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Pesquisas

Nova batata-doce biofortificada do IAC aumenta produtividade e conquista produtores com alto valor nutricional

Cultivar IAC Dom Pedro II, desenvolvida pelo Instituto Agronômico, alia alta produtividade, precocidade e elevado teor de betacaroteno, fortalecendo a competitividade da bataticultura brasileira.


Publicado em: 23/07/2026 às 13:00hs

Nova batata-doce biofortificada do IAC aumenta produtividade e conquista produtores com alto valor nutricional
Pesquisa pública impulsiona produtividade e transforma a produção de batata-doce em São Paulo

A pesquisa agropecuária desenvolvida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) está promovendo uma nova revolução na produção de batata-doce no Brasil. O lançamento da cultivar IAC Dom Pedro II, desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC), representa mais um avanço da ciência voltada ao campo, reunindo alta produtividade, qualidade nutricional e maior rentabilidade para os produtores.

A tecnologia já demonstra resultados expressivos nas lavouras do produtor rural Luiz Rocha, de Presidente Prudente (SP), cuja trajetória evidencia o impacto da pesquisa pública na modernização da agricultura brasileira.

Produtor dobrou a produtividade com tecnologias desenvolvidas pela APTA

A história começou em 1986, quando Luiz Rocha decidiu investir na produção de batata-doce após enfrentar dificuldades econômicas na cultura do tomate.

Quase quatro décadas depois, sua propriedade cultiva aproximadamente 160 hectares, produz cerca de 160 mil caixas por ano e abastece mercados nacionais e internacionais, exportando para Canadá, Holanda e países do Mercosul.

Segundo o produtor, a grande transformação ocorreu quando pesquisadores da APTA Regional de Presidente Prudente, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, introduziram mudas livres de vírus da tradicional variedade Canadense.

O trabalho foi conduzido pela pesquisadora Sônia Marangoni, permitindo um salto significativo na produtividade das lavouras.

"Ela foi a nossa madrinha. Produzíamos cerca de 600 caixas por hectare. Com a planta livre de vírus praticamente dobramos essa produtividade. Hoje colhemos mais que o dobro daquele período. Isso aconteceu graças à pesquisa", relata Luiz Rocha.

Qualidade da produção abriu portas para exportação

O avanço tecnológico não trouxe apenas aumento da produtividade.

A melhoria na qualidade das raízes permitiu ampliar mercados e consolidar a presença da produção paulista no comércio internacional.

Segundo Luiz Rocha, a inovação desenvolvida pelos pesquisadores tornou a atividade mais competitiva e preparada para atender aos exigentes padrões do mercado externo.

"O agro não evolui sem pesquisa. Os desafios aumentam a cada ano, e são os pesquisadores que ajudam o produtor a encontrar soluções. Tenho enorme gratidão à APTA e ao IAC. Sem esse trabalho, estaríamos estagnados", afirma.

IAC Dom Pedro II reúne produtividade elevada e alto valor nutricional

Depois dos resultados obtidos com tecnologias anteriores, Luiz Rocha voltou a apostar na pesquisa pública ao conhecer a nova cultivar IAC Dom Pedro II, desenvolvida pelo Instituto Agronômico por meio de melhoramento genético convencional, sem utilização de transgenia.

Além do elevado potencial produtivo, a cultivar apresenta um importante diferencial nutricional por ser biofortificada com altos níveis de betacaroteno, precursor da vitamina A.

O nutriente desempenha papel fundamental na saúde da visão, da pele e do sistema imunológico, além de contribuir para o combate à chamada fome oculta, caracterizada pela deficiência de vitaminas e minerais na alimentação.

Cultivar possui até 64 vezes mais carotenoides

Os estudos realizados pelo IAC demonstram que a IAC Dom Pedro II apresenta teor de carotenoides até 64,71 vezes superior ao observado nas cultivares de polpa branca mais cultivadas no Brasil.

Enquanto variedades convencionais possuem menos de 1 micrograma de betacaroteno por grama de polpa fresca, a nova cultivar alcança até 77 microgramas por grama.

Segundo os pesquisadores, o consumo de apenas 30 a 60 gramas da batata-doce é suficiente para suprir a necessidade diária de betacaroteno de um adulto.

Nova cultivar supera principais variedades em produtividade

Além dos benefícios nutricionais, a IAC Dom Pedro II apresenta desempenho agronômico superior às principais cultivares atualmente utilizadas no Estado de São Paulo.

A produtividade comercial média alcança 67,18 toneladas por hectare, representando:

  • 48,6% de produtividade superior à cultivar Canadense;
  • 74,9% acima da Mineirinha;
  • 120,99% superior à Uruguaiana.
  • Outro diferencial é o ciclo mais curto de produção, variando entre:
  • 100 a 120 dias na primavera/verão;
  • 120 a 150 dias no outono/inverno.

De acordo com o pesquisador do IAC Valdemir Antonio Peressin, responsável pelo desenvolvimento da cultivar, trata-se da batata-doce mais produtiva entre as principais variedades atualmente cultivadas no estado.

Produtor registra até 1.200 caixas por hectare

Luiz Rocha conheceu a nova cultivar antes mesmo do lançamento comercial e foi um dos primeiros produtores autorizados a cultivá-la.

Os resultados obtidos na propriedade confirmaram o elevado potencial produtivo da tecnologia.

Segundo ele, algumas áreas já atingem produtividade de até 1.200 caixas por hectare, desempenho bastante superior ao registrado anteriormente.

"É uma batata muito produtiva, saborosa e rica em betacaroteno. Tem todas as características para crescer no mercado."

Maior desafio é ampliar o consumo

Apesar dos excelentes resultados no campo, Luiz acredita que o principal desafio ainda é ampliar o conhecimento do consumidor sobre os benefícios da nova cultivar.

Segundo ele, o mercado reconhece a qualidade do produto, mas a procura ainda é limitada porque a batata-doce biofortificada permanece pouco conhecida pelo público.

"A dona de casa que experimenta aprova. O que falta é divulgação para que mais consumidores conheçam esse alimento."

Pesquisa fortalece segurança alimentar e competitividade do agro

A trajetória de Luiz Rocha demonstra como os investimentos em pesquisa agropecuária ultrapassam os laboratórios e geram impactos diretos na produção rural, aumentando produtividade, renda, competitividade e qualidade dos alimentos.

Com o desenvolvimento da IAC Dom Pedro II, a APTA e o Instituto Agronômico reforçam o papel estratégico da ciência na construção de uma agricultura mais inovadora, sustentável e preparada para atender às demandas da segurança alimentar, da nutrição e dos mercados nacional e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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