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Safra de trigo enfrenta chuvas, granizo e avanço de doenças no Sul; colheita chega a 11,5%

Excesso de umidade interrompe operações no Paraná e em Santa Catarina, eleva a pressão fitossanitária e ameaça a qualidade dos grãos; perdas causadas por granizo ainda são avaliadas


Publicado em: 08/09/2026 às 19:00hs

Safra de trigo enfrenta chuvas, granizo e avanço de doenças no Sul; colheita chega a 11,5%

A colheita da safra brasileira de trigo alcançou 11,5% da área cultivada, mas o avanço dos trabalhos ocorre em meio ao aumento dos riscos climáticos e fitossanitários. Chuvas frequentes, episódios de granizo e elevada umidade pressionam as lavouras, especialmente na região Sul, principal polo produtor do cereal no país.

Além de interromper temporariamente a colheita em alguns estados, as precipitações ampliaram a ocorrência de doenças foliares e de espiga. O cenário exige atenção redobrada dos produtores, principalmente nas áreas que estão em maturação ou próximas do ponto de colheita.

Chuvas e granizo interrompem colheita de trigo no Paraná

No Paraná, as chuvas registradas no início da semana paralisaram temporariamente as operações de campo. O excesso de umidade dificulta a entrada de máquinas nas lavouras e pode comprometer a qualidade do trigo já maduro.

Também foram registrados episódios de granizo, que provocaram danos em algumas áreas produtoras. A dimensão das perdas ainda depende de levantamentos mais detalhados, especialmente nos municípios atingidos com maior intensidade.

A continuidade das precipitações pode ampliar os riscos de germinação dos grãos ainda na espiga, redução do peso hectolitro e perda da qualidade industrial do cereal.

Doenças avançam nas lavouras de Santa Catarina

Em Santa Catarina, o excesso de chuva entre o fim de agosto e o início de setembro elevou significativamente os riscos operacionais e fitossanitários.

Nas regiões Oeste e Extremo Oeste, onde as lavouras estão em estágios mais avançados, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) identificou ocorrências de oídio, ferrugem, manchas foliares e doenças de espiga.

As precipitações também causaram acamamento localizado no Extremo Oeste catarinense. Em algumas áreas, o granizo atingiu as plantações, mas a quantificação oficial dos prejuízos ainda não foi concluída.

A combinação de plantas acamadas, elevada umidade e presença de doenças pode dificultar a colheita e reduzir tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.

Trigo apresenta bom desenvolvimento no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o aumento da luminosidade favoreceu o desenvolvimento das lavouras, que permanecem, de maneira geral, em condições satisfatórias.

Apesar do cenário relativamente positivo, a sequência de temperaturas amenas e umidade elevada mantém a ocorrência de manchas foliares e bacterioses. Nas áreas mais adiantadas, também cresce a preocupação com doenças de espiga.

O monitoramento fitossanitário torna-se ainda mais importante durante as fases de florescimento e enchimento de grãos, quando o trigo apresenta maior sensibilidade a infecções capazes de comprometer rendimento e qualidade.

Clima também afeta lavouras no Sudeste e Centro-Oeste

As chuvas interromperam operações de colheita em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Nesses estados, a umidade elevada pode atrasar os trabalhos e afetar os lotes que já atingiram a maturação.

Em Goiás, as produtividades observadas nas áreas irrigadas estão abaixo das estimativas iniciais. Minas Gerais também registra redução no rendimento e qualidade inferior dos grãos colhidos.

O desempenho abaixo do esperado nessas regiões aumenta a atenção sobre o resultado nacional da safra, especialmente porque parte das lavouras do Sul ainda atravessa fases decisivas do ciclo produtivo.

Previsão mantém alerta para qualidade do trigo

A previsão para os próximos dias indica o retorno das chuvas à região Sul, com maior risco de restrições provocadas pelo excesso de precipitação em Santa Catarina e no Paraná.

No Sudeste, novos volumes também podem alcançar áreas de trigo em maturação e colheita. Caso as precipitações sejam frequentes ou intensas, poderão ocorrer atrasos nas operações e perdas de qualidade.

Com apenas 11,5% da área nacional colhida, o comportamento do clima nas próximas semanas será determinante para a produtividade, a classificação dos grãos e a oferta de trigo de melhor padrão no mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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