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Algodão

Mercado de algodão perde ritmo e custos apertam margem da safra 2026/27 em Mato Grosso

Preços da pluma recuaram no mercado doméstico, enquanto o custo total da produção alcançou R$ 18,7 mil por hectare; valor médio negociado cobre despesas operacionais, mas ainda não garante rentabilidade plena ao cotonicultor


Publicado em: 25/09/2026 às 14:30hs

Mercado de algodão perde ritmo e custos apertam margem da safra 2026/27 em Mato Grosso

A comercialização de algodão perdeu ritmo no mercado brasileiro, pressionada pela demanda cautelosa da indústria e pela queda das cotações internacionais. Ao mesmo tempo, os elevados custos da safra 2026/27 mantêm as margens dos produtores de Mato Grosso sob pressão.

Segundo a Safras Consultoria, algumas tradings demonstraram interesse por algodão disponível, enquanto outras concentraram as negociações em contratos para entrega da nova safra. No mercado interno, as indústrias compraram apenas os volumes necessários para atender às demandas mais imediatas.

Preço do algodão recua em São Paulo e Mato Grosso

As cotações domésticas acompanharam o movimento negativo dos contratos futuros negociados na Bolsa de Nova York.

Na quinta-feira (24), o algodão entregue à indústria paulista foi indicado a R$ 4,22 por libra-peso. O valor representa queda de 1,63% diante dos R$ 4,29 por libra-peso registrados uma semana antes.

Em Rondonópolis (MT), a pluma foi cotada a R$ 134,65 por arroba, equivalente a R$ 4,07 por libra-peso. Na semana anterior, o produto estava indicado a R$ 138,04 por arroba, ou R$ 4,17 por libra-peso.

Com isso, o algodão acumulou desvalorização semanal de R$ 3,39 por arroba na praça mato-grossense.

Custo total do algodão chega a R$ 18,7 mil por hectare

Além da retração dos preços, o cotonicultor enfrenta uma estrutura de custos elevada para a safra 2026/27. Dados do projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que o custeio da lavoura foi estimado em R$ 10.617,82 por hectare em agosto.

Apesar da redução mensal de 0,11% no custeio, o Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,13%, alcançando R$ 15.250,61 por hectare. A elevação foi influenciada principalmente pelas despesas com arrendamento, que cresceram 4,72% no período.

O Custo Operacional Total (COT) foi projetado em R$ 16.264,37 por hectare, alta de 0,25% em relação ao mês anterior. Já o Custo Total (CT) atingiu R$ 18.709,02 por hectare, com avanço mensal de 0,21%.

Algodão precisa atingir R$ 147,47 por arroba para cobrir custo total

Considerando a produtividade média das últimas três temporadas, de 126,86 arrobas de pluma por hectare, o Imea calculou os preços mínimos necessários para equilibrar as contas da atividade:

  • R$ 120,06 por arroba para cobrir o Custo Operacional Efetivo;
  • R$ 128,20 por arroba para pagar o Custo Operacional Total;
  • R$ 147,47 por arroba para remunerar o Custo Total.

Até agosto, o preço médio ponderado das vendas antecipadas da safra 2026/27 estava em R$ 129,67 por arroba. Esse patamar supera os pontos de equilíbrio do COE e do COT, mas permanece R$ 17,80 por arroba abaixo do valor necessário para cobrir integralmente o custo total.

Rentabilidade do cotonicultor continua pressionada

Os números mostram que a comercialização realizada até agosto permite pagar as despesas operacionais da safra, mas oferece margem limitada ao produtor. Quando são considerados todos os componentes do custo de produção, incluindo depreciação e remuneração dos fatores produtivos, o resultado ainda é insuficiente.

A combinação de baixa liquidez, recuo das cotações e despesas elevadas reforça a necessidade de planejamento comercial e controle rigoroso dos custos. O comportamento dos preços internacionais, da demanda das indústrias e dos gastos com arrendamento e insumos será determinante para a rentabilidade do algodão na safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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