Doenças no algodão avançam no Cerrado e exigem manejo integrado para proteger produtividade
Temperatura, umidade e chuvas favorecem a pressão de patógenos nas lavouras de algodão, aumentando a importância do monitoramento, da rotação de mecanismos de ação e do uso de tecnologias biológicas
Publicado em: 13/08/2026 às 15:00hs
O cultivo do algodão no Cerrado brasileiro enfrenta uma crescente pressão fitossanitária ao longo do ciclo produtivo. As condições climáticas predominantes na região, com altas temperaturas, períodos de elevada umidade e ocorrência de chuvas, criam um ambiente favorável ao desenvolvimento de doenças que podem comprometer a sanidade das plantas e reduzir o potencial produtivo das lavouras.
Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores estão doenças como ramulária, mancha-alvo, mofo-branco, mancha de alternária, mancha de ascóquita e mancha de mirotécio, além dos nematoides, considerados um dos fatores mais limitantes para a produtividade do algodoeiro.
Segundo especialistas, a combinação entre condições ambientais favoráveis, presença de inóculo e plantas suscetíveis aumenta significativamente o risco de infecção durante o ciclo da cultura.
“Entre as doenças de maior relevância para a cultura estão a ramulária, a mancha-alvo e, dependendo da região e das condições ambientais, doenças como mofo-branco, mancha de alternária, mancha de ascóquita e mancha de mirotécio. Além delas, os nematoides representam um dos principais desafios para a manutenção da sanidade e da produtividade das lavouras”, explica Jakeline Pinheiro da Silva, gerente de marketing regional da Biotrop.
Clima do Cerrado aumenta risco de doenças no algodoeiro
O avanço das doenças está diretamente relacionado às condições meteorológicas observadas durante o desenvolvimento da cultura. Períodos prolongados de molhamento foliar, associados à alta umidade relativa do ar e temperaturas favoráveis, criam condições ideais para a germinação de esporos e a colonização dos tecidos vegetais pelos patógenos.
“As condições ambientais têm influência direta sobre a dinâmica das doenças. Quando temos temperatura favorável associada à alta umidade e períodos prolongados de molhamento, diversos patógenos encontram condições adequadas para infectar e colonizar as plantas”, destaca Jakeline.
Além do clima, outros fatores agravam o cenário fitossanitário, como o uso repetitivo de fungicidas com o mesmo mecanismo de ação, que pode favorecer a seleção de populações de patógenos menos sensíveis aos produtos utilizados.
Por isso, especialistas reforçam a necessidade de adoção de estratégias como rotação de mecanismos de ação, associação de diferentes ferramentas de controle e aplicações realizadas no momento correto.
Manejo inadequado pode ampliar perdas nas lavouras
A eficiência do controle depende também do planejamento do manejo. Aplicações fora do período recomendado podem reduzir a proteção das plantas e permitir o avanço das doenças.
Outro ponto de atenção está relacionado aos sistemas produtivos com baixa diversificação de culturas, que podem favorecer a permanência de restos culturais e a manutenção de fontes de inóculo para as safras seguintes.
No caso dos nematoides, o problema é ainda mais complexo. Espécies como Meloidogyne incognita, Rotylenchulus reniformis e Pratylenchus brachyurus podem causar danos ao sistema radicular do algodoeiro, prejudicando a absorção de água e nutrientes e reduzindo o desenvolvimento das plantas.
Além das perdas diretas, os nematoides também podem aumentar a vulnerabilidade das plantas a outros patógenos.
Nematoides aumentam vulnerabilidade do algodão a doenças
Uma das associações mais preocupantes no algodoeiro envolve a interação entre nematoides e a fusariose, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum, responsável pela murcha de Fusarium.
De acordo com Jakeline, os danos provocados pelos nematoides no sistema radicular comprometem a capacidade de desenvolvimento das plantas e podem favorecer a entrada ou evolução de outros agentes causadores de doenças.
“O manejo de nematoides precisa fazer parte de uma estratégia integrada de sanidade da lavoura”, reforça a especialista.
Soluções biológicas ganham espaço no manejo do algodão
Diante do aumento da complexidade dos desafios fitossanitários, o uso de ferramentas biológicas vem se consolidando como uma alternativa para complementar os programas tradicionais de manejo.
Tecnologias como o Biomagno, voltado ao manejo de nematoides e proteção do sistema radicular, e o Bombardeiro, direcionado ao controle de doenças fúngicas, são exemplos de soluções que podem ser incorporadas aos programas fitossanitários do algodoeiro.
A adoção dessas ferramentas contribui para ampliar a diversidade das estratégias utilizadas no campo, reduzindo a dependência de uma única forma de controle e fortalecendo o conceito de manejo integrado de doenças.
Estresse hídrico também desafia produtividade do algodão
Além das doenças, o algodoeiro cultivado no Cerrado enfrenta períodos de estresse abiótico, principalmente em situações de déficit hídrico e temperaturas elevadas.
A fase inicial de desenvolvimento da cultura é considerada estratégica para a formação do potencial produtivo. Condições adversas nesse período podem comprometer o estabelecimento das plantas e afetar o rendimento final da lavoura.
“O estabelecimento inicial é uma etapa determinante para a construção do potencial produtivo”, afirma Jakeline.
Nesse contexto, tecnologias como o ativador microbiológico de plantas Bioasis Power, da Biotrop, podem auxiliar no desenvolvimento vegetal e radicular, contribuindo para maior tolerância das plantas diante de condições ambientais desfavoráveis.
Sanidade e produtividade dependem de estratégia integrada
Para especialistas, a construção de lavouras de algodão mais produtivas depende de um conjunto de práticas associadas, envolvendo escolha adequada de cultivares, monitoramento constante, rotação de culturas, manejo de nematoides e doenças, além da integração de diferentes tecnologias.
“Produtividade e sanidade caminham juntas. O manejo integrado é fundamental para a construção de lavouras mais saudáveis e produtivas”, conclui Jakeline.
O cenário reforça que, no Cerrado brasileiro, o sucesso da produção de algodão passa cada vez mais pela antecipação dos riscos, pelo acompanhamento técnico contínuo e pela combinação de ferramentas químicas, biológicas e culturais dentro de um planejamento estratégico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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