Preço do algodão melhora, mas safra já vendida limita ganho do produtor, diz Abrapa
Presidente da entidade afirma que cotonicultores negociam com antecedência e avaliam o preço médio da pluma; fertilizantes mais caros também entram na conta para 2026/27
Publicado em: 25/09/2026 às 11:25hs
A recente alta do preço do algodão não se traduz integralmente em ganho para o produtor brasileiro. Quando as cotações começaram a subir, cerca de 70% da safra 2025/26 já havia sido comercializada, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Viganó Piccoli.
Em entrevista à Agência Safras durante o Congresso Brasileiro de Algodão (CBA), Piccoli explicou que o cotonicultor avalia o preço médio obtido ao longo das vendas, e não apenas a cotação atual da pluma. Com a maior parte da produção negociada antes da valorização, a alta ajudou a melhorar essa média, mas alcançou uma parcela menor da safra.
Comercialização antecipada marca planejamento da safra 2026/27
A estratégia de vendas antecipadas já se estende ao próximo ciclo. De acordo com Piccoli, aproximadamente 40% da safra 2026/27 de algodão está negociada.
A Abrapa projeta crescimento de 8% na área plantada em 2026/27, após uma redução estimada entre 6% e 8% na temporada 2025/26. Se confirmada, a expansão levará o cultivo de volta a um patamar próximo ao registrado em 2024/25, segundo o dirigente.
Fertilizantes e petróleo pressionam custos de produção
A recuperação prevista para a área ocorre em meio à preocupação com as despesas da próxima safra. Piccoli aponta preços mais elevados de fertilizantes fosfatados e nitrogenados e alerta para o possível efeito do petróleo sobre os custos de colheita.
Por isso, a cotação mais favorável da pluma é apenas uma parte do cálculo econômico do produtor. O resultado da safra também dependerá dos preços efetivamente obtidos nas vendas e da evolução dos custos de produção.
Abrapa defende estímulo à indústria têxtil brasileira
O consumo doméstico é outra preocupação da entidade. Segundo Piccoli, o mercado interno absorve cerca de 20% da produção brasileira de algodão, enquanto os outros 80% seguem para exportação. A demanda nacional, afirma, está estagnada em aproximadamente 700 mil toneladas.
Para ampliar o uso da fibra no país, a Abrapa defende uma política industrial voltada ao setor têxtil. Piccoli disse que a entidade atua em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) para levar essa demanda ao governo e fortalecer a indústria nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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