UFRGS aproxima ciência do campo e fortalece pesquisa com búfalos no Rio Grande do Sul
Evento Porteiras Abertas recebeu mais de 1,5 mil pessoas em Eldorado do Sul e apresentou resultados de uma parceria que já contribuiu para a realização de mais de 60 trabalhos científicos sobre bubalinocultura
Publicado em: 24/08/2026 às 15:00hs
A Estação Experimental Agronômica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Eldorado do Sul (RS), recebeu mais de 1,5 mil pessoas durante a segunda edição do Porteiras Abertas. Realizado no sábado (15), o evento aproximou a comunidade das atividades de ensino, pesquisa, produção agropecuária e extensão desenvolvidas pela universidade.
A bubalinocultura esteve entre os destaques da programação, com a apresentação do rebanho mantido pela UFRGS e atividades destinadas a divulgar a produção de leite, carne e derivados de búfalo. O público também acompanhou o preparo de um assado de carcaça inteira, oferecido pela Associação Gaúcha de Criadores de Búfalos (Ascribu) e pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB).
Além de apresentar a versatilidade da espécie, a iniciativa mostrou como a cooperação entre pesquisadores, estudantes e criadores pode ampliar o conhecimento científico e apoiar o desenvolvimento da cadeia produtiva.
Rebanho da UFRGS tem foco na produção de leite de búfala
O plantel mantido na Estação Experimental é acompanhado pelo Grupo de Estudos de Bubalinos da UFRGS (Gebu), formado por estudantes e profissionais de diferentes áreas.
Segundo a zootecnista e representante do grupo, Vitória Leite Di Domenico, o sistema produtivo desenvolvido na universidade tem como principal finalidade o leite de búfala. A participação no Porteiras Abertas, entretanto, permitiu mostrar ao público que a atividade também possui potencial para a produção de carne de qualidade.
A presença dos animais na Estação Experimental cria condições para o acompanhamento permanente do rebanho, a coleta de informações produtivas e a realização de estudos sobre nutrição, reprodução, sanidade, genética e qualidade dos alimentos de origem bubalina.
Parceria com criadores ajudou a formar plantel registrado
A aproximação entre a universidade e os produtores rurais foi fundamental para a estruturação do projeto. O vice-presidente da Ascribu, Raphael Gonçalves, participou diretamente desse processo e, por meio da propriedade Búfalas do Pampa, disponibilizou animais para a formação inicial do rebanho.
A iniciativa possibilitou à UFRGS constituir um plantel registrado e, posteriormente, ampliar a base genética disponível para as atividades de ensino e pesquisa.
Para Gonçalves, a parceria ganha relevância pela capacidade da universidade de formar médicos-veterinários, agrônomos, zootecnistas e outros profissionais que poderão atuar diretamente no desenvolvimento da bubalinocultura.
O dirigente avalia que a presença de um rebanho expressivo dentro de uma instituição de ensino cria oportunidades para gerar informações técnicas, preparar profissionais e aumentar a visibilidade da espécie entre produtores e consumidores.
Carne de búfalo foi apresentada ao público
Durante o Porteiras Abertas, a Ascribu e a ABCB utilizaram o assado de uma carcaça inteira para apresentar a carne de búfalo de maneira diferente ao público.
A atividade permitiu divulgar características do produto e ampliar o conhecimento dos visitantes sobre uma cadeia que ainda possui espaço para crescer no mercado brasileiro.
A proposta também reforçou que a bubalinocultura pode atender diferentes segmentos, reunindo produção de leite, carne e derivados. Essa diversificação pode representar uma oportunidade adicional de renda para propriedades adaptadas à criação da espécie.
Búfalos já contribuíram para mais de 60 estudos científicos
O rebanho da UFRGS também se consolidou como uma estrutura permanente de pesquisa. De acordo com a vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos, Desirê Möller, mais de 60 trabalhos científicos foram realizados ao longo dos oito anos de presença dos animais na universidade.
A produção acadêmica inclui trabalhos de conclusão de curso, pesquisas de mestrado e doutorado, além de projetos de extensão.
Os estudos não se limitam às áreas diretamente relacionadas à criação animal. A disponibilidade do rebanho permite investigar temas ligados à medicina, nutrição humana, agronomia, zootecnia e medicina veterinária.
Para Desirê, levar búfalos às universidades amplia a geração de conhecimento e transforma os plantéis em plataformas contínuas para pesquisa, formação profissional e transferência de tecnologia.
ABCB busca ampliar presença da bubalinocultura nas universidades
A cooperação com instituições de ensino faz parte de uma estratégia mais ampla da ABCB. A entidade mantém aproximação com outras universidades, entre elas a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP).
Entre as instituições citadas está a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp, em Botucatu (SP), que também desenvolve atividades relacionadas à espécie.
O objetivo é expandir a participação da bubalinocultura no ambiente acadêmico e estimular pesquisas em diferentes áreas do conhecimento. A expectativa é que esse movimento contribua para aprimorar sistemas de produção, melhorar a qualidade dos produtos e oferecer respostas técnicas às demandas dos criadores.
Porteiras Abertas conecta universidade e sociedade
A reitora da UFRGS, Marcia Cristina Bernardes Barbosa, destacou que a abertura da Estação Experimental permite apresentar à população o conhecimento produzido pela universidade e sua aplicação direta na agropecuária.
Segundo a reitora, a instituição desenvolve pesquisas que contribuem para a agricultura, a pecuária e o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Ao receber a comunidade, a universidade também demonstra como o trabalho científico chega ao campo e influencia diferentes sistemas produtivos.
O Porteiras Abertas utiliza a estrutura da Estação Experimental para divulgar pesquisas, sistemas de produção e ações de extensão. A programação contempla temas ligados ao agronegócio, à pequena produção e à agricultura familiar.
Pesquisa pode impulsionar a bubalinocultura brasileira
A experiência da UFRGS mostra que a integração entre universidade e setor produtivo pode acelerar a geração de conhecimento sobre a criação de búfalos.
A manutenção de um rebanho registrado permite realizar estudos de longo prazo, acompanhar indicadores produtivos e formar profissionais familiarizados com as particularidades da espécie.
Ao mesmo tempo, eventos abertos ao público ajudam a reduzir o desconhecimento sobre os produtos bubalinos e a apresentar novas possibilidades de consumo e produção.
Com pesquisa científica, assistência técnica e maior aproximação com os criadores, a bubalinocultura pode ampliar sua participação na pecuária brasileira e fortalecer as cadeias de leite, carne e derivados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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