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Fruticultura e Horticultura

Greening ameaça produção de limão no Brasil e exige controle rigoroso nos pomares

Doença sem cura é transmitida pelo psilídeo e pode reduzir a produtividade, comprometer a qualidade dos frutos e levar à erradicação das plantas contaminadas


Publicado em: 24/08/2026 às 11:43hs

Greening ameaça produção de limão no Brasil e exige controle rigoroso nos pomares
Foto: CNA

O greening avança como uma das principais ameaças à produção brasileira de limão. Também conhecida como Huanglongbing (HLB), a doença não possui tratamento curativo, prejudica o desenvolvimento dos frutos e pode provocar a morte das plantas, com impactos diretos sobre a oferta e a rentabilidade dos pomares.

O risco ganha relevância diante da posição do Brasil entre os maiores produtores mundiais da fruta. O limão representa aproximadamente 8% da produção citrícola nacional, com forte predominância da variedade Tahiti, responsável por cerca de 97% do volume produzido.

Para reduzir as perdas, citricultores precisam intensificar o monitoramento das lavouras, utilizar mudas sadias e certificadas e adotar o manejo integrado do inseto responsável pela transmissão da bactéria.

O que é o greening e como a doença se espalha

O greening é associado a bactérias do gênero Candidatus Liberibacter e transmitido principalmente pelo psilídeo-asiático-dos-citros, o Diaphorina citri.

Apesar de medir até três milímetros, o inseto apresenta elevado potencial de multiplicação. Seu ciclo de vida pode variar de 12 a 43 dias, enquanto uma única fêmea é capaz de depositar entre 600 e 800 ovos.

Ao se alimentar da seiva dos citros, o psilídeo enfraquece as plantas e pode transmitir a bactéria responsável pela doença. O inseto também elimina uma substância açucarada capaz de favorecer a presença de formigas no pomar.

De acordo com Fabio Kagi, gerente de assuntos regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o pequeno tamanho do vetor não reduz sua capacidade de provocar grandes prejuízos à citricultura.

Folhas amareladas estão entre os primeiros sinais

A identificação precoce é fundamental para evitar que o greening se espalhe pelo pomar. Entre os principais sintomas estão o amarelecimento das folhas e o aparecimento de manchas irregulares, geralmente distribuídas de forma assimétrica.

Os frutos de plantas contaminadas podem não completar o amadurecimento. Também podem permanecer pequenos, deformados, assimétricos e com qualidade inferior ao padrão exigido pelo mercado.

Além de reduzir a produtividade, a doença compromete o valor comercial da produção e encurta a vida útil do pomar.

Como os sintomas podem ser confundidos com deficiências nutricionais e outros problemas fitossanitários, o diagnóstico deve considerar a distribuição das manchas, a condição geral da planta e a presença do psilídeo.

Plantas jovens podem morrer em até dois anos

A evolução do greening varia conforme a idade e as condições das plantas. Limoeiros jovens podem ser totalmente comprometidos em um período de um a dois anos.

Em árvores adultas, o processo costuma ser mais lento, mas também provoca queda progressiva da produção, perda de qualidade e morte da planta. Nesses casos, o período até o comprometimento completo pode variar de três a cinco anos.

Durante essa evolução, a árvore infectada permanece como fonte da bactéria e pode contribuir para a contaminação de outras plantas do próprio pomar e de propriedades próximas.

Erradicação é necessária em plantas contaminadas

Como não existe tratamento capaz de eliminar a bactéria de uma planta infectada, a erradicação das árvores doentes é uma das principais medidas para conter o avanço do greening.

A retirada completa das plantas representa perda imediata para o citricultor, que também precisa arcar com a implantação de novas mudas e aguardar o período necessário até o início da produção.

Quando a incidência da doença aumenta, os prejuízos ultrapassam os limites da propriedade. A redução da produtividade pode afetar a disponibilidade de limão e de produtos derivados, além de elevar os custos de produção ao longo de toda a cadeia.

Monitoramento frequente reduz risco de disseminação

O acompanhamento sistemático dos pomares é uma das principais ferramentas de prevenção. O produtor deve inspecionar folhas, brotações e frutos em busca de sintomas da doença e da presença do psilídeo.

As brotações novas merecem atenção especial, pois são preferidas pelo inseto para alimentação e postura dos ovos. O aumento da população do vetor nesses períodos pode acelerar a disseminação da bactéria.

A identificação rápida permite eliminar plantas contaminadas e implementar medidas de controle antes que o problema alcance uma área maior.

O monitoramento deve ser realizado durante todo o ano, com intensidade ajustada às condições climáticas, ao desenvolvimento vegetativo das plantas e ao histórico fitossanitário da região.

Controle do psilídeo exige manejo integrado

O controle do Diaphorina citri deve fazer parte de uma estratégia integrada, combinando monitoramento, medidas culturais e uso responsável de defensivos agrícolas registrados para a cultura e o alvo biológico.

Quando o controle químico for necessário, a orientação é alternar produtos com diferentes mecanismos de ação. A rotação reduz a pressão de seleção e ajuda a retardar o desenvolvimento de populações resistentes.

Os códigos dos grupos de modo de ação podem ser consultados nos rótulos e nas bulas dos produtos. A aplicação deve seguir rigorosamente as doses, os intervalos, as condições de uso e as medidas de segurança previstas nas recomendações oficiais.

O planejamento regional também é importante. Como o psilídeo pode se deslocar entre propriedades, ações isoladas apresentam menor eficiência quando existem pomares contaminados ou sem controle nas áreas próximas.

Mudas certificadas protegem novos pomares

A implantação de lavouras com mudas sadias, certificadas e adquiridas de viveiros regularizados é outra medida indispensável para prevenir o greening.

O uso de material de origem desconhecida aumenta o risco de introduzir a bactéria em áreas ainda livres da doença. Além disso, plantas sem qualidade fitossanitária podem apresentar outros problemas que comprometem o desenvolvimento e a produtividade.

A certificação oferece maior segurança quanto à origem genética e sanitária das mudas, contribuindo para a formação de pomares mais uniformes e longevos.

Prevenção é decisiva para preservar a oferta de limão

O combate ao greening depende de uma combinação permanente de vigilância e manejo. Inspeções frequentes, eliminação rápida de plantas infectadas, controle integrado do psilídeo e utilização de mudas certificadas formam a base da estratégia preventiva.

Diante da ausência de tratamento curativo, atrasos na identificação do problema favorecem a multiplicação do vetor e ampliam o risco de contaminação.

A adoção coordenada dessas medidas é essencial para proteger a produção brasileira de limão, preservar a vida útil dos pomares e reduzir os possíveis impactos da doença sobre a oferta da fruta no mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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