Cultivares de maracujá do IAC avançam pelo Brasil e ampliam oferta para indústria de polpas
IAC 275 Maravilha e IAC 1013 Laureado apresentam rendimento de polpa superior a 50%, elevado teor de sólidos solúveis e potencial de retorno econômico rápido
Publicado em: 24/08/2026 às 12:30hs
As cultivares de maracujá desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, estão ampliando sua presença nas principais regiões produtoras do Brasil. Voltadas à indústria de sucos e polpas, a IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado combinam produtividade, elevado rendimento industrial e adaptação a diferentes condições de cultivo.
Em 2025 e no primeiro semestre de 2026, os principais estados com pomares produtivos ou em formação foram São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Paraná. As cultivares também chegaram ao Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Tocantins, Alagoas, Pernambuco, Pará, Bahia, Rondônia, Acre e Distrito Federal.
A expansão atende ao interesse de agroindústrias e produtores por frutos com maior proporção de polpa, teor adequado de sólidos solúveis e coloração intensa. Para pequenos e médios agricultores, o maracujá representa uma alternativa de rápido retorno econômico e geração de receita durante boa parte do ano.
São Paulo lidera cultivo das variedades do IAC
Em São Paulo, as lavouras estão distribuídas por diferentes municípios, com destaque para Fartura, próximo à divisa com o Paraná.
Segundo o pesquisador José Luiz Hernandes, do IAC, o instituto forneceu sementes em 2025 e 2026 para produtores de Americana, Areias, Bauru, Campina do Monte Alegre, Conchas, Cruzeiro, Guaratinguetá, Iacanga, Iguape, Itaí, Itaporanga, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Óleo, Santos, São Paulo e Sertãozinho.
A produção paulista está concentrada principalmente em propriedades familiares. Para esses agricultores, as cultivares industriais apresentam facilidade de adoção porque o plantio e o manejo são semelhantes aos utilizados na produção de maracujá destinado ao mercado de frutas frescas.
A definição do destino comercial, entretanto, altera os critérios de seleção dos frutos. No mercado in natura, aparência, formato, tamanho e integridade da casca exercem maior influência. Para a indústria, o rendimento e a qualidade da polpa ganham prioridade.
Produtores paulistas encerram colheita e preparam nova safra
Em agosto, os pomares paulistas aproximam-se do fim do período produtivo. Os agricultores que trabalham com duas safras no mesmo plantio iniciam a limpeza das áreas e se organizam para a poda no fim de agosto e começo de setembro.
Nas propriedades conduzidas com apenas uma safra, começa a eliminação das plantas que já completaram o ciclo. O trabalho inclui o preparo do solo e a revisão das estruturas de condução antes da implantação do próximo cultivo.
A decisão de manter ou renovar as plantas deve considerar o estado sanitário do pomar, a produtividade alcançada, os custos de manejo e o potencial de produção no segundo ciclo.
Rendimento de polpa supera 50%
Para o processamento industrial, tamanho e aparência externa não são os principais critérios de avaliação. As agroindústrias procuram frutos que ofereçam maior aproveitamento, qualidade da polpa e padronização.
De acordo com Hernandes, as cultivares IAC destinadas ao processamento apresentam rendimento de polpa superior a 50%. O teor de sólidos solúveis fica acima de 12 graus Brix, podendo alcançar 17 graus Brix em condições favoráveis.
Valores acima de 14 graus Brix são considerados especialmente desejáveis porque indicam maior concentração de açúcares e outros compostos solúveis. Essa característica interfere no sabor e no rendimento durante a fabricação de sucos e polpas.
Outro diferencial é a coloração alaranjada intensa, valorizada pela indústria por contribuir para o aspecto visual do produto processado.
IAC recomenda plantio conjunto das cultivares
O IAC recomenda que a IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado sejam cultivadas de forma complementar, com 50% de cada variedade na área.
Segundo o instituto, a combinação reúne parâmetros favoráveis de rendimento, teor de sólidos solúveis e coloração da polpa. A IAC 1013 Laureado destaca-se pela tonalidade alaranjada ainda mais intensa.
As duas variedades apresentam casca fina, característica que contribui para ampliar proporcionalmente a quantidade de polpa disponível para processamento.
A IAC 275 Maravilha produz frutos predominantemente médios e alongados, embora também possa apresentar formato arredondado. A IAC 1013 Laureado possui frutos geralmente médios e redondos, com possibilidade de ocorrência de unidades alongadas.
As plantas das duas cultivares apresentam vigor de médio a alto.
Período de maturação varia conforme a região
No Sudeste, a maturação das cultivares IAC 275 e IAC 1013 ocorre principalmente entre janeiro e julho.
Esse período pode ser mais longo nas regiões Norte e Nordeste e mais curto no Sul. A variação está relacionada, entre outros fatores, à quantidade de horas de luz disponível em cada localidade.
O comportamento regional deve ser considerado no planejamento da mão de obra, da colheita, do transporte e da comercialização.
Como os frutos são recolhidos com frequência durante vários meses, o produtor precisa estruturar previamente o destino da produção. A ausência de compradores próximos pode aumentar custos e comprometer a rentabilidade.
Agroindústria próxima é essencial para o escoamento
A comercialização do maracujá para processamento costuma ocorrer diretamente com agroindústrias instaladas próximas das áreas produtoras.
Nas lavouras paulistas, a colheita pode ser realizada diariamente durante aproximadamente seis meses. Como são necessárias várias entregas ao longo desse período, a distância até a unidade processadora exerce forte influência sobre o custo do transporte.
A proximidade reduz despesas com frete, facilita o escoamento frequente e diminui o risco de perdas após a colheita. Por isso, a existência de uma agroindústria regional deve ser avaliada antes da implantação do pomar.
Cooperativas e agroindústrias familiares também podem absorver a produção. Algumas empresas brasileiras atuam nos mercados nacional e internacional, exportando suco e polpa de maracujá para a Europa e outros destinos.
Maracujá oferece retorno econômico rápido
O ciclo relativamente curto permite que o produtor obtenha retorno em menos tempo na comparação com outras frutíferas perenes.
A colheita distribuída por vários meses também favorece a entrada contínua de receita, característica importante para propriedades familiares. O processamento da polpa acrescenta valor ao produto e pode ampliar as oportunidades de comercialização.
A viabilidade econômica depende, entretanto, de fatores como produtividade, disponibilidade de mão de obra, polinização, controle fitossanitário, proximidade do comprador e custos de transporte.
O planejamento comercial deve começar antes do plantio, com a definição dos canais de venda e das exigências de qualidade da agroindústria.
Cascas e sementes ampliam aproveitamento do fruto
Além da fabricação de polpas, sucos concentrados, sucos integrais e néctares, o maracujá permite o aproveitamento de diferentes subprodutos.
Cascas e sementes podem ser destinadas, de acordo com o processamento e as exigências técnicas, à alimentação animal, extração de óleos e fabricação de insumos cosméticos.
O suco também apresenta características nutricionais e é fonte de compostos como vitamina A, cálcio e fósforo.
A diversificação de usos contribui para reduzir o desperdício e pode criar novas fontes de receita dentro da cadeia produtiva.
Polinização é decisiva para produtividade e qualidade
As flores do maracujazeiro atraem insetos responsáveis pelo transporte do pólen entre as estruturas reprodutivas das plantas. As mamangavas são os principais polinizadores da cultura.
O porte desses insetos favorece o contato do dorso com as partes da flor, permitindo que o pólen de uma planta seja levado até outra. Esse processo é essencial para a fecundação e a formação adequada dos frutos.
Quando a polinização é insuficiente, os frutos podem apresentar baixo peso, formato irregular e preenchimento parcial.
Para preservar as mamangavas, as pulverizações devem ser realizadas preferencialmente pela manhã, antes da abertura das flores. A atividade dos polinizadores ocorre principalmente durante a tarde.
Polinização manual pode elevar produção
Em regiões com baixa presença de mamangavas, o produtor pode recorrer à polinização artificial, realizada manualmente.
O procedimento pode aumentar significativamente a quantidade produzida e o peso dos frutos. Mesmo em áreas onde existem polinizadores naturais, o IAC recomenda considerar a polinização manual quando o objetivo é alcançar alta produtividade.
A adoção da prática exige planejamento de mão de obra, pois as flores permanecem receptivas por um período limitado. A operação deve ser realizada no momento adequado e com técnica correta para assegurar a fecundação.
IAC também oferece variedades para o mercado de mesa
Atualmente, o Instituto Agronômico disponibiliza sementes de quatro cultivares de maracujá azedo amarelo.
A IAC 275 Maravilha e a IAC 1013 Laureado são voltadas prioritariamente à produção de polpa. Já a IAC 273 e a IAC 277 foram desenvolvidas para o mercado de frutos de mesa.
O instituto também fornece material de propagação ao Serviço de Produção de Sementes e Mudas da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).
Produtores e viveiristas podem solicitar informações ao Centro de Frutas do IAC pelos endereços eletrônicos centro.frutas@sp.gov.br e jose.hernandes@sp.gov.br.
Maracujá azedo domina os pomares brasileiros
O maracujá azedo, da espécie Passiflora edulis, representa aproximadamente 90% dos pomares do Brasil.
A espécie é a mais consumida no país e a principal matéria-prima para sucos, polpas, néctares, cosméticos e produtos fitoterápicos.
A denominação “azedo” está relacionada à acidez mais elevada na comparação com o maracujá doce, pertencente à espécie Passiflora alata.
Com cultivares adaptadas à indústria, elevada proporção de polpa e presença crescente nos polos produtivos, o IAC busca fortalecer a cadeia brasileira do maracujá. O avanço dependerá da integração entre produtores, assistência técnica, viveiristas, cooperativas e agroindústrias capazes de absorver a produção regional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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