Safra de milho do Rio Grande do Sul deve crescer 7,18% e alcançar 6,91 milhões de toneladas
Plantio avança com melhora do clima, enquanto expansão da área e bom estabelecimento das lavouras sustentam projeção positiva; cigarrinha-do-milho exige atenção dos produtores
Publicado em: 08/09/2026 às 18:00hs
A safra de milho do Rio Grande do Sul ganhou ritmo com a melhora das condições climáticas e poderá alcançar 6,91 milhões de toneladas no ciclo 2026/2027. A projeção da Emater/RS-Ascar representa crescimento de 7,18% na produção estadual.
A área destinada ao cereal está estimada em 896.401 hectares, expansão de 7,42% na comparação utilizada pelo levantamento. A produtividade média deverá atingir 7.711 quilos por hectare, equivalente a aproximadamente 128,5 sacas por hectare.
O avanço da cultura reforça o movimento de recuperação e consolidação do milho no território gaúcho. Além da ampliação da área, o desempenho da safra será fundamental para o abastecimento das cadeias de aves, suínos e produção leiteira, que utilizam o grão como um dos principais componentes da alimentação animal.
Plantio avança com temperaturas mais elevadas
A implantação das lavouras avançou de maneira expressiva após a redução da umidade superficial do solo, o aumento das temperaturas e a maior disponibilidade de radiação solar.
De acordo com o acompanhamento da Emater/RS-Ascar, as áreas implantadas apresentam, em sua maioria, germinação satisfatória, emergência uniforme e bons estandes. Grande parte das lavouras permanece nos estádios iniciais de desenvolvimento vegetativo.
Os trabalhos estão mais adiantados nas regiões de menor altitude e nas localidades onde a janela de semeadura prevista pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) já está aberta.
Em áreas mais frias ou com solos de drenagem limitada, o plantio ocorre em ritmo mais lento. Também foram observados problemas pontuais de estabelecimento em talhões semeados com excesso de umidade ou atingidos por chuvas logo depois da operação.
Santa Rosa lidera avanço da semeadura
Na região administrativa de Santa Rosa, o plantio chegou a 74% dos 174.288 hectares previstos. As lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e apresentam boa uniformidade.
A produtividade regional está projetada em 8.353 quilos por hectare, ou cerca de 139 sacas por hectare.
Em Ijuí, mais de 60% dos 112.855 hectares estimados já foram implantados. A região possui uma das maiores expectativas de produtividade do Estado, com 9.473 quilos por hectare, aproximadamente 158 sacas por hectare.
A umidade do solo tornou-se mais favorável a partir do fim de agosto, permitindo o avanço inicial em áreas com menor cobertura de palhada e, posteriormente, nos demais talhões.
Diante da previsão de chuvas volumosas, alguns agricultores reduziram a profundidade de deposição das sementes. As lavouras implantadas no início de agosto apresentam emergência uniforme e poucas falhas.
São Borja alcança 60% da área prevista
Em São Borja, a semeadura atingiu 60% dos 25 mil hectares projetados. Pancadas de chuva localizadas, disponibilidade adequada de água no solo e temperaturas mais altas favoreceram a germinação e a formação dos estandes.
As condições climáticas também contribuíram para a dessecação das plantas de cobertura. O manejo foi realizado com rolo-faca, utilizado isoladamente ou em conjunto com herbicidas, especialmente em áreas com nabo, aveia, centeio e ervilhaca.
Nas partes mais baixas e com problemas de drenagem, porém, ainda existem limitações para a entrada das máquinas. O atraso preocupa produtores que pretendem cultivar soja na sequência, devido ao risco de redução da janela ideal de semeadura da oleaginosa.
Erechim e Soledade intensificam plantio
Na região de Erechim, aproximadamente 30% dos 44.915 hectares previstos já foram semeados. A produtividade projetada é de 8.956 quilos por hectare, equivalente a cerca de 149 sacas por hectare.
Em Soledade, o plantio alcançou 20% dos 71.620 hectares estimados. As áreas remanescentes estão, em grande parte, preparadas e dessecadas, aguardando condições adequadas para a operação.
A elevação das temperaturas reduziu a umidade excessiva do solo e favoreceu a germinação, a emergência e o desenvolvimento inicial. A produtividade regional está projetada em 5.659 quilos por hectare, pouco mais de 94 sacas por hectare.
Regiões apresentam diferentes potenciais produtivos
As estimativas regionais mostram diferenças relevantes no potencial produtivo do milho gaúcho. Além de Ijuí, as maiores produtividades são esperadas em Passo Fundo, com 9.359 quilos por hectare, e Erechim, com 8.956 quilos por hectare.
Em Frederico Westphalen, a área projetada é de 86.660 hectares, com rendimento médio estimado em 8.119 quilos por hectare. Caxias do Sul deverá cultivar 96.052 hectares e alcançar produtividade de 7.953 quilos por hectare.
Na região de Bagé, são esperados 63.682 hectares e produtividade de 6.551 quilos por hectare. Para Santa Maria, a previsão aponta 59.835 hectares e rendimento de 6.618 quilos por hectare.
As projeções também indicam:
- Passo Fundo: 84.360 hectares e produtividade de 9.359 quilos por hectare;
- Pelotas: 37.940 hectares e 4.675 quilos por hectare;
- Porto Alegre: 32.854 hectares e 4.419 quilos por hectare;
- Lajeado: 31.340 hectares e 5.959 quilos por hectare.
As diferenças refletem fatores como regime de chuvas, temperatura, altitude, características do solo, disponibilidade de irrigação e nível tecnológico empregado nas propriedades.
Cigarrinha-do-milho acende alerta fitossanitário
Apesar das perspectivas favoráveis, o cenário fitossanitário exige atenção. Técnicos identificaram elevada incidência de cigarrinha-do-milho, inclusive em áreas conduzidas sob rotação de culturas.
A praga preocupa porque pode transmitir os agentes causadores dos enfezamentos, doenças capazes de comprometer o desenvolvimento das plantas e provocar perdas expressivas de produtividade.
A pressão está mais evidente na região de Santa Rosa, onde os produtores intensificaram o monitoramento e as aplicações de inseticidas. Em algumas localidades, houve redução da população da praga, mas o risco permanece elevado.
Também foram observados danos localizados provocados por percevejos durante as fases de germinação e desenvolvimento inicial.
O monitoramento frequente das lavouras é decisivo para identificar rapidamente as infestações e orientar medidas de controle. O manejo deve considerar o histórico da área, a presença de plantas voluntárias de milho, o estágio da cultura e a orientação técnica.
Clima e sanidade definirão desempenho da safra
A perspectiva inicial para a safra de milho do Rio Grande do Sul é positiva, apoiada pela expansão da área, pelo avanço do plantio e pelo estabelecimento satisfatório da maioria das lavouras.
A projeção de 6,91 milhões de toneladas, contudo, dependerá da regularidade das chuvas e das temperaturas durante as etapas de floração e enchimento dos grãos, consideradas fundamentais para a definição do rendimento.
Além do clima, o controle da cigarrinha-do-milho e dos percevejos será determinante para preservar o potencial produtivo. Com crescimento estimado de 7,18%, a nova safra poderá ampliar a oferta interna do cereal e fortalecer importantes cadeias da agropecuária gaúcha.
Fonte: Portal do Agronegócio
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