Oferta de arroz deve cair nas Américas e clima ameaça plantio da safra 2026/27
Estados Unidos projetam redução de 23% na produção, enquanto Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai indicam menor área; excesso de chuva associado ao El Niño aumenta riscos para a oferta de 2027
Publicado em: 08/09/2026 às 18:20hs
O mercado de arroz acompanha com atenção a formação da safra 2026/27 nas Américas. As primeiras projeções indicam redução da produção nos Estados Unidos e recuo da área cultivada em importantes países do Mercosul, cenário que pode restringir a oferta e aumentar a sustentação dos preços ao longo de 2027.
Além da retração prevista para o cultivo, as condições climáticas surgem como fator decisivo. A possibilidade de chuvas acima da média durante a primavera, sob influência do El Niño, pode atrasar a semeadura e comprometer o potencial produtivo das lavouras.
Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia produtiva do arroz, os Estados Unidos e o Mercosul caminham para uma combinação de menor produção, redução das intenções de plantio e maior risco climático.
Produção de arroz dos Estados Unidos pode cair 23%
Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura do país (USDA) estima uma produção de 158,4 milhões de cwt na safra 2026/27. O volume equivale a aproximadamente 7,18 milhões de toneladas de arroz em casca e representa uma redução de 23% em comparação com o ciclo anterior.
A retração é ainda mais acentuada no segmento de arroz longo. A produção está projetada em 106,7 milhões de cwt, queda próxima de 30%.
Com a colheita norte-americana em andamento, a USA Rice Producers Association (USRPA) já identifica maior firmeza nas cotações. O movimento reflete a menor disponibilidade nos Estados Unidos, as incertezas envolvendo a safra do Mercosul e os possíveis impactos do El Niño.
Paraguai inicia plantio com redução de 11% na área
No Paraguai, a semeadura da nova safra começou no fim de agosto. A intenção inicial de plantio é de aproximadamente 160 mil hectares, volume 11% inferior aos 180 mil hectares cultivados na temporada passada.
O recuo confirma a tendência de ajuste da área entre importantes produtores sul-americanos. Entretanto, o tamanho efetivo da safra ainda dependerá do avanço dos trabalhos dentro da janela considerada ideal.
A distribuição das chuvas, as condições do solo e a disponibilidade de luminosidade durante o desenvolvimento das lavouras serão determinantes para definir o rendimento do arroz paraguaio.
Área de arroz deve diminuir no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, principal produtor brasileiro de arroz, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) projeta o cultivo de 861,8 mil hectares na safra 2026/27. A estimativa corresponde a uma redução de 3,4% frente à temporada anterior.
Na Fronteira Oeste, uma das principais regiões produtoras do estado, a área deverá alcançar 247,6 mil hectares, com retração de 3,7%.
Embora as reduções percentuais sejam mais moderadas do que as previstas em outros países, qualquer perda adicional provocada pelo clima poderá afetar a disponibilidade interna. O desempenho da produção gaúcha tem influência direta sobre o abastecimento e a formação dos preços do arroz no Brasil.
Argentina enfrenta excesso de umidade antes da semeadura
Na Argentina, a província de Entre Ríos sinaliza intenção inicial de cultivo de 44 mil hectares. Caso seja confirmada, a área ficará cerca de 20% abaixo dos 54,85 mil hectares registrados anteriormente.
Além da retração planejada, o excesso de umidade tem atrasado as operações de pré-semeadura. A situação aumenta o risco de implantação fora do período mais favorável e pode provocar novos ajustes na área efetivamente cultivada.
O Uruguai também se aproxima do período de plantio com perspectiva de redução da área destinada ao cereal, reforçando o cenário de oferta mais apertada no Mercosul.
El Niño aumenta riscos para a safra de arroz
A principal dúvida do mercado é quanto da área inicialmente projetada será realmente semeada dentro da janela ideal. O Irga alerta para a possibilidade de uma primavera com volumes de chuva acima da normalidade no Rio Grande do Sul.
Em anos sob influência do El Niño, o excesso de precipitação pode dificultar o preparo das áreas, interromper a semeadura e atrasar o estabelecimento das lavouras. A maior nebulosidade e a redução da radiação solar também podem prejudicar o desenvolvimento das plantas, a produtividade e a qualidade dos grãos.
O impacto final dependerá da intensidade e da distribuição das chuvas. Mesmo sem provocar perdas generalizadas, períodos prolongados de instabilidade podem reduzir a área implantada no momento recomendado.
Menor oferta pode dar sustentação aos preços do arroz
O mercado de arroz inicia a safra 2026/27 diante de um quadro potencialmente mais restritivo. A forte queda da produção norte-americana, combinada à redução de área no Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, tende a limitar a disponibilidade do cereal nas Américas.
A confirmação desse cenário dependerá do ritmo da semeadura, das condições climáticas e do rendimento das lavouras. Nas próximas semanas, o mercado deverá observar não apenas as intenções anunciadas pelos produtores, mas principalmente quanto arroz chegará efetivamente ao campo e estará disponível para formar a oferta de 2027.
Fonte: Portal do Agronegócio
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