Serviços crescem 3,4% em agosto, mas varejo ainda sinaliza desaceleração do consumo
Índice IGet aponta recuperação dos serviços prestados às famílias e avanço moderado do varejo ampliado, enquanto juros elevados pressionam supermercados, farmácias, móveis e eletrodomésticos
Publicado em: 08/09/2026 às 17:30hs
A atividade econômica brasileira apresentou sinais mistos em agosto, com recuperação do setor de serviços e desempenho desigual no comércio varejista. Os dados são do Índice Getnet de Atividade Econômica (IGet), desenvolvido pela Getnet em parceria com o Santander.
O indicador de serviços avançou 3,4% na comparação com julho, retornando a um patamar próximo ao observado em maio. No varejo, porém, o cenário permaneceu dividido: enquanto o índice ampliado cresceu 0,4%, o varejo restrito recuou 0,4% no período.
Os resultados mostram que alguns segmentos ligados ao consumo das famílias reagiram durante o mês, mas os efeitos dos juros elevados, da redução do impulso fiscal e da perda de força da demanda continuam limitando uma recuperação mais consistente da economia.
Serviços recuperam perdas registradas em junho
O IGet Serviços cresceu 3,4% em agosto, completando o segundo mês consecutivo de recuperação após a forte retração observada em junho. Com esse desempenho, o índice praticamente retornou ao nível registrado em maio.
A principal contribuição positiva veio das atividades de alojamento e alimentação, que avançaram 2,7% na comparação mensal. O grupo de outros serviços prestados às famílias também apresentou crescimento, com alta de 1,8%.
Apesar da recuperação no curto prazo, o indicador de serviços ainda acumula retração de 1,6% na comparação com agosto do ano anterior. O desempenho interanual reforça a avaliação de que o setor continua sujeito à desaceleração do consumo e ao encarecimento do crédito.
Varejo ampliado registra segunda alta consecutiva
O varejo ampliado avançou 0,4% em agosto, mantendo o movimento positivo pelo segundo mês consecutivo. A melhora, entretanto, ainda não foi suficiente para compensar integralmente a queda registrada em junho.
Na comparação anual, o índice ampliado apresentou retração de 2%. O resultado indica que, embora determinados segmentos tenham demonstrado resiliência, a atividade comercial permanece abaixo do nível observado no mesmo período do ano anterior.
O desempenho foi sustentado principalmente pelos materiais de construção, com crescimento mensal de 2,4%, e pelo segmento de automóveis, partes e peças, que avançou 1,5%.
Essas atividades integram o varejo ampliado e ajudam a explicar a diferença em relação ao resultado negativo do índice restrito.
Varejo restrito cai 0,4% e acumula forte retração anual
Em direção oposta, o IGet do varejo restrito recuou 0,4% na comparação mensal. Em relação a agosto do ano anterior, a queda chegou a 10,1%, evidenciando um ambiente mais desafiador para os segmentos diretamente ligados às despesas cotidianas das famílias.
Entre as atividades que apresentaram retração em agosto estão:
- Outros artigos de uso pessoal: queda de 5,9%;
- Móveis e eletrodomésticos: recuo de 3,2%;
- Artigos farmacêuticos: baixa de 0,9%;
- Supermercados: redução de 0,8%.
O resultado negativo de móveis e eletrodomésticos reflete a maior sensibilidade desse segmento às condições de crédito. Como as compras frequentemente envolvem financiamento ou parcelamento, taxas de juros elevadas tendem a reduzir a disposição das famílias para adquirir bens de maior valor.
Vestuário e combustíveis avançam no mês
Apesar do desempenho negativo de parte do varejo restrito, alguns segmentos registraram crescimento. O destaque foi o comércio de vestuário, que avançou 5,2% em agosto.
O indicador de combustíveis também apresentou resultado positivo, com alta de 1,1% na comparação mensal. O movimento ajudou a limitar uma retração mais acentuada do índice restrito, mas não compensou as perdas registradas em outras atividades.
A diferença entre os segmentos mostra que a recuperação do comércio ainda ocorre de maneira irregular, com resultados influenciados pelo nível de renda, pelas condições de financiamento e pelas prioridades de consumo das famílias.
Juros elevados continuam pressionando atividade econômica
A leitura do IGet aponta que a política monetária restritiva permanece como uma das principais limitações ao crescimento da atividade. O custo elevado do crédito afeta investimentos, compras parceladas e despesas consideradas adiáveis pelos consumidores.
Ao mesmo tempo, os estímulos fiscais iniciados no primeiro trimestre de 2026 começam a perder intensidade. A combinação entre menor impulso das despesas públicas, crédito mais caro e desaceleração do consumo deve exercer pressão adicional sobre os serviços e o varejo nos próximos meses.
Mesmo com a alta de agosto, os indicadores acumulados em 12 meses ainda revelam fragilidade. A expectativa é de que a economia brasileira perca ritmo durante o segundo semestre, especialmente nos setores mais dependentes do consumo das famílias.
Recuperação permanece concentrada e desigual
Os números de agosto indicam melhora pontual, mas ainda não configuram uma retomada disseminada da atividade econômica. Serviços ligados a alojamento, alimentação e lazer apresentaram reação, enquanto segmentos relevantes do comércio continuaram em queda.
O varejo ampliado demonstrou maior resistência devido ao desempenho de materiais de construção e veículos. Já o varejo restrito permaneceu pressionado, principalmente pela retração nas vendas de móveis, eletrodomésticos e artigos de uso pessoal.
Esse cenário reforça a perspectiva de crescimento mais moderado no segundo semestre de 2026, com a evolução da atividade condicionada ao comportamento dos juros, do crédito, da renda e da confiança dos consumidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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