Cevada avança no Norte do Paraná e abre nova alternativa de renda para produtores rurais
Projeto-piloto da Integrada reúne 290 hectares em Arapongas e Rolândia para avaliar a adaptação da cultura, diversificar o cultivo de inverno e ampliar as oportunidades comerciais dos cooperados
Publicado em: 27/08/2026 às 18:20hs
A produção de cevada começa a ganhar espaço no Norte do Paraná como alternativa para diversificar as lavouras de inverno e ampliar a renda dos produtores rurais. Após os resultados positivos registrados em Mauá da Serra, a Integrada Cooperativa Agroindustrial iniciou um projeto-piloto na Regional Arapongas, envolvendo propriedades localizadas nos municípios de Arapongas e Rolândia.
A iniciativa contempla 290 hectares e busca avaliar o desempenho agronômico da cultura em uma região com características climáticas diferentes das áreas paranaenses tradicionalmente destinadas ao cereal.
Além da possibilidade de retorno financeiro, o cultivo da cevada pode contribuir para a formação de palhada, a rotação de culturas e a diversificação das atividades realizadas durante o inverno.
Produtores de Rolândia investem no cultivo de cevada
Entre os participantes do projeto está a família Cocatto, de Rolândia. Acostumados à produção de trigo e milho, Raul Cocatto e os irmãos João Marcelo e Gilberto Cocatto reservaram 32 hectares dos 560 hectares cultivados na propriedade para a implantação da cevada.
De acordo com Raul Cocatto, a decisão permite testar uma nova opção produtiva sem abandonar as culturas já consolidadas na fazenda.
“A cevada, além de proporcionar uma boa palhada, também pode trazer retorno financeiro. É uma nova opção para a propriedade, e acredito que vai dar certo”, afirma o produtor.
A lavoura apresenta desenvolvimento considerado satisfatório, e a colheita está prevista para os próximos dias. Embora ainda esteja adquirindo experiência com a cultura, o cooperado demonstra otimismo com os resultados observados no campo.
“Ainda estou conhecendo a cultura, mas, pelo que estamos acompanhando, a expectativa é de uma colheita muito satisfatória”, acrescenta.
A adesão ao projeto ocorreu após a recomendação da equipe de assistência técnica da Integrada. Para Cocatto, testar novas possibilidades é fundamental para reduzir a dependência de uma única alternativa durante o inverno.
Projeto-piloto avalia adaptação da cevada no Norte do Paraná
Além da família Cocatto, participam da iniciativa os cooperados Alceu José Ambrosio e Mauro César Tribulato. O objetivo central é entender como a cevada responde às condições de solo e clima da Regional Arapongas.
Segundo o agrônomo Rodrigo Ambrosio, responsável pelo acompanhamento técnico na regional, o projeto foi estruturado com base na experiência acumulada pela Integrada em Mauá da Serra, onde a cultura é plantada há mais de três anos.
“Temos buscado informações com a equipe da Regional Mauá da Serra. A partir dos resultados obtidos naquela região, decidimos experimentar a cultura aqui”, explica.
O trabalho também inclui um ensaio de cultivares destinado a identificar as variedades de cevada com melhor adaptação e desempenho produtivo no Norte do Paraná.
Expectativa de produtividade chega a 62 sacas por hectare
A projeção inicial da Integrada é alcançar produtividade mínima de 62 sacas de cevada por hectare. O resultado, entretanto, dependerá do comportamento do clima durante o desenvolvimento das plantas e o período de colheita.
Conforme Rodrigo Ambrosio, o inverno mais seco e o menor volume de chuva na fase de retirada dos grãos podem favorecer a qualidade da produção.
“Como a cevada é nova em nossa região, ainda estamos avaliando sua adaptação. O inverno costuma ser mais seco, com menos chuvas durante a colheita, o que pode contribuir para grãos de melhor qualidade e para a manutenção de bons níveis de produtividade”, destaca o agrônomo.
Os resultados obtidos nesta primeira etapa serão importantes para orientar a possível ampliação da área plantada nos próximos ciclos.
Cultivo de cevada já ocupa 5 mil hectares em Mauá da Serra
A experiência da Integrada em Mauá da Serra demonstra o potencial de crescimento da cevada no Paraná. O projeto começou em 2022, em parceria com a Cooperativa Agrária Agroindustrial, com uma área experimental de cinco hectares em Marilândia do Sul.
Desde então, o cultivo avançou e atualmente ocupa aproximadamente 5 mil hectares, distribuídos entre 48 produtores.
A evolução da área reforçou o interesse da cooperativa em levar a cultura para outras localidades, especialmente como opção para o planejamento das lavouras de inverno.
Produção será beneficiada em Guarapuava
Depois da colheita, a cevada produzida na Regional Arapongas será entregue na unidade da Integrada em Mauá da Serra. Na sequência, os grãos serão encaminhados para Guarapuava, onde passarão pelo beneficiamento realizado pela Cooperativa Agrária.
A estrutura comercial e industrial permite conectar a produção das propriedades rurais ao mercado consumidor, aspecto considerado essencial para a consolidação da cultura na nova região.
Para a Integrada, a expansão da cevada representa mais uma estratégia de diversificação produtiva e geração de valor para os cooperados.
“É mais um passo na busca por novas alternativas de cultivo e renda para nossos associados”, conclui Rodrigo Ambrosio.
Fonte: Portal do Agronegócio
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