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Algodão

Novas cultivares de algodão da Embrapa alcançam 7,6 toneladas por hectare e ampliam resistência a doenças

BRS 510 B2RF e BRS 810 B3RF combinam alta produtividade, proteção contra lagartas, tolerância a herbicida e resistência a nematoides e à mancha de ramulária


Publicado em: 24/09/2026 às 18:00hs

Novas cultivares de algodão da Embrapa alcançam 7,6 toneladas por hectare e ampliam resistência a doenças
Foto: Nelson Suassuna

Duas novas cultivares de algodão desenvolvidas pela Embrapa chegam ao mercado com foco em produtividade, qualidade da fibra e maior segurança fitossanitária. A BRS 510 B2RF e a BRS 810 B3RF apresentam resistência múltipla às principais doenças da cultura, incorporam biotecnologia contra lagartas e possuem tolerância ao herbicida glifosato.

Os materiais também se destacam pelo desempenho produtivo. A BRS 510 B2RF pode alcançar cerca de 7,6 toneladas por hectare na primeira safra e superar 5,3 toneladas por hectare na segunda. Já a BRS 810 B3RF registra aproximadamente 7,3 toneladas por hectare na primeira safra e 5,2 toneladas por hectare na segunda.

As sementes das novas cultivares são comercializadas pela Lyntera, empresa parceira da Embrapa. Os materiais serão apresentados aos produtores durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, programado para ocorrer entre 22 e 24 de setembro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Biotecnologia amplia proteção das lavouras de algodão

As duas cultivares são transgênicas e utilizam tecnologias desenvolvidas pela Bayer para controlar as principais lagartas do algodoeiro e facilitar o manejo de plantas daninhas.

A BRS 510 incorpora a tecnologia Bollgard 2 RRFlex, identificada pela sigla B2RF. A BRS 810 utiliza a Bollgard 3 RRFlex, ou B3RF, que adiciona outro mecanismo de ação e amplia a proteção contra lagartas. Ambas possuem tolerância ao glifosato.

De acordo com Camilo Morello, pesquisador e coordenador do programa de melhoramento genético do algodoeiro da Embrapa Algodão, as cultivares podem contribuir para reduzir perdas provocadas por nematoides, melhorar o controle de lagartas e facilitar o manejo das plantas daninhas.

Os materiais também oferecem resistência a doenças relevantes para a cotonicultura, como mancha de ramulária, bacteriose, mancha-angular e doença-azul. Esse conjunto de características pode diminuir os riscos produtivos e, potencialmente, reduzir gastos com defensivos.

Resistência à ramulária pode reduzir riscos produtivos

A BRS 510 B2RF e a BRS 810 B3RF são resistentes ao nematoide das galhas, causado por Meloidogyne incognita. O parasita compromete o sistema radicular, prejudica o desenvolvimento das plantas e pode provocar perdas de até 50% na produtividade dos algodoais.

Outro diferencial é a resistência à mancha de ramulária, causada pelo fungo Ramulariopsis pseudoglycines. Presente nas principais regiões produtoras de algodão do Brasil, a doença pode reduzir a produtividade entre 25% e 35% em condições normais. Em situações de alta severidade, as perdas podem superar 70%.

Segundo Nelson Suassuna, fitopatologista da Embrapa Algodão e um dos responsáveis pelo desenvolvimento dos materiais, a ramulária ocorre em todas as regiões produtoras brasileiras e é a doença que mais exige aplicações de fungicidas no algodoeiro, com oito a dez intervenções por safra.

As novas cultivares também apresentam adaptação a solos arenosos, característica importante para sistemas produtivos implantados em diferentes condições do Cerrado.

BRS 510 B2RF é indicada para áreas com pressão de nematoides

Além da resistência ao nematoide das galhas, a BRS 510 B2RF também é resistente ao nematoide reniforme, causado por Rotylenchulus reniformis. Em áreas com alta infestação, esse organismo pode provocar perdas superiores a 60% na produtividade do algodão.

A cultivar é indicada para lavouras comerciais de alto rendimento, inclusive em propriedades com histórico de ocorrência de nematoides e doenças. Sua recomendação abrange Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Tocantins e Paraná.

O potencial produtivo chega a aproximadamente 7,6 toneladas por hectare na primeira safra. Na segunda safra, o rendimento pode superar 5,3 toneladas por hectare.

BRS 810 B3RF combina estabilidade e qualidade da fibra

A BRS 810 B3RF tem como principais diferenciais a estabilidade produtiva e a qualidade da fibra, com características que superam as exigências da indústria têxtil. A cultivar também é resistente à bacteriose, à doença-azul, à mancha de ramulária e ao nematoide das galhas.

O rendimento chega a cerca de 7,3 toneladas por hectare na primeira safra e a 5,2 toneladas por hectare na segunda.

A cultivar é recomendada para o plantio em primeira safra ou na abertura da segunda safra no Cerrado. Também pode ser cultivada em regiões consideradas aptas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o Zarc.

A indicação contempla Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Tocantins, Minas Gerais e Paraná. O material também pode ser utilizado em sistemas irrigados no Semiárido.

Cultivares fortalecem manejo integrado do algodoeiro

A resistência genética representa uma ferramenta adicional para o manejo de doenças e nematoides, especialmente em áreas do Cerrado com elevada pressão fitossanitária, como partes do oeste da Bahia e de Mato Grosso.

A Embrapa ressalta, entretanto, que a adoção de cultivares resistentes deve integrar um conjunto mais amplo de práticas. Entre as medidas recomendadas estão a rotação com plantas não hospedeiras, o uso de nematicidas e fungicidas químicos ou biológicos e a higienização de máquinas e equipamentos agrícolas.

A limpeza do maquinário é particularmente importante para impedir que solos contaminados por nematoides sejam transportados para áreas ainda livres da infestação.

Comercialização das sementes

As sementes da BRS 510 B2RF e da BRS 810 B3RF já estão disponíveis por meio da Lyntera, localizada na BR-020, km 6, Setor Industrial, em Formosa, Goiás.

O atendimento pode ser realizado pelo telefone (61) 99937-4526 ou pelo e-mail contato@lyntera.com.br.

Fonte: Portal do Agronegócio

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