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Preço do arroz sobe 11% e menor oferta reforça perspectiva de alta para 2026/27

Retenção dos produtores, exportações maiores e projeção de queda na safra brasileira apertam o mercado; produção mundial deve recuar 2%, aponta Itaú BBA


Publicado em: 16/09/2026 às 10:30hs

Preço do arroz sobe 11% e menor oferta reforça perspectiva de alta para 2026/27

O mercado brasileiro de arroz voltou a ganhar firmeza entre agosto e setembro, sustentado pela menor disponibilidade no mercado spot, pela retenção dos produtores e pela maior disputa das indústrias pelos lotes remanescentes da safra.

Entre 10 de agosto e 9 de setembro, o preço do arroz em casca passou de R$ 71,26 para R$ 79,12 por saca de 50 quilos, acumulando valorização de 11%. Os dados integram o Agro Mensal de setembro, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.

A recuperação ocorre após um período prolongado de margens pressionadas. Para a safra 2026/27, a expectativa de redução da área e da produtividade no Brasil, somada aos riscos climáticos associados ao El Niño, reforça uma perspectiva mais firme para as cotações.

Retenção dos produtores reduz oferta de arroz no mercado

Embora a produção atual ainda assegure uma disponibilidade física relativamente confortável, parte dos produtores diminuiu o ritmo das vendas à espera de preços melhores.

Com menos arroz disponível no mercado spot, as indústrias ampliaram a procura por matéria-prima para recompor estoques. A concorrência pelos lotes ofertados ajudou a impulsionar as cotações durante o período analisado.

A recuperação dos preços também reflete a tentativa dos agricultores de melhorar os resultados econômicos depois de ciclos marcados por baixa rentabilidade.

Exportações brasileiras de arroz crescem 49%

O comércio exterior contribuiu para retirar parte da oferta disponível no mercado doméstico. Em agosto, o Brasil exportou 198 mil toneladas de arroz, crescimento de 49% em relação a julho.

No mesmo período, as importações somaram 125 mil toneladas. Com os embarques acima das compras externas, o saldo comercial positivo reforçou a redução da disponibilidade interna.

A combinação entre exportações maiores, comercialização restrita por parte dos produtores e necessidade de reposição dos estoques industriais manteve o mercado firme.

Safra 2026/27 pode ter menor área e produtividade no Brasil

As expectativas para a próxima temporada também começaram a influenciar a formação dos preços. Os resultados financeiros pouco atrativos dos últimos ciclos aumentaram a possibilidade de redução da área cultivada com arroz em 2026/27.

O Itaú BBA também projeta queda da produtividade. Caso esse cenário se confirme, a produção brasileira deverá recuar e deixar o balanço doméstico mais ajustado.

A relação entre estoques e consumo no Brasil pode cair para 6% na safra 2026/27, abaixo dos 15% estimados para o ciclo anterior. Esse movimento reduziria a margem de segurança do mercado e aumentaria sua sensibilidade a perdas produtivas ou mudanças na demanda.

El Niño amplia riscos para as lavouras de arroz

O clima será uma das principais variáveis da próxima safra, especialmente no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional do cereal.

Os riscos associados ao El Niño aumentam a atenção sobre o plantio e o desenvolvimento das lavouras. Volumes excessivos de chuva podem atrasar operações, dificultar o manejo e comprometer o potencial produtivo em determinadas áreas.

A evolução das condições climáticas também será decisiva para confirmar as projeções de produtividade e oferta no mercado brasileiro.

Produção mundial de arroz deve cair 2%

No cenário internacional, o mercado inicia a safra 2026/27 com fundamentos mais favoráveis aos preços.

Após o recorde alcançado em 2025/26, a produção mundial de arroz deverá recuar 2%, de 546 milhões para 534 milhões de toneladas, segundo os dados do USDA apresentados no relatório.

O consumo global, por outro lado, deve crescer 1%, passando de 531 milhões para 537 milhões de toneladas. Com a demanda acima da produção, os estoques finais podem diminuir 3%, de 203 milhões para 197 milhões de toneladas.

Apesar da redução, a relação entre estoques e consumo permanecerá elevada, em 37%. Isso indica que o mercado mundial não enfrenta um cenário de escassez, embora passe a trabalhar com uma disponibilidade menor.

Produção menor nos Estados Unidos reduz concorrência

A queda da produção norte-americana é um dos fatores que podem sustentar as cotações internacionais.

A redução expressiva da área plantada nos Estados Unidos limita a oferta do país e tende a diminuir a concorrência nas exportações do Hemisfério Ocidental.

Esse movimento pode favorecer outros fornecedores, incluindo os países do Mercosul, e contribuir para a manutenção dos preços internacionais em níveis mais elevados.

Riscos climáticos na Ásia entram no radar

A possível influência do El Niño sobre importantes regiões produtoras da Ásia também aumenta a cautela no mercado global.

A produção mundial deverá recuar mesmo com estabilidade ou crescimento em alguns dos maiores produtores. Na Índia, a estimativa aponta queda de 5%, para 147 milhões de toneladas. Bangladesh, Tailândia e Indonésia também podem registrar redução.

Outro fator acompanhado é o aumento do uso de arroz na produção de etanol pela Índia. A destinação de parte do cereal para biocombustíveis pode ajudar a reduzir os estoques públicos e acrescentar demanda ao mercado.

Estoques e exportações da Índia limitam altas mais fortes

Embora os fundamentos tenham se tornado mais construtivos, a Índia continua funcionando como um fator de equilíbrio para os preços.

O país mantém estoques elevados e lidera as exportações mundiais. Essa disponibilidade limita movimentos mais intensos de valorização e reduz, por enquanto, o risco de escassez no mercado internacional.

Ainda assim, o cenário para 2026/27 difere das duas temporadas anteriores. A combinação entre menor produção mundial, redução dos estoques e riscos climáticos deixa o mercado mais sensível a problemas nas principais regiões produtoras.

Mercado do arroz entra em fase de maior firmeza

A análise do Itaú BBA indica uma perspectiva mais positiva para os preços do arroz ao longo da safra 2026/27.

No Brasil, a menor oferta no mercado spot, o crescimento das exportações e a possível redução da próxima safra favorecem a recuperação das cotações. No exterior, a queda da produção e dos estoques globais também oferece sustentação.

A intensidade do movimento dependerá do clima no Brasil e na Ásia, do comportamento das exportações indianas e da resposta dos produtores aos preços. Mesmo sem um quadro de escassez mundial, a menor disponibilidade tende a deixar o mercado mais firme e volátil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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