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Algodão

Algodão sobe no Brasil mesmo com negócios pontuais, enquanto Bolsa de Nova York recua

Firmeza dos vendedores e demanda por pluma de melhor qualidade sustentam as cotações domésticas; no mercado internacional, petróleo em queda e ajustes após ganhos anteriores pressionam os contratos futuros


Publicado em: 26/08/2026 às 11:15hs

Algodão sobe no Brasil mesmo com negócios pontuais, enquanto Bolsa de Nova York recua
Foto: CNA

O mercado de algodão apresenta movimentos distintos no Brasil e no exterior. Enquanto os preços da pluma avançam no mercado doméstico, mesmo com baixo volume de negócios, os contratos futuros encerraram a terça-feira (25) em queda na Bolsa de Nova York.

No Brasil, a valorização é sustentada principalmente pela resistência dos vendedores em reduzir os valores pedidos e pelo desempenho recente das cotações internacionais. Já nos Estados Unidos, o mercado passou por uma correção após a alta da sessão anterior, em meio ao recuo do petróleo e à avaliação das condições das lavouras norte-americanas.

Algodão sobe no mercado brasileiro

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços do algodão em pluma registraram alta nos últimos dias. O movimento, entretanto, não foi acompanhado por uma expansão significativa das negociações.

Compradores com necessidade imediata de matéria-prima demonstraram maior interesse por novos lotes, especialmente aqueles com características superiores de qualidade. A disponibilidade desse tipo de produto e a postura firme dos vendedores ajudaram a sustentar as cotações.

Parte das indústrias, porém, continua cautelosa. A dificuldade para repassar o aumento do custo da matéria-prima aos produtos manufaturados limita a disposição de compra e leva os agentes a apresentar ofertas abaixo dos valores solicitados.

Essa diferença entre compradores e vendedores mantém os negócios pontuais no mercado físico brasileiro.

Preço interno fica abaixo da paridade de exportação

Apesar da recente valorização, o preço do algodão no mercado interno passou a operar cerca de 3% abaixo da paridade de exportação, conforme levantamento do Cepea.

Essa configuração não era observada desde novembro de 2025 e pode influenciar as estratégias comerciais dos produtores. Quando a remuneração oferecida pelo mercado externo supera a doméstica, a exportação tende a ganhar atratividade, especialmente para lotes que atendem às exigências internacionais de qualidade.

O cenário também pode restringir a oferta interna caso os vendedores direcionem uma parcela maior da produção aos embarques.

Algodão fecha em queda na Bolsa de Nova York

Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do algodão recuaram na terça-feira, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior.

O contrato com vencimento em dezembro de 2026 caiu 0,49 cent, equivalente a 0,55%, e encerrou cotado a 88,34 cents por libra-peso.

O vencimento outubro de 2026 recuou 0,40 cent, ou 0,46%, para 87,08 cents por libra-peso. Março de 2027 perdeu 0,46 cent, com baixa de 0,51%, terminando a 90,23 cents por libra-peso. Maio de 2027 fechou a 91,32 cents por libra-peso, queda de 0,41 cent, ou 0,45%.

Condições das lavouras dos Estados Unidos pioram

Os dados semanais sobre o desenvolvimento da safra norte-americana continuam no radar dos investidores. Até domingo, 81% das lavouras de algodão dos Estados Unidos estavam na fase de formação de cápsulas, enquanto 20% já apresentavam cápsulas abertas.

A parcela das plantações classificada em condições boas ou excelentes caiu para 37%, recuo de um ponto percentual em relação à semana anterior.

A deterioração das lavouras representa um fator de atenção para o mercado, pois pode alterar as expectativas de produtividade e oferta. Nesta sessão, entretanto, os dados não foram suficientes para impedir a queda dos contratos futuros.

Petróleo amplia pressão sobre as cotações

O forte recuo do petróleo também pesou sobre o algodão em Nova York. A commodity agrícola mantém relação com o mercado energético porque disputa espaço com as fibras sintéticas, cuja produção utiliza derivados do petróleo.

A queda do óleo ocorreu após sinais de redução das tensões no Oriente Médio. Informações de que os Estados Unidos se preparavam para enviar diplomatas de volta a embaixadas anteriormente evacuadas diminuíram, naquele momento, a percepção de uma retomada imediata das hostilidades em larga escala com o Irã.

Com o petróleo mais barato, as fibras sintéticas podem ganhar competitividade diante do algodão, exercendo pressão indireta sobre as cotações da pluma.

Mercado do algodão acompanha câmbio, exportações e oferta de qualidade

Para os próximos dias, o mercado brasileiro deverá continuar atento à paridade de exportação, ao comportamento do dólar, à disponibilidade de algodão de melhor qualidade e à capacidade de compra da indústria têxtil.

No cenário internacional, as condições das lavouras dos Estados Unidos, as oscilações do petróleo e o ritmo da demanda mundial permanecem entre os principais fatores de influência.

Assim, embora o algodão encontre sustentação no mercado físico brasileiro, a distância entre os valores pedidos e oferecidos ainda limita a liquidez. Em Nova York, a volatilidade tende a continuar elevada diante das incertezas climáticas, energéticas e geopolíticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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