Algodão recua no Brasil com comercialização lenta e indústria reduz bases de compra
Mercado físico de algodão perde ritmo, produtores seguram vendas e preços da pluma registram queda diante da menor demanda no curto prazo
Publicado em: 24/07/2026 às 18:20hs
O mercado brasileiro de algodão em pluma apresentou menor movimentação na última semana, com redução no ritmo de negócios e pressão sobre os preços. A indústria passou a indicar valores mais baixos, enquanto produtores mantiveram uma postura mais cautelosa na oferta, aguardando melhores oportunidades de comercialização.
Segundo análises de mercado, as negociações ocorreram de forma pontual, com as tradings direcionando parte das compras para contratos da safra 2027, enquanto a indústria concentrou suas aquisições no atendimento das necessidades imediatas.
Preços do algodão recuam no mercado físico brasileiro
Em Rondonópolis (MT), uma das principais referências do mercado nacional, a pluma de algodão foi negociada nesta quinta-feira (23) a R$ 128,90 por arroba, equivalente a aproximadamente R$ 3,90 por libra-peso.
O valor representa queda de R$ 1,80 por arroba em relação à semana anterior, quando a cotação estava em R$ 130,70 por arroba.
No mercado CIF São Paulo, a indústria indicou negócios próximos de R$ 4,07 por libra-peso, contra R$ 4,10 por libra-peso registrados na semana anterior, retração semanal de 0,73%.
A pressão sobre os preços está relacionada principalmente à menor intensidade da demanda interna e à estratégia mais seletiva dos compradores.
Produtores adotam cautela diante do cenário de preços
Apesar da queda nas cotações, os produtores brasileiros seguem evitando ampliar a oferta imediata de algodão.
A estratégia tem sido aguardar melhores condições de mercado antes de fixar novos volumes, especialmente diante das oscilações internacionais e das perspectivas para o equilíbrio entre oferta e demanda global.
Com isso, o mercado físico segue marcado por negociações pontuais, com compradores e vendedores adotando maior seletividade.
Colheita do algodão avança no Brasil
Enquanto o mercado comercial apresenta ritmo reduzido, a colheita da safra 2025/26 de algodão segue avançando nas principais regiões produtoras.
Segundo levantamento semanal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com dados coletados até 17 de julho, a retirada da pluma alcançou 12,8% da área cultivada nos sete principais estados produtores, que representam cerca de 98% da produção nacional.
Na semana anterior, a colheita estava em 8,1% da área, mostrando avanço significativo dos trabalhos de campo.
Na comparação histórica:
- No mesmo período da safra anterior, a colheita alcançava 16,7%;
- A média dos últimos cinco anos para o período é de 14,2%.
Oferta da nova safra influencia mercado
O avanço da colheita aumenta gradualmente a disponibilidade de algodão no mercado brasileiro, fator que influencia a formação dos preços no curto prazo.
Entretanto, o ritmo comercial permanece condicionado ao comportamento da demanda, especialmente da indústria têxtil, além das oportunidades no mercado externo.
Perspectivas para o algodão brasileiro
O mercado de algodão deve continuar acompanhando três fatores principais nas próximas semanas: o avanço da colheita brasileira, a evolução da demanda interna e o comportamento das cotações internacionais.
Com produtores mais cautelosos e compradores reduzindo suas bases de aquisição, a tendência é de continuidade de um ambiente de negócios mais seletivo, com preços ajustando-se conforme o equilíbrio entre oferta disponível e consumo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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