Colheita de algodão em Mato Grosso chega a 88,66% e deve terminar na primeira quinzena de setembro
Tempo seco acelera operações nas lavouras, mas previsão de chuvas pontuais aumenta preocupação com a qualidade da fibra na reta final da safra 2025/26
Publicado em: 01/09/2026 às 11:00hs
A colheita de algodão em Mato Grosso alcançou 88,66% da área prevista para a safra 2025/26 até sexta-feira (28), segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com avanço de 19,14 pontos percentuais em uma semana, os trabalhos poderão ser concluídos na primeira quinzena de setembro.
O ritmo está acima do registrado em temporadas anteriores. O percentual colhido supera em 12 pontos percentuais o observado no mesmo período da safra passada e está 3,03 pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos.
Segundo o Imea, a predominância de tempo seco e a ausência de chuvas nas principais regiões produtoras favoreceram a entrada das máquinas nas lavouras e permitiram acelerar as operações durante a última semana de agosto.
“Se continuar nesse ritmo, a colheita tende a se encerrar na primeira quinzena de setembro”, afirmou a analista de algodão do Imea, Cintia Teixeira.
Tempo seco favorece avanço da colheita
As condições climáticas observadas nas últimas semanas contribuíram para o rápido progresso dos trabalhos em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de algodão.
O tempo firme facilita a circulação das colheitadeiras e reduz a exposição da pluma à umidade. Essa condição é importante para preservar características como cor, resistência, uniformidade e comprimento da fibra, fatores considerados na classificação e na comercialização do algodão.
A evolução semanal de 19,14 pontos percentuais mostra que os cotonicultores aproveitaram a janela de tempo seco para intensificar as atividades e reduzir a área ainda pendente.
Com pouco mais de 11% das lavouras por colher, a expectativa do setor está concentrada na manutenção das condições favoráveis durante o início de setembro.
Chuvas podem afetar qualidade da fibra
Apesar do cenário positivo, previsões meteorológicas indicam a possibilidade de chuvas pontuais em algumas regiões de Mato Grosso nas próximas semanas.
Caso as precipitações se confirmem, os trabalhos poderão perder ritmo. A umidade também pode comprometer a qualidade da fibra que permanece no campo, principalmente nas áreas em fase final de maturação ou prontas para a colheita.
O impacto dependerá do volume, da intensidade e da distribuição das chuvas. Precipitações rápidas e isoladas tendem a provocar efeitos mais limitados, enquanto períodos prolongados de umidade podem atrasar as operações e prejudicar a qualidade comercial do algodão.
Por isso, os produtores acompanham as previsões meteorológicas e buscam aproveitar os períodos de tempo firme para concluir a retirada da produção.
Área de algodão recua 11% em Mato Grosso
A área destinada ao algodão em Mato Grosso na safra 2025/26 está estimada em 1,38 milhão de hectares. O número representa uma redução aproximada de 11% em relação à temporada 2024/25.
Segundo Cintia Teixeira, a retração está relacionada principalmente aos custos elevados de produção e aos preços menos atrativos da fibra, fatores que levaram os produtores a adotar maior cautela na definição da área plantada.
“Essa redução está atrelada, principalmente, aos elevados custos de produção e aos preços menos atrativos, o que fez com que os produtores tomassem uma decisão mais cautelosa quanto à área que iriam cultivar na temporada”, explicou a analista.
A cotonicultura exige investimentos elevados em sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, mão de obra e beneficiamento. Em um cenário de margens mais estreitas, a combinação entre despesas crescentes e cotações pressionadas aumenta os riscos financeiros da atividade.
Produção pode atingir 6,51 milhões de toneladas
A estimativa atual para a produção de algodão em Mato Grosso na safra 2025/26 é de 6,51 milhões de toneladas. O volume ainda poderá passar por revisão com a atualização dos dados de produtividade e oferta.
O Imea deverá divulgar na segunda-feira (31) um novo Relatório de Oferta e Demanda do algodão, com informações atualizadas sobre área, produção, consumo e disponibilidade do produto.
A revisão será acompanhada com atenção pelo mercado, especialmente após a redução da área cultivada e diante dos resultados observados durante a colheita.
Mesmo com a retração anual no plantio, Mato Grosso mantém posição estratégica na cotonicultura brasileira. O desempenho das lavouras do Estado influencia diretamente a oferta nacional, o abastecimento da indústria têxtil e o volume disponível para exportação.
Reta final concentra atenção do mercado
A reta final da colheita será determinante para consolidar os resultados da safra 2025/26. Além do volume produzido, a qualidade da pluma deverá influenciar os preços recebidos e a competitividade do algodão mato-grossense nos mercados interno e externo.
Se o tempo seco continuar predominando, Mato Grosso poderá concluir os trabalhos na primeira metade de setembro, mantendo o avanço acima da média histórica.
A eventual ocorrência de chuvas, entretanto, adiciona incerteza ao encerramento do ciclo. O setor seguirá atento às condições climáticas, à qualidade da fibra e às novas projeções do Imea para a produção estadual de algodão.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias