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Algodão

Brasil bate recorde nas exportações de algodão e consolida liderança mundial

AgroInfo 2026, do Rabobank, aponta embarques inéditos de 3,4 milhões de toneladas, produção nacional próxima de 4 milhões e valorização da pluma diante da perspectiva de menor oferta global


Publicado em: 31/08/2026 às 10:45hs

Brasil bate recorde nas exportações de algodão e consolida liderança mundial

O Brasil ampliou seu protagonismo no mercado internacional de algodão ao alcançar um volume recorde de exportações e consolidar-se como o maior exportador mundial da fibra. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país embarcou 3,4 milhões de toneladas de algodão em pluma, marca inédita para a cotonicultura nacional.

O volume exportado cresceu 19% em relação à temporada anterior, impulsionado pela expansão da produção brasileira e pelas adversidades climáticas enfrentadas por importantes concorrentes no mercado internacional.

Os dados integram a edição de agosto do AgroInfo 2026, relatório elaborado pelo RaboResearch, área de inteligência e pesquisa do Rabobank. A análise aponta que o Brasil deverá permanecer em posição de destaque, sustentado por uma nova safra volumosa e pela perspectiva de redução da oferta mundial de algodão.

Exportações brasileiras de algodão atingem recorde histórico

O desempenho brasileiro no mercado externo reflete o crescimento contínuo da cotonicultura e os investimentos realizados em produtividade, qualidade, beneficiamento e logística.

Com 3,4 milhões de toneladas exportadas no ciclo comercial encerrado em julho, o Brasil superou em 19% o resultado da safra anterior. O avanço ocorreu em um momento no qual países concorrentes enfrentaram problemas climáticos e reduziram a quantidade disponível para exportação.

Essa combinação abriu espaço para a fibra brasileira ampliar sua participação nos principais mercados consumidores e consolidar o país na liderança mundial das exportações.

A manutenção desse protagonismo dependerá da capacidade de o setor preservar a qualidade da pluma, cumprir contratos e atender à demanda internacional em um ambiente de maior volatilidade.

Safra brasileira deve alcançar 4 milhões de toneladas

A produção nacional de algodão na safra 2025/26 está estimada em aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, volume próximo ao registrado no ciclo 2024/25, que marcou o maior resultado da história da cotonicultura brasileira.

Com a colheita avançando, as expectativas permanecem favoráveis. O tamanho da produção deverá assegurar oferta suficiente para abastecer tanto a indústria doméstica quanto os compradores internacionais.

A Bahia aparece entre os principais destaques da temporada e poderá registrar um novo recorde estadual de produção de algodão. O desempenho reforça a relevância do estado, ao lado de Mato Grosso, na expansão da atividade no país.

Embora a safra atual apresente resultados robustos, as atenções começam a se voltar para o ciclo 2026/27, especialmente diante dos possíveis efeitos de um El Niño forte sobre o calendário e o desenvolvimento das lavouras.

Menor oferta global favorece algodão brasileiro

No mercado internacional, as projeções apontam para uma redução da disponibilidade de algodão. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, China e Austrália deverão colher volumes menores devido a condições climáticas menos favoráveis.

A situação chinesa merece atenção especial porque o país ocupa simultaneamente as posições de maior produtor e consumidor mundial, além de figurar entre os principais importadores da fibra.

Com a queda esperada nesses importantes países produtores, a oferta global de algodão deverá recuar aproximadamente 4% em relação ao ciclo anterior. Os estoques mundiais podem diminuir cerca de 7%.

A menor disponibilidade internacional tende a ampliar a importância do Brasil como fornecedor regular de algodão. O cenário pode fortalecer as exportações nacionais, especialmente se outros concorrentes enfrentarem novas limitações produtivas.

Preço do algodão sobe 6% na Bolsa de Nova York

A perspectiva de uma oferta mundial mais restrita já começou a influenciar as cotações. Em agosto, os contratos futuros do algodão negociados na Bolsa de Nova York acumularam valorização de 6% frente a julho de 2026.

No mercado brasileiro, o movimento também foi positivo. Os preços da pluma em Mato Grosso avançaram 4% no mesmo período.

A recuperação das cotações trouxe maior sustentação ao mercado e estimulou os produtores a avançar na comercialização. A valorização também ajudou a melhorar o ambiente de negociação após períodos marcados por margens mais pressionadas e incertezas sobre a demanda mundial.

Apesar da reação, o comportamento dos preços continuará condicionado à evolução da safra no Hemisfério Norte, ao desempenho das exportações brasileiras e ao consumo da indústria têxtil.

Comercialização da safra de algodão ganha ritmo em Mato Grosso

Com a melhora dos preços, os cotonicultores aceleraram a venda da produção. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o Imea, mostram que a comercialização da safra 2025/26 alcançou 74% da produção estimada.

O percentual representa avanço de 8 pontos percentuais em relação ao mesmo período da temporada anterior.

Para a safra 2026/27, as vendas antecipadas chegaram a 32% da produção projetada, índice 10 pontos percentuais superior ao registrado na mesma época do ciclo passado.

O avanço demonstra que os produtores aproveitaram a reação das cotações para reduzir riscos e garantir parte da receita. A estratégia ganha importância diante da volatilidade cambial, dos custos de produção e das incertezas climáticas para o próximo ciclo.

El Niño aumenta atenção sobre a safra 2026/27

A possível ocorrência de um El Niño forte está entre os principais fatores de risco para a produção brasileira de algodão em 2026/27.

O fenômeno pode alterar a distribuição das chuvas e interferir no calendário agrícola, principalmente porque uma parcela significativa do algodão brasileiro é cultivada após a colheita da soja.

Eventuais atrasos no início da estação chuvosa podem postergar o plantio da oleaginosa e, consequentemente, reduzir ou deslocar a janela ideal para a implantação do algodão de segunda safra.

O impacto efetivo ainda dependerá da intensidade do fenômeno e de seus efeitos regionais. Por isso, o monitoramento das chuvas será decisivo para avaliar o potencial produtivo da próxima temporada.

Situação das lavouras nos Estados Unidos exige acompanhamento

As condições das lavouras norte-americanas estão abaixo das observadas no ano anterior. Mesmo assim, o Rabobank avalia que a taxa de abandono das áreas cultivadas poderá ser menor.

A melhora dos preços futuros em Nova York tende a incentivar os produtores dos Estados Unidos a manter as lavouras, mesmo diante das condições menos favoráveis.

O tamanho efetivo da produção norte-americana será determinante para o equilíbrio mundial. Uma recuperação da oferta poderá limitar as altas, enquanto novas perdas fortaleceriam os preços e ampliariam as oportunidades para o algodão brasileiro.

Demanda mundial ainda preocupa o mercado

O USDA projeta crescimento de 1,7% no consumo global de algodão, mas o RaboResearch adota uma avaliação mais cautelosa.

Para o banco, a demanda mundial pela fibra poderá permanecer praticamente estável, refletindo os desafios macroeconômicos que ainda limitam o consumo. Juros elevados, crescimento econômico moderado e menor poder de compra das famílias podem afetar a indústria têxtil e o varejo de vestuário.

Esse ambiente cria um contraponto à redução esperada da oferta. Embora estoques menores favoreçam os preços, uma recuperação limitada do consumo pode conter movimentos mais intensos de valorização.

Algodão brasileiro amplia espaço no mercado mundial

O cenário apresentado pelo AgroInfo 2026 reforça a posição estratégica do Brasil no comércio internacional de algodão. O recorde de 3,4 milhões de toneladas exportadas, a produção próxima de 4 milhões de toneladas e a redução projetada da oferta global criam condições favoráveis para a continuidade dos embarques.

Ao mesmo tempo, o setor deverá acompanhar os riscos relacionados ao El Niño, à produção dos Estados Unidos e à demanda da indústria têxtil mundial.

Comercialização antecipada, controle dos custos e gestão dos riscos climáticos e cambiais serão fundamentais para que os produtores aproveitem as oportunidades abertas pela menor disponibilidade global de pluma.

Fonte: Portal do Agronegócio

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