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Pesquisas

Nova cápsula de celulose aumenta eficiência de bioinseticida e prolonga vida útil de fungo usado no controle de pragas agrícolas

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros elevou de 69% para 85% a sobrevivência do fungo Beauveria bassiana após cinco meses de armazenamento e pode reduzir aplicações de defensivos biológicos nas lavouras.


Publicado em: 13/08/2026 às 10:00hs

Nova cápsula de celulose aumenta eficiência de bioinseticida e prolonga vida útil de fungo usado no controle de pragas agrícolas
Foto: José Antônio Boiaro Caxa/Uniara

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma nova tecnologia capaz de aumentar a durabilidade e a eficiência de bioinseticidas à base de fungos utilizados no controle biológico de pragas agrícolas. A inovação utiliza microcápsulas produzidas com derivados de celulose e íons de alumínio para proteger o fungo Beauveria bassiana, ampliando sua viabilidade durante o armazenamento e sua ação no campo.

O estudo mostrou que a técnica elevou a taxa de germinação do fungo de 69% para 85% após cinco meses de armazenamento congelado, superando um dos principais desafios dos produtos biológicos: a perda de eficiência dos microrganismos antes da aplicação na lavoura.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Centro de Manejo Sustentável de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas (CEMASU), um Centro de Ciência para o Desenvolvimento financiado pela FAPESP e sediado no Instituto Biológico. Os resultados foram publicados na revista científica ACS Omega.

Tecnologia protege fungo e permite liberação gradual na lavoura

A solução desenvolvida utiliza um processo conhecido como gelificação ionotrópica, no qual o material biopolimérico forma pequenas esferas capazes de encapsular os microrganismos.

Segundo os pesquisadores, a cápsula funciona como uma barreira protetora, mantendo o fungo preservado e permitindo uma liberação mais gradual após a aplicação no campo.

O material utilizado na estrutura das microesferas é a carboximetilcelulose, um derivado da celulose amplamente utilizado pela indústria alimentícia. Para transformar o polímero em uma estrutura tridimensional estável, os cientistas utilizaram íons de alumínio, que atuam como agentes de ligação da molécula.

O resultado foi uma cápsula mais uniforme, resistente e capaz de conservar melhor a atividade biológica do fungo.

Beauveria bassiana é alternativa sustentável aos inseticidas químicos

O fungo Beauveria bassiana é amplamente utilizado no controle biológico de insetos porque atua naturalmente sobre diversas espécies de pragas agrícolas.

Após aplicado na lavoura, o fungo libera esporos que colonizam os insetos e provocam uma doença conhecida como muscardina branca, afetando diferentes grupos, incluindo:

  • Moscas e mosquitos;
  • Besouros;
  • Percevejos;
  • Lagartas e mariposas;
  • Cupins;
  • Gafanhotos.

Diferentemente de muitos inseticidas químicos, o mecanismo de ação do fungo apresenta baixo impacto sobre mamíferos e menor risco para organismos não alvo, tornando-se uma ferramenta estratégica dentro dos sistemas de produção sustentável.

Com o encapsulamento, a expectativa é reduzir o número de aplicações necessárias e ampliar a eficiência dos bioinsumos no manejo integrado de pragas.

Cápsulas com alumínio apresentam maior estabilidade

Durante os experimentos, os pesquisadores compararam duas formulações diferentes: uma utilizando carboximetilcelulose com alumínio e outra combinando carboximetilcelulose com cálcio.

Embora ambas tenham formado estruturas esféricas, os resultados apresentaram diferenças importantes após a secagem.

As microesferas com alumínio mantiveram maior uniformidade de tamanho e formato, além de apresentarem maior estabilidade térmica e melhor capacidade de retenção de água — característica fundamental para preservar o fungo protegido em seu interior.

Já a formulação com cálcio apresentou maior tendência ao colapso estrutural e formação de aglomerados de tamanhos variados.

Segundo os pesquisadores, a versão com cálcio também aumentou a sobrevivência do fungo em comparação ao produto sem encapsulamento, mas a alternativa com alumínio oferece maior controle de qualidade para uma possível produção comercial.

Tecnologia pode ampliar uso de bioinsumos no agronegócio

Os pesquisadores agora avançam para novos testes em condições de campo, avaliando o desempenho da tecnologia fora do ambiente de laboratório.

Entre os próximos passos estão avaliações de armazenamento em temperaturas mais próximas da realidade comercial, como refrigeração convencional a 4 °C e condições de temperatura ambiente.

Além do uso agrícola, a tecnologia também poderá ser avaliada em outras aplicações, incluindo o controle biológico de carrapatos na pecuária.

Caso os testes confirmem a eficiência da formulação, os pesquisadores destacam que o processo possui potencial de produção em escala industrial, o que pode reduzir custos e acelerar a chegada do produto ao mercado.

Inovação fortalece mercado de defensivos biológicos

O desenvolvimento da cápsula de celulose reforça o avanço dos bioinsumos agrícolas, segmento que cresce como alternativa para reduzir a dependência de defensivos químicos e aumentar a sustentabilidade da produção rural.

Com maior estabilidade, armazenamento facilitado e ação prolongada no campo, tecnologias desse tipo podem contribuir para uma agricultura mais eficiente, econômica e ambientalmente responsável.

O estudo teve como primeira autora Mayté Zaldivar, com participação de pesquisadores da Universidade de Araraquara (Uniara), Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e Instituto Biológico.

Fonte: Portal do Agronegócio

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