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Pesquisas

Estudo da UNESP revela qual braquiária aumenta a produtividade do milho no consórcio

Pesquisa realizada em Jaboticabal mostra que o milho consorciado com braquiária híbrida Mavuno manteve a produtividade do cultivo solteiro, enquanto a ruziziensis reduziu a produção de grãos em 13%


Publicado em: 11/08/2026 às 10:35hs

Estudo da UNESP revela qual braquiária aumenta a produtividade do milho no consórcio

A escolha da braquiária para o consórcio com milho pode fazer diferença direta na produtividade e na rentabilidade da lavoura. É o que aponta um estudo desenvolvido na UNESP de Jaboticabal (SP), que identificou comportamentos distintos entre a braquiária híbrida Mavuno e a Urochloa ruziziensis quando cultivadas em conjunto com o milho.

Os resultados mostram que o milho consorciado com a braquiária híbrida Mavuno manteve produtividade equivalente à do milho solteiro. Já no sistema com ruziziensis, a produção de grãos caiu aproximadamente 13%.

A diferença entre os dois sistemas chegou a 1.332 quilos de milho por hectare, ou cerca de 22 sacas por hectare, evidenciando que a escolha da forrageira pode ser um dos fatores determinantes para o desempenho do consórcio.

Pesquisa avalia braquiárias e adubação nitrogenada

O trabalho, intitulado “A consorciação com braquiárias e a adubação nitrogenada afetam o desempenho do milho?”, foi desenvolvido pela engenheira agrônoma Tainá Garcia Paiares, sob orientação do professor Anderson Prates Coelho e coorientação do pesquisador Victor Augusto da Costa Escarela.

O objetivo foi avaliar o desempenho agronômico e produtivo do milho submetido a diferentes sistemas de cultivo, combinando braquiárias e doses de nitrogênio em cobertura.

O experimento foi realizado entre outubro de 2025 e abril de 2026, na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em Jaboticabal.

Foram comparados três sistemas:

  • milho cultivado solteiro;
  • milho consorciado com braquiária híbrida Mavuno;
  • milho consorciado com braquiária ruziziensis.

Além dos diferentes sistemas de cultivo, a pesquisa avaliou doses de nitrogênio aplicadas em cobertura.

Mavuno preserva produtividade do milho

O principal resultado da pesquisa está relacionado à produtividade de grãos.

No sistema com braquiária híbrida Mavuno, o milho apresentou produção equivalente à observada no cultivo solteiro. Isso significa que a presença da forrageira não comprometeu o potencial produtivo da cultura principal.

Já no consórcio com a braquiária ruziziensis, a produtividade do milho apresentou redução de aproximadamente 13%.

Na comparação direta entre os dois sistemas consorciados, o milho cultivado com Mavuno produziu 1.332 kg de grãos por hectare a mais do que o milho associado à ruziziensis.

Em termos de comercialização, essa diferença corresponde a aproximadamente 22 sacas de milho por hectare.

Diferença pode superar R$ 1,4 mil por hectare

Além do impacto agronômico, os resultados ajudam a dimensionar o possível efeito econômico da escolha da braquiária.

Considerando como referência o preço médio de R$ 65,55 por saca, apurado pelo Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Cepea) ao longo de julho de 2026, as 22 sacas adicionais por hectare associadas ao sistema com Mavuno representariam aproximadamente R$ 1.450 por hectare em receita bruta adicional, em uma comparação direta com o sistema utilizando ruziziensis.

Em uma propriedade de 100 hectares, a diferença poderia chegar a aproximadamente R$ 145 mil em receita bruta adicional com a produção de grãos, considerando exclusivamente essa referência de preço e sem descontar custos de produção, comercialização ou outros fatores econômicos.

O resultado reforça que a escolha da forrageira não deve ser analisada apenas pelo custo da semente. O comportamento da planta dentro do consórcio pode ter impacto relevante sobre a produtividade do milho e, consequentemente, sobre a receita da propriedade.

Crescimento inicial influencia competição com o milho

Segundo os resultados da pesquisa, uma das explicações para o desempenho superior do Mavuno está relacionada ao seu desenvolvimento inicial mais equilibrado.

Esse comportamento tende a reduzir a competição com o milho por recursos essenciais, como luz, água e nutrientes, especialmente durante as fases iniciais do desenvolvimento da cultura.

A ruziziensis, por outro lado, apresentou crescimento inicial mais agressivo no experimento. Essa característica aumentou a competição dentro do sistema e afetou parâmetros agronômicos importantes do milho.

Entre os efeitos observados estão alterações na altura das plantas, no diâmetro do colmo e nos componentes de produção, fatores que contribuíram para a redução da produtividade final.

O resultado mostra que, no consórcio, não basta avaliar o potencial produtivo da braquiária isoladamente. É necessário considerar também como a forrageira interage com a cultura do milho ao longo do ciclo.

Mavuno também se destaca na produção de biomassa

A pesquisa identificou ainda um desempenho expressivo da braquiária híbrida Mavuno quando cultivada exclusivamente.

Nesse sistema, o Mavuno acumulou 14.280 kg de matéria seca por hectare, enquanto a ruziziensis alcançou 9.603 kg de matéria seca por hectare.

A diferença demonstra o potencial da cultivar para formação de biomassa e amplia as possibilidades de utilização da forrageira em sistemas que buscam integrar produção de grãos, cobertura do solo e produção de forragem.

Esse aspecto ganha importância principalmente em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), nos quais a formação de massa vegetal é fundamental para a sustentabilidade e para a continuidade do sistema produtivo.

Consórcio de milho exige escolha estratégica da braquiária

A utilização de braquiárias no cultivo consorciado com milho vem ganhando espaço pelos benefícios associados à formação de palhada, conservação do solo, ciclagem de nutrientes e produção de biomassa.

No entanto, os resultados obtidos pela UNESP mostram que diferentes espécies e materiais genéticos podem apresentar comportamentos bastante distintos dentro do mesmo sistema.

Por isso, a escolha da forrageira precisa levar em consideração não apenas a produção de massa, mas também seu ciclo, velocidade de crescimento, capacidade de competição e interação com o milho.

Para Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, empresa responsável pelo desenvolvimento da braquiária híbrida Mavuno, os resultados reforçam a necessidade de analisar o consórcio como um sistema integrado.

“O consórcio deixou de ser apenas uma ferramenta para formação de palhada. Hoje, o produtor precisa pensar em um sistema que preserve a produção de grãos do milho e, ao mesmo tempo, entregue benefícios para o solo e para a produção de forragem.”

Pesquisa reforça importância do planejamento

Os resultados do estudo da UNESP indicam que a escolha da braquiária pode influenciar diretamente o desempenho do milho em sistemas consorciados.

Enquanto o Mavuno preservou a produtividade do milho em relação ao cultivo solteiro, a ruziziensis provocou uma redução de aproximadamente 13% na produção de grãos nas condições avaliadas.

Ao mesmo tempo, o maior acúmulo de matéria seca observado com o Mavuno demonstra que o material pode agregar benefícios relacionados à formação de biomassa.

Para Pontes, a pesquisa também evidencia que não existe uma única estratégia de consórcio válida para todas as situações.

"O consórcio não é uma receita única. Cada material tem um comportamento agronômico diferente e isso precisa ser considerado na tomada de decisão. Trabalhos como esse ajudam o produtor a escolher com base em evidências, entendendo como a braquiária híbrida Mavuno pode contribuir para preservar a produção de grãos do milho e fortalecer o sistema de produção como um todo.”

O que o estudo da UNESP mostra sobre milho e braquiária

Os resultados obtidos no experimento destacam cinco pontos principais para o planejamento do consórcio:

  1. Mavuno preservou a produtividade do milho: o milho consorciado apresentou desempenho equivalente ao cultivo solteiro.
  2. Ruziziensis reduziu a produção: o consórcio provocou queda de aproximadamente 13% na produtividade de grãos.
  3. Diferença de 22 sacas por hectare: o milho com Mavuno produziu 1.332 kg/ha a mais que o milho com ruziziensis.
  4. Potencial econômico: considerando R$ 65,55 por saca, a diferença representa cerca de R$ 1.450/ha em receita bruta adicional.
  5. Maior produção de biomassa: em cultivo exclusivo, o Mavuno acumulou 14.280 kg de matéria seca/ha, contra 9.603 kg/ha da ruziziensis.

Os dados reforçam que o sucesso do consórcio milho-braquiária depende da escolha adequada da forrageira e do planejamento do sistema como um todo. Para o produtor, a decisão pode representar não apenas maior produção de palhada e biomassa, mas também a preservação do rendimento do milho e maior eficiência econômica por hectare.

Fonte: Portal do Agronegócio

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