Preço do arroz sobe e mercado testa novo patamar com menor oferta disponível no Brasil
Retenção dos produtores, estoques mais ajustados e expectativas para a próxima safra impulsionam recuperação das cotações do arroz em casca no Rio Grande do Sul
Publicado em: 24/07/2026 às 17:30hs
O mercado brasileiro de arroz segue em trajetória de recuperação de preços, com as cotações avançando diante da menor disponibilidade imediata do produto e da postura mais cautelosa dos produtores na comercialização. O movimento, segundo análise da Safras & Mercado, representa uma recomposição dos valores após um período de pressão sobre o mercado, enquanto compradores e vendedores avaliam os fundamentos para a próxima temporada.
De acordo com o analista e consultor Evandro Oliveira, o fluxo de negócios permanece moderado, com a liquidez limitada pela estratégia dos produtores, que têm reduzido a oferta no mercado à espera de melhores oportunidades de remuneração.
“O mercado passa a incorporar, de forma crescente, as expectativas relacionadas à safra 2026/27, reforçando a importância dos fundamentos estruturais na formação dos preços”, destaca o analista.
Menor disponibilidade sustenta valorização do arroz
A recuperação das cotações ocorre principalmente pela combinação entre menor disponibilidade de arroz disponível para venda e maior resistência dos produtores em negociar volumes expressivos.
Com estoques mais restritos em algumas regiões, a indústria enfrenta maior dificuldade para garantir matéria-prima, enquanto mantém uma estratégia de compras escalonadas para evitar aumento acelerado dos custos sem possibilidade imediata de repasse ao consumidor.
Segundo a Safras & Mercado, a retenção de estoques pelos produtores tornou-se um dos principais fatores de sustentação dos preços.
“A crescente retenção de estoques reduz a oferta imediata de produto disponível, elevando a dificuldade de originação em praticamente todas as regiões produtoras”, explica Oliveira.
Cotações avançam nas principais regiões produtoras
O movimento de alta já é observado nas principais praças produtoras do país, especialmente no Rio Grande do Sul, maior estado produtor de arroz do Brasil.
Na Fronteira Oeste gaúcha, a valorização das cotações aumentou a expectativa dos produtores, embora negociações em níveis considerados mais elevados ainda encontrem resistência por parte dos compradores.
Em Pelotas, no sul do estado, permanece um cenário de negociação mais seletivo, marcado pelo distanciamento entre os preços desejados pelos produtores e as indicações oferecidas pelas indústrias.
Já na Região Central, os valores continuam abaixo dos registrados em outras localidades, enquanto a disponibilidade de arroz com elevado rendimento industrial permanece limitada.
Mercado testa nova referência de preços
Com a recuperação recente, o setor passa a trabalhar com um novo intervalo de referência para os preços do arroz brasileiro.
No mercado portuário, os valores vêm ganhando competitividade, refletindo a menor oferta disponível e a busca da indústria por reposição de estoques.
O movimento também ocorre em um momento de maior atenção às projeções para a safra 2026/27, que devem influenciar as decisões comerciais dos agentes ao longo dos próximos meses.
Indicador Safras aponta alta de quase 7% na semana
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, considerando arroz com 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a quinta-feira cotado a R$ 67,38, registrando alta de 6,68% em relação à semana anterior.
Na comparação mensal, o avanço chega a 13,34%, demonstrando a intensidade da recuperação recente dos preços.
Apesar da valorização, o indicador ainda acumula queda de 2,07% em relação ao mesmo período de 2025, mostrando que o mercado busca recuperar parte das perdas acumuladas anteriormente.
Indústrias mantêm cautela nas compras
Enquanto os produtores seguram parte dos estoques em busca de melhores preços, as indústrias seguem adotando uma postura estratégica, realizando compras pontuais e evitando movimentos agressivos de aquisição.
A cautela ocorre em meio aos desafios de repasse dos custos para o mercado consumidor e à necessidade de equilibrar margens dentro da cadeia.
Perspectivas para o mercado de arroz
A tendência para as próximas semanas dependerá principalmente do ritmo de comercialização dos produtores, da necessidade de reposição das indústrias e das expectativas para a próxima safra.
Com oferta mais ajustada e menor disponibilidade imediata, o mercado brasileiro de arroz testa um novo patamar de preços, enquanto os agentes acompanham os fundamentos de produção, consumo e exportação para definir suas próximas estratégias.
A combinação entre retenção de estoques, recuperação das cotações e expectativa sobre a safra 2026/27 deve continuar sendo determinante para a formação dos preços do arroz no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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