Milho: Mato Grosso colhe 99,1% da safra e projeta produção recorde de 57,39 milhões de toneladas
Colheita da segunda safra 2025/26 se aproxima do fim, enquanto demanda das usinas de etanol e mercado interno sustenta o consumo; clima e janela de plantio desafiaram produtores
Publicado em: 11/08/2026 às 10:30hs
Mato Grosso está praticamente encerrando a colheita do milho segunda safra 2025/26, com 99,10% da área já colhida até 8 de agosto. Mesmo diante dos desafios climáticos registrados ao longo do ciclo, o estado caminha para uma produção recorde de 57,39 milhões de toneladas, avanço de 3,53% em relação à temporada anterior.
Os dados fazem parte do relatório de agosto do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e têm como base o levantamento de safra realizado em campo em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT).
O resultado reforça a posição de Mato Grosso como principal produtor brasileiro de milho e evidencia a força da cultura no estado, impulsionada tanto pela demanda interna quanto pela expansão da indústria de etanol de milho.
Área plantada de milho cresce 2,41% em Mato Grosso
A área cultivada com milho em Mato Grosso foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, crescimento de 2,41% na comparação com a safra anterior.
A produtividade média foi mantida em 128,67 sacas por hectare.
Segundo o levantamento, o avanço da área plantada está relacionado à demanda interna aquecida e às condições de rentabilidade da cultura, que continuam estimulando os produtores mato-grossenses.
Para dimensionar a área cultivada e acompanhar a evolução das lavouras, o levantamento utiliza ferramentas de geoprocessamento e sensoriamento remoto, capazes de identificar as áreas de milho ao longo do ciclo e diferenciá-las de outras coberturas do solo.
Etanol de milho aumenta demanda pela produção
A indústria de etanol de milho tem papel cada vez mais relevante no mercado mato-grossense.
Para a temporada 2025/26, o Imea estima uma demanda total de 57,20 milhões de toneladas de milho, praticamente alinhada à produção projetada de 57,39 milhões de toneladas.
O consumo interno deve alcançar 22,10 milhões de toneladas, alta de 9,12% em relação à safra anterior.
O crescimento está diretamente associado à expansão e ao ritmo de operação das usinas de etanol de milho instaladas em Mato Grosso, que ampliam a demanda pelo cereal e fortalecem o mercado regional.
Mercado interestadual deve absorver 11 milhões de toneladas
Além do consumo dentro do próprio estado, o milho mato-grossense continua tendo papel estratégico no abastecimento de outras regiões brasileiras.
A expectativa é de que aproximadamente 11 milhões de toneladas sejam destinadas ao mercado interestadual na safra 2025/26, aumento de 6,18% em relação à temporada anterior.
O avanço ocorre em um contexto de menor produção em algumas regiões, ampliando a importância de Mato Grosso como fornecedor de milho para o mercado brasileiro.
Com a maior absorção pelo mercado doméstico, a projeção de exportações foi revisada para 24,10 milhões de toneladas, queda de 1,09% frente à estimativa anterior.
Chuvas e janela de plantio desafiaram produtores
Apesar do recorde projetado para a produção estadual, o desempenho das lavouras não foi uniforme.
Segundo Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja-MT, o excesso de chuvas registrado durante março e abril prejudicou algumas áreas, favorecendo o surgimento de doenças e reduzindo a eficiência da adubação nitrogenada.
“Na região Oeste, por exemplo, houve produtores que aumentaram a produção e muitos que perderam em relação ao ano passado.”
Para o dirigente, a janela de plantio foi um dos principais fatores a determinar o desempenho da safra.
Em algumas regiões, o plantio começou ainda no fim de setembro. No entanto, a ocorrência de chuvas fez com que parte das áreas fosse semeada posteriormente, inclusive a partir de meados de outubro.
O atraso levou algumas lavouras para plantios realizados no fim de janeiro e na segunda quinzena de fevereiro, aumentando a exposição das plantas a períodos de maior umidade.
Produtor de Porto dos Gaúchos colhe abaixo da expectativa
Em Porto dos Gaúchos, na região do Vale dos Arinos, o produtor rural Peterson Piovezan Staniszewski concluiu a colheita em 9 de julho.
Apesar dos investimentos realizados na lavoura, a produtividade ficou abaixo da expectativa inicial.
“Investimos um pouco mais em relação às últimas safras de milho, mas não chegou a agregar em produtividade. Ficamos dois sacos abaixo do que esperávamos.”
Com parte da produção armazenada em silo e silo bolsa na propriedade, o produtor aguarda melhores condições de mercado para comercializar o cereal.
Cerca de 20% da produção é destinada ao consumo na pecuária da própria fazenda. O restante deverá ser vendido, com expectativa de negociação em torno de R$ 50 por saca via cooperativa.
Estoques finais de milho recuam
O mercado também conta com um cenário de estoques mais ajustados.
Os estoques finais da temporada 2024/25 foram estimados em 974 mil toneladas, uma redução de 32,14% no mês.
Apesar de ainda permanecerem acima do nível registrado na safra 2023/24, os estoques menores podem contribuir para dar maior sustentação às cotações do milho, especialmente em períodos de maior demanda.
A combinação entre produção recorde, consumo interno crescente, expansão do etanol e necessidade de abastecimento de outros estados será determinante para o comportamento dos preços ao longo dos próximos meses.
Custos preocupam produtor para a próxima safra de milho
Com a colheita praticamente encerrada, produtores já começam a direcionar a atenção para a safra 2026/27.
O principal ponto de preocupação é o custo de produção.
Gilson Antunes de Melo afirma que a proximidade da decisão de plantio exige cautela, especialmente porque o milho ocupa uma parcela significativa das áreas cultivadas anteriormente com soja.
“A maior preocupação do produtor é o custo da próxima safra. É fechar a conta.”
O cenário exige atenção aos preços dos insumos, às cotações do milho e às condições climáticas previstas para o próximo ciclo.
Clima pode definir investimento na próxima safra
Peterson Piovezan Staniszewski ainda não concluiu a aquisição dos insumos para o próximo plantio.
O produtor afirma que possui um planejamento inicial, mas pretende ajustar o nível de investimento conforme o comportamento do mercado e as perspectivas climáticas.
“Tenho um planejamento, mas o mercado é que vai ditar se vamos seguir ou não.”
Entre os fatores de atenção está a possibilidade de um El Niño mais intenso, que poderia provocar alterações no regime de chuvas e atrasar o plantio da soja e, consequentemente, do milho segunda safra.
Um eventual atraso na implantação das lavouras poderia elevar o risco de perda de produtividade, tornando ainda mais importante o equilíbrio entre investimento, potencial produtivo e risco climático.
Mato Grosso consolida força no mercado brasileiro de milho
Com quase toda a área colhida e uma produção estimada em 57,39 milhões de toneladas, Mato Grosso caminha para registrar mais uma safra histórica de milho.
O desempenho, porém, ocorre em um ambiente que exige atenção dos produtores. De um lado, a expansão do etanol de milho, o consumo interno e a demanda interestadual fortalecem o mercado. De outro, custos elevados, clima e incertezas sobre a janela de plantio aumentam os riscos para o próximo ciclo.
Para a safra 2026/27, a estratégia deverá passar pelo equilíbrio entre custo de produção, produtividade, clima e expectativa de preços, fatores decisivos para a rentabilidade do milho mato-grossense.
Fonte: Portal do Agronegócio
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