Área de algodão cai 4,1% no Brasil e colheita atrasada em Mato Grosso acende alerta para qualidade da fibra
Safra 2025/26 interrompe ciclo de expansão da cotonicultura nacional, enquanto atraso na colheita em Mato Grosso preocupa produtores e pode afetar a qualidade da pluma.
Publicado em: 30/07/2026 às 10:40hs
Cotonicultura brasileira inicia novo ciclo com menor área plantada e desafios na colheita
A safra brasileira de algodão 2025/26 marca uma mudança importante no cenário da cotonicultura nacional. Após anos consecutivos de expansão, a área cultivada recuou 4,1%, totalizando 2,12 milhões de hectares, enquanto a colheita em Mato Grosso avança em ritmo mais lento que a média histórica devido ao atraso provocado pelas chuvas de junho.
Os dados apresentados durante a etapa Algodão do Rally da Safra, em conjunto com informações do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que o setor segue sólido, mas enfrenta ajustes estratégicos nas áreas de cultivo e desafios operacionais que podem influenciar a qualidade da produção.
Área de algodão interrompe ciclo de crescimento no Brasil
Segundo análise do engenheiro agrônomo André Debastiani, da Agroconsult, a redução da área cultivada encerra um período de forte expansão da cultura.
Nos últimos anos, o algodão vinha registrando crescimento contínuo:
- Safra 2022/23: 1,69 milhão de hectares;
- Safra 2023/24: 1,97 milhão de hectares;
- Safra 2024/25: 2,21 milhões de hectares;
- Safra 2025/26: 2,12 milhões de hectares.
O recuo demonstra uma reorganização das estratégias produtivas adotadas pelos cotonicultores diante das condições de mercado e da rentabilidade das culturas concorrentes.
Mato Grosso concentra maior redução da área cultivada
A principal responsável pela retração nacional foi Mato Grosso, maior produtor brasileiro de algodão.
No estado, a área plantada passou de 1,57 milhão para 1,47 milhão de hectares, representando queda de 6,5%.
Segundo a Agroconsult, a mudança ocorreu principalmente porque muitos produtores optaram por ampliar o sistema de produção baseado na sucessão soja e milho, em detrimento do sistema soja e algodão.
A decisão foi influenciada pela competitividade econômica entre as culturas e pelas estratégias de ocupação do calendário agrícola.
Mesmo com a redução, Mato Grosso permanece como o principal polo produtor da fibra no Brasil.
Bahia mantém estabilidade e amplia produção irrigada
Na Bahia, segunda maior produtora nacional, a área cultivada permaneceu praticamente estável em 425 mil hectares.
Entretanto, houve uma importante transformação no perfil produtivo do estado.
A redução das lavouras de sequeiro foi compensada pelo avanço das áreas irrigadas, que atualmente já representam quase metade da produção baiana de algodão.
Esse movimento fortalece um modelo de produção com maior estabilidade e menor dependência das condições climáticas.
MAPITO amplia participação na cotonicultura
A região conhecida como MAPITO, formada por Maranhão, Piauí e Tocantins, também apresentou crescimento na safra 2025/26.
A área cultivada aumentou aproximadamente 10%, chegando a 90 mil hectares.
Embora ainda represente parcela menor da produção nacional, o avanço demonstra a expansão gradual da cotonicultura para novas fronteiras agrícolas.
Nas demais regiões produtoras brasileiras, a área permaneceu praticamente estável, somando cerca de 140 mil hectares.
O cenário evidencia que a retração nacional ficou concentrada principalmente em Mato Grosso, enquanto outras regiões mantiveram estabilidade ou ampliaram seus investimentos na cultura.
Colheita do algodão segue atrasada em Mato Grosso
Além da redução da área plantada, a safra enfrenta outro desafio importante.
Segundo o Imea, até 24 de julho, apenas 13,11% da área cultivada havia sido colhida em Mato Grosso.
Na última semana, os trabalhos avançaram 4,75 pontos percentuais, mas o ritmo permanece abaixo do registrado nos últimos anos.
O índice está 7,86 pontos percentuais inferior à média dos últimos cinco anos, refletindo o atraso causado pelas chuvas registradas em meados de junho.
O excesso de umidade retardou o início da colheita e alterou o cronograma das operações no campo.
Nordeste e Sudeste lideram avanço da colheita
Entre as regiões produtoras do estado, os trabalhos estão mais adiantados no:
- Nordeste de Mato Grosso: 46,80% da área colhida;
- Sudeste de Mato Grosso: 22,12% da área colhida.
Essas regiões concentram os maiores índices de retirada da fibra nesta fase da safra e devem continuar puxando o avanço dos trabalhos nas próximas semanas.
Chuvas não reduziram produtividade, mas preocupam pela qualidade da fibra
Embora as precipitações registradas durante junho não tenham provocado perdas significativas de produtividade, produtores relatam preocupação com a qualidade da pluma.
Segundo o Imea, o excesso de umidade durante parte do ciclo pode comprometer características importantes da fibra, fator que influencia diretamente a classificação do algodão e sua competitividade nos mercados nacional e internacional.
A qualidade da pluma é um dos principais diferenciais do algodão brasileiro e exerce forte impacto sobre preços e exportações.
Segunda safra deve acelerar ritmo da colheita
A expectativa do Imea é que a colheita ganhe velocidade nas próximas semanas.
Isso porque mais de 85% da área cultivada em Mato Grosso corresponde ao algodão de segunda safra, cujas lavouras entram agora na fase de retirada da fibra.
Com condições climáticas favoráveis, o avanço das máquinas deverá reduzir parte do atraso observado até o momento.
Mercado acompanha produção e qualidade da fibra
O desempenho da safra 2025/26 será acompanhado de perto por produtores, indústria têxtil e exportadores.
Apesar da redução da área cultivada, o Brasil continua entre os maiores produtores e exportadores mundiais de algodão, mantendo papel estratégico no abastecimento global da fibra.
Nos próximos meses, fatores como ritmo da colheita, qualidade da pluma, produtividade das lavouras e demanda internacional deverão definir o comportamento do mercado e as perspectivas para a comercialização da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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