48 milhões de sacas de 60 quilos. O resultado foi impulsionado principalmente pelo avanço dos embarques de café arábica da categoria “naturais do Brasil”.

Os dados fazem parte do relatório mensal da Organização Internacional do Café (OIC) e mostram uma mudança no desempenho do comércio global da variedade. O crescimento registrado em junho interrompeu uma sequência de 15 meses consecutivos de resultados negativos nas exportações desse grupo de cafés.

Apesar da recuperação, a OIC ressalta que o avanço foi favorecido por uma base de comparação mais fraca. Em junho de 2025, os embarques internacionais haviam registrado forte retração.

Exportações de café arábica brasileiro crescem 7,1%

As exportações dos chamados “Brazilian Naturals”, grupo formado principalmente pelos cafés arábicas naturais produzidos no Brasil, aumentaram 7,1% em junho de 2026.

O volume embarcado chegou a 2,76 milhões de sacas de 60 quilos, consolidando a variedade brasileira como o principal fator de sustentação do crescimento registrado no comércio mundial de café verde durante o mês.

O resultado reforça a importância do Brasil no abastecimento internacional, especialmente em um período marcado por estoques reduzidos nos principais países consumidores e por elevada volatilidade nas bolsas de café.

A maior disponibilidade de grãos brasileiros também contribuiu para compensar o desempenho mais fraco observado em outras variedades comercializadas no mercado internacional.

Cafés suaves colombianos também ampliam embarques

As exportações de “Colombian Milds”, classificação que reúne cafés arábicas suaves produzidos principalmente na Colômbia, cresceram 1,2% em junho.

Os embarques totalizaram 1,09 milhão de sacas, apresentando uma expansão mais moderada em comparação com o avanço dos cafés naturais brasileiros.

O desempenho positivo das duas categorias de arábica ajudou a elevar as exportações mundiais de café verde, mesmo diante da retração registrada no segmento de robusta.

Exportações de robusta recuam 2,1%

Em sentido contrário, os embarques internacionais de café robusta diminuíram 2,1% em junho, somando 3,97 milhões de sacas.

A variedade, amplamente utilizada na fabricação de café solúvel e na composição de blends, vinha apresentando desempenho positivo ao longo da temporada. A queda de junho representou apenas o segundo resultado negativo nos primeiros nove meses da safra mundial 2025/26.

Apesar do recuo mensal, o volume exportado de robusta permaneceu superior ao das demais categorias individualmente, confirmando a relevância da variedade no fluxo global do produto.

Brasil ganha espaço no comércio mundial de café

O desempenho dos cafés naturais brasileiros evidencia a capacidade do País de ampliar sua presença no mercado externo durante períodos de recuperação da oferta.

Além de liderar a produção e as exportações globais, o Brasil possui uma estrutura diversificada, com oferta de arábica e robusta — conhecido nacionalmente também como conilon — para atender diferentes segmentos da indústria mundial.

O avanço dos embarques em junho ocorre em um cenário no qual compradores internacionais acompanham a disponibilidade da safra brasileira, a qualidade dos grãos e o comportamento dos estoques nos principais mercados consumidores.

Oferta e estoques devem definir comportamento dos preços

A recuperação das exportações globais tende a favorecer a recomposição dos estoques, mas seu efeito sobre os preços dependerá da continuidade dos embarques e do desempenho das próximas safras.

Uma entrada mais consistente de café brasileiro poderá aliviar parte das preocupações com a oferta internacional. Por outro lado, eventuais perdas de qualidade, problemas climáticos ou dificuldades logísticas podem sustentar os diferenciais pagos pelos lotes de melhor padrão.

Nos próximos meses, o mercado deverá acompanhar especialmente o ritmo das exportações do Brasil, da Colômbia e do Vietnã, além das condições climáticas nas principais regiões produtoras. Esses fatores serão determinantes para o equilíbrio entre oferta e demanda e para a trajetória das cotações internacionais do café.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias