El Niño pode aumentar pressão da mosca-branca na soja e elevar risco para lavouras do Matopiba
Calor e períodos de menor disponibilidade hídrica podem favorecer a multiplicação de Bemisia tabaci; monitoramento e manejo integrado ganham importância na safra 2026/27
Publicado em: 25/09/2026 às 07:30hs
A influência do El Niño sobre o clima no Matopiba pode aumentar a pressão da mosca-branca (Bemisia tabaci) sobre a soja e outras culturas durante a safra 2026/27. O alerta é da equipe técnica da Sipcam Nichino Brasil, que recomenda atenção redobrada ao monitoramento das lavouras diante da possibilidade de períodos mais quentes e secos.
A praga está entre os principais insetos de importância agrícola e também pode atingir culturas como algodão, tomate e feijão. Segundo Eric Ono, engenheiro agrônomo e gerente de portfólio de produtos e cultivos extensivos da empresa, os danos provocados pela mosca-branca podem ser expressivos.
“Trata-se de uma das principais pragas do país, com alto potencial para ocasionar danos de 20% a 100% em uma área”, afirma Ono.
Calor e seca podem favorecer a mosca-branca
De acordo com a equipe técnica, condições de calor e déficit hídrico podem favorecer o desenvolvimento e a multiplicação da mosca-branca.
No Matopiba, região que reúne áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a atenção ao comportamento climático ganha importância diante das projeções relacionadas ao El Niño.
A Bemisia tabaci é um inseto sugador que se alimenta da seiva das plantas. Ao retirar nutrientes de forma contínua, pode comprometer o desenvolvimento das culturas e aumentar os prejuízos ao produtor.
Na soja, a alimentação da praga provoca redução de nutrientes nas folhas e pode contribuir para a desfolha precoce.
Fumagina reduz capacidade de fotossíntese
Os impactos da mosca-branca não se limitam à sucção da seiva.
O inseto também deposita sobre as folhas uma substância açucarada, conhecida como honeydew, que favorece o desenvolvimento da fumagina, um fungo que forma uma camada sobre a superfície foliar.
Esse revestimento pode prejudicar a fotossíntese, reduzindo a capacidade da planta de produzir e utilizar fotoassimilados.
Em determinadas situações e em cultivares suscetíveis, a mosca-branca também pode atuar como vetor de vírus, ampliando os impactos sobre o desenvolvimento das plantas e o potencial produtivo da lavoura.
Monitoramento deve começar antes do aumento da infestação
Com a possibilidade de condições climáticas favoráveis à praga, o monitoramento da lavoura ganha papel central no manejo.
A identificação precoce da presença de adultos e ninfas permite avaliar a evolução da população e definir estratégias de controle de acordo com a situação encontrada no campo.
A atenção ao estágio de desenvolvimento do inseto é especialmente importante porque diferentes fases da Bemisia tabaci apresentam características distintas e podem exigir estratégias específicas de manejo.
Ninfas são foco importante no controle
Segundo Eric Ono, a fase de ninfa deve receber atenção especial durante o manejo da mosca-branca na soja.
As ninfas permanecem principalmente na parte inferior das folhas e apresentam pouca mobilidade. Nessa fase, continuam sugando a seiva da planta e retirando nutrientes e fotoassimilados.
A equipe técnica da Sipcam Nichino destaca a necessidade de considerar o ciclo completo da praga nas estratégias de controle, evitando que o manejo se concentre exclusivamente nos insetos adultos.
Inseticida atua sobre diferentes fases do ciclo
Entre as soluções apresentadas pela Sipcam Nichino para o manejo da mosca-branca está o Fiera®, inseticida de tecnologia japonesa que também possui indicação para o controle da cigarrinha-do-milho.
Segundo a empresa, o produto apresenta ação sobre a fase de ninfa e também efeitos sobre adultos, incluindo aspectos relacionados à fecundidade e fertilidade das fêmeas.
De acordo com Ono, a estratégia busca interferir na continuidade do ciclo da praga.
“O inseticida conta com uma característica única: o controle eficaz da fase ‘ninfa’ da mosca-branca, além de agir sobre adultos, na fecundidade e fertilidade de fêmeas da praga”, afirma.
A empresa informa que o produto atua como regulador de crescimento de insetos. Segundo a companhia, a ação sobre as ninfas ocorre durante a troca de instar, contribuindo para interromper o desenvolvimento de novas populações.
Manejo deve considerar todo o ciclo da Bemisia tabaci
Conforme as informações técnicas da Sipcam Nichino, o Fiera® apresenta ação de vapor e contato e pode afetar diferentes fases do ciclo da mosca-branca — ovo, ninfa, pupa e adulto — por mecanismos diretos ou indiretos.
A estratégia descrita pela empresa busca reduzir a formação de novas gerações da praga, especialmente quando associada a produtos com ação sobre adultos.
Na prática, o manejo deve considerar o momento de aplicação, o nível de infestação, o estágio da cultura e as demais estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP) recomendadas para a cultura.
Produto tem registro para soja e outras culturas
De acordo com a Sipcam Nichino Brasil, o Fiera® tem como ingrediente ativo buprofezina 250, em formulação líquida do tipo SC.
A empresa informa que o produto possui registro para controle de insetos sugadores e transmissores de patógenos em soja e mais de 30 culturas, incluindo algodão, citros, feijão, milheto, sorgo e tomate.
Para o produtor, a possibilidade de aumento da pressão da mosca-branca reforça a importância de acompanhar a lavoura desde as primeiras fases do ciclo, principalmente em períodos de calor e menor disponibilidade de água.
Safra 2026/27 exige atenção redobrada no Matopiba
A combinação entre condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da praga, presença de hospedeiros e capacidade de transmissão de patógenos torna a mosca-branca uma ameaça relevante para a soja e outras culturas.
No cenário projetado para a safra 2026/27, o monitoramento frequente e a identificação das diferentes fases do inseto podem ajudar o produtor a tomar decisões mais rápidas e direcionadas.
A recomendação técnica é integrar monitoramento, identificação correta da praga, manejo adequado e uso responsável de inseticidas, sempre conforme as recomendações agronômicas e os registros dos produtos para cada cultura.
Com a possibilidade de maior pressão da Bemisia tabaci em condições de calor e seca, antecipar a identificação da praga pode ser decisivo para evitar que a infestação avance e comprometa o potencial produtivo das lavouras do Matopiba.
Fonte: Portal do Agronegócio
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