Preço do algodão reage no Brasil com oferta restrita e mercado acompanha demanda para nova safra
Cotações da pluma apresentam recuperação pontual diante da menor disponibilidade interna, enquanto Mato Grosso projeta redução dos estoques finais e mantém exportações como principal vetor da demanda.
Publicado em: 07/08/2026 às 17:30hs
O mercado brasileiro de algodão registrou uma semana de baixa movimentação, marcada pela cautela dos compradores e pela expectativa de maior entrada da nova safra. Apesar do ritmo lento dos negócios, os preços apresentaram reação pontual nos últimos dias, sustentados pela oferta interna mais restrita e por compras específicas da indústria para reposição de estoques.
Segundo levantamento da Safras Consultoria, as cotações oscilaram entre estabilidade e pequenas quedas ao longo da semana, mas voltaram a ganhar força na quinta-feira (6), refletindo a necessidade imediata de abastecimento de alguns compradores.
Preço do algodão sobe no mercado paulista e em Mato Grosso
O algodão colocado na indústria paulista foi indicado próximo de R$ 4,18 por libra-peso, equivalente a aproximadamente R$ 138,23 por arroba.
Na comparação com a quinta-feira anterior, dia 30, quando a pluma era negociada a R$ 4,15 por libra-peso ou R$ 137,24 por arroba, houve valorização semanal de 0,72%.
No mercado mato-grossense, importante polo produtor e exportador nacional, o algodão comercializado em Rondonópolis (MT) alcançou cerca de R$ 132,87 por arroba, equivalente a R$ 3,86 por libra-peso, representando avanço de R$ 1,18 por arroba em relação à semana anterior.
O movimento confirma a influência da menor disponibilidade imediata de pluma sobre as negociações, enquanto produtores e compradores aguardam uma definição mais clara sobre o ritmo de oferta da próxima temporada.
Demanda brasileira segue sustentada pelas exportações
No Mato Grosso, dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que a demanda pela safra 2024/25 permanece estimada em 2,75 milhões de toneladas de algodão, volume 12,69% superior ao registrado na temporada 2023/24.
O crescimento está diretamente relacionado ao forte desempenho das exportações brasileiras de algodão, que seguem como principal destino da produção estadual.
A expectativa é de que, até o encerramento do ciclo comercial da safra, em julho de 2026, os embarques totalizem aproximadamente 2,09 milhões de toneladas.
Com esse cenário, os estoques finais da safra 2024/25 são projetados em 842,33 mil toneladas. Desse volume, cerca de 97,25% já possuem comercialização definida, embora os embarques devam ocorrer ao longo do ciclo comercial de 2025/26.
Safra 2025/26 deve ter menor oferta e redução dos estoques
Para a temporada 2025/26, o Imea manteve a estimativa de demanda em 2,73 milhões de toneladas, retração de 0,62% frente ao ciclo anterior.
A redução está associada principalmente à expectativa de menor volume destinado a outros estados e ao mercado internacional, reflexo da projeção de queda na oferta de algodão em pluma.
A produção da safra 2025/26 é estimada com redução de 2,24% em comparação com a temporada anterior, fator que deve limitar a disponibilidade do produto ao longo do ciclo.
Como consequência, os estoques finais devem apresentar queda de 7,55% em relação à safra 2024/25.
Ao final da temporada, a expectativa é que aproximadamente 20,65 mil toneladas permaneçam disponíveis sem negociação.
Mercado de algodão acompanha nova safra e cenário internacional
O setor segue atento ao avanço da colheita, ao comportamento das exportações e à evolução da demanda da indústria têxtil.
Com estoques mais ajustados e menor oferta projetada para a próxima temporada, o mercado brasileiro de algodão tende a permanecer equilibrado entre a necessidade de reposição dos compradores e a estratégia dos produtores em relação ao ritmo de comercialização.
A expectativa é que a entrada gradual da nova safra aumente a liquidez dos negócios, mas sem eliminar totalmente a sustentação dos preços, especialmente diante da importância do Brasil no comércio internacional da fibra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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