Palma forrageira: pesquisa de R$ 479 mil avança em genética e controle de pragas no semiárido
Projeto da Sudene e do INSA reúne 160 acessos da planta e identifica materiais com potencial para alimentação animal e humana
Publicado em: 22/10/2026 às 09:00hs
O melhoramento genético da palma forrageira e o controle de pragas e doenças ganharam novos resultados com um projeto desenvolvido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e pelo Instituto Nacional do Semiárido (INSA). Com investimento de R$ 479 mil da Sudene, a iniciativa busca ampliar as alternativas de alimentação dos rebanhos e fortalecer a pecuária no semiárido.
Iniciado em 2020 e concluído em outubro, o projeto reuniu pesquisas sobre diversidade genética, seleção de materiais e manejo fitossanitário. Entre as entregas estão uma coleção de plantas vivas com 160 acessos, a identificação de materiais promissores para diferentes usos e a formação de pesquisadores.
Diversidade genética amplia possibilidades de uso da palma
Um dos principais resultados foi a obtenção de 160 acessos de palma forrageira, incorporados a uma coleção destinada à conservação da diversidade genética da cultura. Esses acessos representam materiais que podem ser estudados e comparados em programas de seleção e melhoramento.
A preservação desse patrimônio permite buscar características de interesse para a produção, como aptidão forrageira e possibilidades de aproveitamento alimentar.
Segundo Victor Uchoa, agrônomo da Sudene, o trabalho envolveu a caracterização e o uso de germoplasma — o conjunto de recursos genéticos da planta —, com foco na alimentação animal e na investigação de novas aplicações.
As avaliações identificaram acessos com maior potencial para produção de forragem e outros com possibilidades de uso na alimentação humana, incluindo o aproveitamento como verduras e frutos. Os resultados ampliam o conhecimento sobre a planta, mas não representam, por si só, o lançamento de novas cultivares.
Pesquisas buscam controle de cochonilhas e doenças
O projeto também estudou estratégias para enfrentar duas ameaças importantes à cultura: a cochonilha-de-escamas e a cochonilha-do-carmim.
As atividades incluíram pesquisas de manejo para controle dessas pragas, além do isolamento de fitopatógenos associados às principais doenças da palma. Outra frente investigou estratégias de controle biológico para infecções específicas.
O objetivo é reunir conhecimento que contribua para proteger os plantios e dar maior segurança à produção de alimento para os rebanhos.
Segurança forrageira é foco para a pecuária no semiárido
A seleção de materiais adaptados e o avanço no manejo de pragas e doenças podem ampliar as alternativas disponíveis aos pecuaristas da região.
Nesse contexto, a pesquisa busca contribuir para a segurança forrageira, o uso sustentável dos recursos naturais e o desenvolvimento econômico do semiárido. A identificação de diferentes aptidões também abre caminhos para estudar outras formas de aproveitamento da palma.
Projeto gera artigos científicos e formação de pesquisadores
Além dos resultados agronômicos, a iniciativa contribuiu para a produção científica e a qualificação de profissionais. Até o momento, foram concluídos dois artigos científicos, três dissertações de mestrado e uma tese de doutorado.
Outras duas teses têm previsão de defesa até o fim do ano.
De acordo com o INSA, as entregas superaram as metas iniciais. A instituição ressalta, porém, que os resultados constituem uma etapa de um trabalho mais amplo, já que programas de melhoramento genético exigem continuidade e avaliações de médio e longo prazos.
Cooperação reúne instituições de pesquisa do Nordeste
Além da Sudene e do INSA, participaram do projeto a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), a Embrapa Semiárido e a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer).
A cooperação reuniu competências em conservação genética, melhoramento vegetal e sanidade da cultura, com foco em soluções para os sistemas produtivos do semiárido.
Fonte: Portal do Agronegócio
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