Preço do arroz dispara 22% no Rio Grande do Sul com oferta restrita e risco de El Niño
Saca de 50 quilos sobe de R$ 60,33 para R$ 73,60, enquanto exportações aquecidas, estoques menores e perspectivas de redução da safra 2026/27 sustentam a recuperação do mercado
Publicado em: 01/09/2026 às 10:50hs
O preço do arroz registrou forte recuperação no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal no Brasil. Entre 1º de julho e 13 de agosto, a cotação da saca de 50 quilos avançou 22%, passando de R$ 60,33 para R$ 73,60.
A valorização reflete a redução gradual da oferta disponível no mercado, a retenção de estoques pelos produtores e a maior necessidade de reposição por parte das indústrias beneficiadoras. Os dados integram o Agro Mensal, relatório elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
Além das condições atuais de oferta e demanda, os agentes começam a incorporar aos preços as perspectivas para a safra brasileira de arroz 2026/27 e os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção.
Estoques menores elevam preço do arroz no RS
A menor disponibilidade de arroz em casca tem fortalecido a posição dos produtores nas negociações. Com estoques mais ajustados e expectativas de novas valorizações, parte dos vendedores prefere limitar a oferta e aguardar condições comerciais mais favoráveis.
Do lado comprador, as indústrias intensificaram a procura para recompor estoques e garantir matéria-prima durante a entressafra. Essa combinação entre oferta restrita e demanda mais ativa favoreceu a recuperação das cotações no mercado gaúcho.
O cenário representa uma mudança em relação aos períodos de maior pressão sobre os preços, quando a disponibilidade elevada dificultava uma reação mais consistente do cereal.
Safra 2026/27 pode ter nova redução na produção
Segundo a análise do Itaú BBA, as primeiras perspectivas para a safra 2026/27 indicam uma nova redução da produção brasileira de arroz. A disponibilidade também pode diminuir em outros países do Mercosul, ampliando a percepção de oferta mais apertada na região.
A possível queda na produção, combinada à redução dos estoques de passagem, pode tornar o balanço entre oferta e demanda mais favorável aos produtores ao longo do próximo ciclo.
Diante dessas projeções, compradores passaram a atuar de maneira mais ativa. A antecipação de aquisições ajuda as indústrias a reduzir riscos de abastecimento, mas também aumenta a sustentação das cotações no curto prazo.
Exportações brasileiras de arroz crescem 25%
As exportações também contribuem para retirar excedentes do mercado doméstico. Embora os embarques tenham recuado em julho, o volume acumulado desde janeiro alcançou 1,2 milhão de toneladas, crescimento de 25% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O dólar valorizado elevou a competitividade do arroz brasileiro no exterior, melhorando as condições para os exportadores. A continuidade dos embarques será um dos fatores determinantes para a trajetória dos preços durante a entressafra.
Quanto maior a absorção dos excedentes pelo mercado internacional, menor tende a ser a pressão da oferta sobre as cotações internas.
El Niño aumenta preocupação com a próxima safra de arroz
O avanço do El Niño passou a ocupar posição central nas avaliações do setor. O fenômeno climático aumentou a percepção de risco sobre a oferta futura, especialmente porque o cultivo de arroz irrigado é concentrado na Região Sul.
Eventuais excessos de chuva podem prejudicar o plantio, atrasar operações no campo e comprometer o desenvolvimento das lavouras. A dimensão dos impactos dependerá da intensidade do fenômeno e da distribuição das precipitações durante o ciclo produtivo.
Mesmo antes da confirmação de perdas, a maior incerteza climática já influencia as decisões de produtores, indústrias e compradores.
Conab anuncia compra de 310 mil toneladas de arroz
Diante dos riscos para a produção nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a aquisição de 310 mil toneladas de arroz por meio das Aquisições do Governo Federal, mecanismo da Política de Garantia de Preços Mínimos.
A operação pretende reforçar os estoques públicos e criar uma proteção adicional contra eventuais impactos climáticos sobre o abastecimento.
A retirada desse volume do mercado pode reduzir parte dos excedentes disponíveis e colaborar para o equilíbrio entre oferta e demanda. Por outro lado, a medida também pode estimular produtores a manter os estoques retidos enquanto aguardam novas valorizações.
Alta dependerá das exportações e da oferta dos produtores
A sustentação do preço do arroz nos próximos meses dependerá principalmente do ritmo das exportações, da necessidade de compra das indústrias e da postura adotada pelos produtores na comercialização.
“A continuidade da alta dependerá principalmente da velocidade de absorção desses excedentes ao longo da entressafra, do desempenho das exportações e da manutenção de uma postura mais restritiva dos produtores na comercialização”, afirma Marina Marangon, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Segundo a especialista, o mercado direciona cada vez mais sua atenção para a próxima temporada, diante da expectativa de menor produção e redução significativa dos estoques de passagem.
Perspectivas ficam mais favoráveis para o arroz em 2026/27
A combinação entre estoques mais baixos, oferta controlada, exportações crescentes e risco climático oferece sustentação ao mercado brasileiro de arroz. O avanço de 22% no Rio Grande do Sul mostra que os compradores já começaram a reagir às perspectivas de menor disponibilidade.
Ainda assim, a continuidade da valorização não está garantida. O comportamento do dólar, o desempenho das vendas externas, a intensidade do El Niño e a evolução da safra 2026/27 serão decisivos para definir até onde os preços poderão avançar.
Com fundamentos mais ajustados, porém, o mercado entra na entressafra em uma posição mais favorável aos produtores e com potencial para manter as cotações firmes nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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