Milho opera de lado em Chicago e na B3 antes de relatório do USDA; mercado mantém liquidez restrita no Brasil
Preços do milho futuro recuam levemente em Chicago nesta terça-feira (11), enquanto a B3 registra pouca oscilação; clima nos Estados Unidos, relatório do USDA, dólar e ritmo da colheita brasileira estão no radar dos investidores
Publicado em: 11/08/2026 às 11:20hs
O mercado de milho iniciou a terça-feira (11) com pouca direção definida nas principais bolsas. Em Chicago, os contratos futuros operavam com leves baixas, em um ambiente de negociação cautelosa antes da divulgação do novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Na B3, os contratos também apresentavam variações estreitas pela manhã, enquanto o mercado físico brasileiro seguia marcado por liquidez restrita, consumidores cautelosos e produtores limitando as ofertas.
O cenário internacional combina a atenção ao clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos com a expectativa pelos novos números de produção, produtividade e oferta e demanda do milho. No Brasil, o ritmo da colheita da segunda safra, o comportamento do dólar e a demanda das indústrias e exportadores continuam determinando o ritmo dos negócios.
Milho em Chicago recua antes do USDA
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de milho trabalhavam no campo negativo por volta das 9h20, pelo horário de Brasília.
O vencimento setembro de 2026 era negociado a US$ 4,36 por bushel, com queda de 1,50 ponto. O contrato dezembro de 2026 estava em US$ 4,60, recuando 1,25 ponto.
Já o vencimento março de 2027 era cotado a US$ 4,76, também com baixa de 1,25 ponto, enquanto o contrato maio de 2027 estava em US$ 4,85, com perda de 0,75 ponto.
O movimento reflete uma sessão de baixa volatilidade, com os agentes reduzindo a exposição antes de novas informações sobre a oferta norte-americana.
Segundo análise do mercado internacional, os futuros do milho permaneceram próximos da estabilidade durante a noite, em uma faixa estreita e com volume reduzido. A recente queda das cotações do petróleo também contribuiu para limitar o suporte aos preços.
USDA concentra as atenções do mercado
O principal fator de atenção nesta terça-feira está no relatório que será divulgado pelo USDA, com informações atualizadas sobre a produção agrícola norte-americana.
O documento deverá trazer as primeiras estimativas da safra de milho e soja baseadas em pesquisas realizadas diretamente com produtores, além da atualização mensal das projeções de oferta e demanda.
O mercado trabalha com a possibilidade de uma revisão para baixo da produtividade e da produção de milho nos Estados Unidos, além de uma perspectiva de oferta mais apertada para 2027.
As novas estimativas podem aumentar a volatilidade dos contratos futuros, especialmente caso os números de produtividade ou estoques se afastem das expectativas dos analistas.
Clima nos EUA segue no radar
Além do relatório do USDA, o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos continua sendo acompanhado de perto pelos participantes do mercado.
As condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras são determinantes para as estimativas de produtividade e, consequentemente, para o balanço global de oferta e demanda do cereal.
Por isso, qualquer mudança nas projeções de produção norte-americana pode provocar movimentos mais expressivos nas cotações de Chicago.
B3 tem pouca oscilação nesta terça-feira
No mercado brasileiro, os contratos futuros de milho negociados na B3 também apresentavam pouca movimentação no início da sessão.
Por volta das 9h28, o contrato setembro de 2026 era cotado a R$ 69,88 por saca, com alta de 0,01%.
O vencimento janeiro de 2027 estava em R$ 77,27, com valorização de 0,09%. Já o contrato março de 2027 era negociado a R$ 78,61, com queda de 0,09%, enquanto maio de 2027 estava em R$ 76,99, recuando 0,09%.
A movimentação ocorre após uma segunda-feira de valorização dos contratos brasileiros, influenciada principalmente pelo avanço do dólar.
Dólar ajuda a sustentar preços do milho no Brasil
A valorização da moeda norte-americana melhora a competitividade do milho brasileiro no mercado externo e pode estimular produtores a aumentar a comercialização.
Na segunda-feira, o contrato setembro de 2026 encerrou a sessão a R$ 69,87 por saca, avanço de R$ 1,05 no dia e de R$ 1,13 na comparação semanal.
O contrato novembro de 2026 terminou a R$ 74,60, alta de R$ 1,00, enquanto janeiro de 2027 fechou a R$ 77,20, com ganho de R$ 0,49.
Apesar da valorização na bolsa, o mercado físico permanece mais lento.
Mercado físico de milho segue com liquidez restrita
A comercialização do milho no mercado interno continua acontecendo de maneira pontual em importantes regiões produtoras.
Consumidores demonstram cautela nas compras, enquanto produtores seguram parte da oferta à espera de condições consideradas mais favoráveis de preço.
Segundo o cenário acompanhado pelo mercado, os embarques brasileiros permanecem abaixo dos níveis observados no mesmo período do ano passado. O atraso na colheita e os preços praticados nos portos também influenciam o ritmo de comercialização.
Preços do milho no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, as indicações de compra variam entre R$ 58,00 e R$ 63,00 por saca, com média estadual próxima de R$ 59,26.
As exportações ganharam ritmo no início de agosto, mas os negócios destinados ao mercado interno continuam ocorrendo de forma seletiva.
A combinação entre oferta regional, demanda e expectativa de exportação mantém os participantes mais cautelosos.
Santa Catarina tem demanda abaixo das referências
Em Santa Catarina, a referência de mercado está próxima de R$ 60,00 por saca, enquanto algumas indicações de compra aparecem ao redor de R$ 55,00.
A diferença entre os preços pedidos e os valores oferecidos reduz a liquidez e dificulta o avanço de negócios em algumas regiões.
Colheita da segunda safra avança no Paraná
No Paraná, a colheita do milho de segunda safra alcançou aproximadamente 52% da área, percentual inferior aos 75% registrados no mesmo período de 2025.
O atraso no avanço dos trabalhos mantém a oferta mais distribuída ao longo do tempo e influencia o comportamento dos vendedores.
Os preços ao produtor variam conforme a região. No Oeste paranaense, as referências chegam a aproximadamente R$ 53,14 por saca, enquanto no Norte Central os valores alcançam cerca de R$ 66,71.
Mato Grosso do Sul tem colheita atrasada
Em Mato Grosso do Sul, as cotações do milho permanecem entre R$ 48,00 e R$ 50,00 por saca em algumas praças.
A indústria de bioenergia vem ajudando a absorver parte da oferta regional, contribuindo para sustentar a demanda pelo cereal.
A colheita estadual atingiu cerca de 47% da área, abaixo dos 59% registrados um ano antes. As chuvas recentes reduziram o ritmo dos trabalhos em determinadas regiões.
O que pode movimentar o milho nos próximos dias?
O mercado de milho entra em uma fase de maior sensibilidade às informações de oferta e demanda.
Entre os principais fatores que devem influenciar as cotações estão:
- Relatório de produção e oferta e demanda do USDA;
- Condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos;
- Estimativas de produtividade da safra norte-americana;
- Comportamento do dólar frente ao real;
- Ritmo da colheita da segunda safra brasileira;
- Demanda das indústrias de ração e etanol;
- Fluxo das exportações brasileiras;
- Preços praticados nos portos;
- Ritmo de comercialização dos produtores.
Mercado de milho aguarda novas referências
Com Chicago operando próxima da estabilidade e a B3 registrando pouca oscilação, o mercado de milho adota uma postura defensiva antes da divulgação dos novos dados do USDA.
No Brasil, a combinação de colheita atrasada, oferta regional, demanda seletiva, dólar e exportações mantém os negócios físicos em ritmo moderado.
A divulgação das novas estimativas norte-americanas pode ser o principal gatilho para uma mudança de direção nos preços internacionais. No mercado doméstico, a reação dependerá também do câmbio e da velocidade com que o milho da segunda safra chegará ao mercado.
Por enquanto, o cenário é de mercado lateralizado, liquidez restrita e compradores e vendedores atentos aos próximos indicadores, em um momento decisivo para a formação dos preços do milho no Brasil e no exterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
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