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Pesquisas

Pesquisa do Instituto de Pesca fortalece lambaricultura e amplia potencial econômico do cultivo de lambaris no Brasil

Tecnologia desenvolvida pelo Instituto de Pesca contribui para reprodução, produção comercial, processamento e valorização do lambari como alimento e produto estratégico da aquicultura brasileira


Publicado em: 24/07/2026 às 07:00hs

Pesquisa do Instituto de Pesca fortalece lambaricultura e amplia potencial econômico do cultivo de lambaris no Brasil

O lambari, peixe que faz parte da memória afetiva de milhões de brasileiros, está deixando de ser apenas uma espécie associada às tradicionais pescarias em rios e córregos para conquistar espaço como uma atividade econômica dentro da aquicultura nacional. Com o avanço das pesquisas científicas e tecnológicas, a lambaricultura brasileira ganhou novas ferramentas para ampliar a produção, melhorar a eficiência dos cultivos e agregar valor ao pescado.

O protagonismo nesse processo vem do Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que desenvolveu estudos e tecnologias voltados ao cultivo comercial de diferentes espécies de lambaris, entre elas Astyanax fasciatus, Astyanax lacustris e Deuterodon iguape.

A atuação do instituto foi fundamental para transformar uma atividade baseada historicamente na captura de exemplares em ambientes naturais em uma cadeia produtiva com potencial de escala comercial.

Lambaricultura ganha espaço como alternativa na aquicultura brasileira

O termo lambari reúne diversas espécies de pequenos peixes de água doce pertencentes à família dos caracídeos. Tradicionalmente consumido como petisco em diversas regiões do país, o peixe também possui grande importância para o mercado de pesca esportiva, especialmente como isca viva.

Por muitos anos, a oferta desses peixes dependia principalmente da captura na natureza ou da ocorrência como espécie acompanhante em outros sistemas de produção aquícola.

Segundo o pesquisador do Instituto de Pesca, Fábio Sussel, a consolidação da lambaricultura exigiu a criação de tecnologias específicas para tornar o cultivo mais previsível, produtivo e economicamente viável.

“A consolidação da lambaricultura como atividade aquícola exigiu o desenvolvimento de tecnologias específicas capazes de tornar sua produção previsível, eficiente e economicamente viável”, destaca o pesquisador.

Pesquisa desenvolve tecnologias para reprodução e produção comercial de lambaris

Ao longo das últimas décadas, o Instituto de Pesca desenvolveu protocolos que contribuíram para estruturar uma cadeia produtiva até então inexistente em escala comercial.

Entre os principais avanços estão:

  • Aperfeiçoamento da reprodução induzida, garantindo maior disponibilidade de alevinos durante diferentes períodos do ano;
  • Desenvolvimento de técnicas de larvicultura e recria, adaptadas às características das espécies;
  • Melhoria dos índices zootécnicos, aumentando sobrevivência e desempenho produtivo dos peixes;
  • Maior segurança técnica para produtores interessados no cultivo comercial.

Essas tecnologias permitiram maior regularidade na produção e abriram novas oportunidades para produtores rurais interessados na diversificação da atividade aquícola.

Lambari amplia mercado com pesca esportiva, aquaponia e pesquisas ambientais

Além da produção destinada ao consumo humano, o Instituto de Pesca também avançou em pesquisas relacionadas a outros usos estratégicos do lambari.

Entre as linhas de estudo desenvolvidas estão:

  • Produção de lambaris para o mercado de iscas vivas utilizadas na pesca esportiva;
  • Avaliação do potencial da espécie em sistemas de aquaponia;
  • Uso dos peixes como bioindicadores ambientais em pesquisas de ecotoxicologia.

O uso como bioindicador permite avaliar os impactos de contaminantes e acompanhar a qualidade dos ecossistemas aquáticos, ampliando a importância científica dessas espécies.

Máquina para processamento de lambari aumenta valor agregado do pescado

Apesar do potencial gastronômico do lambari, um dos principais desafios para ampliar seu consumo em escala comercial era o processamento do peixe.

Para superar essa barreira, o pesquisador Fábio Sussel desenvolveu a proposta de uma máquina destinada à evisceração automatizada de lambaris. A tecnologia foi posteriormente desenvolvida por uma empresa catarinense especializada na fabricação de equipamentos para frigoríficos de pescado.

O equipamento permite automatizar uma etapa considerada crítica no processamento, proporcionando:

  • Maior produtividade industrial;
  • Redução dos custos operacionais;
  • Padronização do processo;
  • Maior agregação de valor ao pescado.

Segundo Sussel, a inovação demonstra como a pesquisa aplicada pode gerar soluções práticas para desafios da cadeia produtiva.

“Essa inovação representa um exemplo concreto da pesquisa aplicada desenvolvida pelo Instituto de Pesca, transformando resultados científicos em soluções tecnológicas capazes de atender demandas reais da sociedade e fortalecer cadeias produtivas estratégicas para a aquicultura brasileira”, afirma.

Pesquisa pública impulsiona nova cadeia produtiva do lambari

O avanço da lambaricultura mostra como a ciência pode transformar recursos naturais e conhecimentos tradicionais em oportunidades econômicas sustentáveis.

Com tecnologias voltadas à reprodução, produção, processamento e novos mercados, o lambari passa a ocupar uma posição estratégica dentro da aquicultura brasileira, unindo tradição, inovação e geração de renda no campo.

A trajetória da espécie reforça o papel da pesquisa pública no desenvolvimento de soluções capazes de fortalecer cadeias produtivas, ampliar a oferta de alimentos e estimular novos negócios no setor aquícola nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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