Minerais orgânicos aumentam eficiência da pecuária leiteira e melhoram saúde, reprodução e desempenho dos rebanhos
Estudos da Universidade de Guelph mostram que a substituição de minerais inorgânicos por fontes orgânicas pode reduzir doenças, melhorar a adaptação metabólica e gerar benefícios também para as crias.
Publicado em: 12/08/2026 às 13:30hs
Novas pesquisas científicas estão ampliando o entendimento sobre o papel dos minerais orgânicos na pecuária leiteira moderna. Estudos conduzidos pela Universidade de Guelph, no Canadá, indicam que a substituição completa de microminerais inorgânicos por minerais orgânicos proteinatos e levedura enriquecida com selênio pode melhorar o desempenho das vacas de alta produção, fortalecer o sistema imunológico e contribuir para melhores índices reprodutivos.
Os resultados foram apresentados pela Alltech, empresa global de nutrição animal, durante o Agroleite 2026, realizado entre os dias 3 e 7 de agosto, em Castro (PR). As pesquisas foram conduzidas pelo professor brasileiro Eduardo Ribeiro, da Universidade de Guelph, e publicadas em importantes revistas científicas internacionais.
Segundo Rafael Barletta, médico-veterinário e gerente de vendas da Alltech, os estudos representam um avanço importante para a nutrição de precisão aplicada à produção leiteira.
“Esses trabalhos são muito robustos e estão em grande evidência nos mercados internacionais, como Canadá e Estados Unidos. Eles mostram como uma nutrição adequada de microminerais pode impactar diretamente a imunidade das vacas e a eficiência do rebanho”, destaca.
Minerais orgânicos ganham espaço na produção de leite de alta produtividade
O avanço genético dos rebanhos elevou significativamente o potencial produtivo das fazendas leiteiras. Atualmente, propriedades de alto desempenho já alcançam médias superiores a 40 e 50 litros de leite por vaca ao dia, aumentando também a necessidade de um manejo nutricional mais preciso.
De acordo com Barletta, essa elevada performance exige maior atenção ao fornecimento de minerais essenciais, especialmente durante períodos críticos, como o início da lactação.
“Até metade das vacas pode apresentar algum tipo de enfermidade nos primeiros 60 dias de lactação. Esse período exige uma nutrição capaz de reduzir o estresse oxidativo e inflamatório”, explica.
O especialista destaca que os minerais inorgânicos tradicionais, como sulfatos e selenito de sódio, apresentam menor aproveitamento pelo organismo animal.
Já os minerais orgânicos possuem maior biodisponibilidade, pois são ligados a aminoácidos e peptídeos, facilitando a absorção intestinal e direcionando esses nutrientes para funções estratégicas, como imunidade, reprodução e metabolismo.
Melhor adaptação metabólica reduz doenças no pós-parto
Os estudos da Universidade de Guelph avaliaram vacas suplementadas com minerais orgânicos das tecnologias Bioplex® e Sel-Plex®, da Alltech, em comparação com animais alimentados com fontes minerais inorgânicas tradicionais.
Os resultados apontaram melhorias significativas na adaptação metabólica das vacas no período de transição.
Entre os principais indicadores observados estão:
- maior consumo de matéria seca no pré-parto: 13,26 kg/dia contra 12,87 kg/dia no grupo com minerais inorgânicos;
- melhor balanço energético: 4,21 Mcal/dia contra 3,55 Mcal/dia;
- redução dos níveis de ácidos graxos não esterificados (NEFA) após o parto;
- queda na ocorrência de problemas metabólicos graves.
A incidência de cetose severa e múltiplos distúrbios simultâneos caiu de 34,5% para 20% entre os animais suplementados com minerais orgânicos.
Outro resultado relevante foi a redução de aproximadamente 50% nos casos de claudicação (manqueira). A ocorrência de problemas de casco passou de 14,2% no grupo inorgânico para 7,4% no grupo suplementado com minerais orgânicos.
Suplementação melhora reprodução e retorno da atividade ovariana
Além dos impactos na saúde e metabolismo, os estudos também identificaram avanços nos índices reprodutivos.
A substituição completa dos minerais inorgânicos acelerou o retorno da atividade ovariana após o parto. Aos 42 dias de lactação, 75,2% das vacas suplementadas com minerais orgânicos apresentavam atividade ovariana e corpo lúteo funcional, contra 64,3% no grupo com minerais tradicionais.
Análises moleculares realizadas nos embriões também indicaram alterações positivas em 83 genes, favorecendo um ambiente uterino mais adequado ao desenvolvimento embrionário.
Os pesquisadores observaram ainda aumento de 42% na expressão do gene RTP4, considerado um importante marcador relacionado ao reconhecimento materno da gestação.
Benefícios chegam aos bezerros por meio da programação fetal
Outro avanço destacado pelas pesquisas foi a identificação de efeitos positivos que ultrapassam a matriz e chegam às crias.
O monitoramento dos recém-nascidos demonstrou maior eficiência do sistema imunológico celular, com aumento da concentração basal da citocina IFNγ e respostas mais rápidas diante de desafios sanitários.
A transferência de nutrientes pelo colostro e os efeitos da programação fetal contribuíram para reduzir significativamente doenças no período pré-desmame.
Entre as crias de vacas primíparas, a incidência de enfermidades clínicas caiu de 36,4% para 11,5% com a suplementação baseada em minerais orgânicos.
Ciência impulsiona uma pecuária leiteira mais eficiente
Os resultados apresentados no Agroleite 2026 reforçam uma tendência crescente na pecuária leiteira: a busca por tecnologias nutricionais capazes de aumentar eficiência produtiva, reduzir perdas e melhorar a saúde dos animais.
Com rebanhos cada vez mais produtivos, a nutrição de precisão passa a ser uma ferramenta estratégica para garantir maior longevidade das vacas, melhores índices reprodutivos e mais sustentabilidade econômica para as propriedades leiteiras.
A evolução dos estudos sobre minerais orgânicos mostra que a ciência tem papel fundamental na construção de sistemas de produção mais eficientes, rentáveis e preparados para os desafios da pecuária moderna.
Fonte: Portal do Agronegócio
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