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Arroz

Exportações de arroz disparam mais de 80% em 2026, reduzem oferta interna e impulsionam recuperação dos preços

Alta dos embarques melhora a liquidez dos produtores, fortalece a balança comercial e pode levar o Brasil a exportar cerca de 2 milhões de toneladas de arroz neste ano.


Publicado em: 16/07/2026 às 10:50hs

Exportações de arroz disparam mais de 80% em 2026, reduzem oferta interna e impulsionam recuperação dos preços

As exportações brasileiras de arroz ganharam força em 2026 e passaram a desempenhar papel decisivo no equilíbrio do mercado interno. Com crescimento superior a 80% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado, os embarques reduziram a pressão de oferta, aumentaram a liquidez dos produtores e iniciaram um movimento de recuperação dos preços pagos pela saca.

A avaliação é do presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, que destaca o mercado externo como um dos principais fatores para o fortalecimento da cadeia produtiva do arroz neste ano.

Exportações fortalecem mercado e reduzem excesso de oferta

Segundo a Federarroz, o forte avanço das vendas externas permitiu que parte significativa da produção fosse direcionada ao mercado internacional, reduzindo o excedente disponível no mercado doméstico.

Esse cenário favoreceu a comercialização da safra, melhorou o fluxo de caixa dos produtores e contribuiu para uma recuperação gradual das cotações, após um período de forte pressão sobre os preços.

Além do crescimento dos embarques, mecanismos de apoio ao escoamento da produção também contribuíram para ampliar a remuneração recebida pelos arrozeiros.

Receita das exportações recua com queda dos preços internacionais

Embora o volume exportado tenha registrado um dos melhores desempenhos da história recente do setor, a receita cambial não acompanhou esse crescimento.

De acordo com Denis Dias Nunes, a redução dos preços internacionais limitou o faturamento das exportações.

Enquanto os primeiros contratos fechados em 2025 superavam R$ 90 por saca, neste ano os negócios ocorreram, em média, na faixa de R$ 60 por saca, representando uma queda próxima de um terço no valor negociado.

Mesmo assim, o aumento expressivo do volume embarcado compensou parte desse impacto ao garantir maior liquidez para a produção nacional.

Venezuela amplia participação entre os compradores de arroz brasileiro

Entre os destinos das exportações, os principais mercados permaneceram relativamente estáveis ao longo do semestre.

O destaque ficou para a Venezuela, que ampliou sua participação nas compras de arroz em casca produzido no Brasil.

Segundo a Federarroz, havia preocupação de que mudanças no cenário político venezuelano pudessem comprometer o fluxo comercial, mas essa expectativa não se confirmou. Pelo contrário, o mercado apresentou maior estabilidade e segurança para a realização de novos negócios.

Superávit comercial reforça perspectivas para o setor

Outro indicador positivo foi o desempenho da balança comercial do arroz.

No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou um superávit de aproximadamente 400 mil toneladas, resultado que evidencia o avanço das exportações sobre as importações.

A expectativa da Federarroz é de que o país alcance cerca de 2 milhões de toneladas exportadas até o fim de 2026, consolidando um dos maiores saldos comerciais da história recente do setor orizícola.

Preço do arroz tende a continuar em recuperação

Para a entidade, os efeitos positivos das exportações já começam a ser percebidos no mercado doméstico.

Com menor disponibilidade de produto e maior equilíbrio entre oferta e demanda, os preços iniciaram um movimento de valorização, tendência que poderá se intensificar ao longo do segundo semestre.

O avanço das cotações dependerá também do comportamento da produção mundial, especialmente da safra dos Estados Unidos e dos países asiáticos, importantes formadores da oferta global de arroz.

Perspectivas para o mercado de arroz em 2026

A combinação entre exportações aquecidas, redução da oferta interna e recuperação gradual dos preços cria um cenário mais favorável para os produtores brasileiros.

Se as condições climáticas nos principais países produtores permanecerem desafiadoras e o ritmo das exportações brasileiras continuar elevado, o mercado tende a manter viés positivo até o encerramento da safra 2026, fortalecendo a renda do produtor e a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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