Estudo revela diferença de até 82 pontos na eficácia de baculovírus contra Spodoptera e reforça importância do controle de qualidade
Pesquisa da UFG mostra que qualidade dos bioinseticidas é decisiva no manejo da lagarta-do-cartucho e alerta para necessidade de maior controle dos produtos biológicos comercializados no Brasil
Publicado em: 27/07/2026 às 08:00hs
O avanço dos bioinsumos na agricultura brasileira tem ampliado o uso de bioinseticidas no manejo de pragas. Entretanto, um novo estudo conduzido pelo Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da Universidade Federal de Goiás (UFG) acende um alerta para o setor: a qualidade dos produtos disponíveis no mercado pode variar significativamente, impactando diretamente a eficiência no controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda).
Os ensaios laboratoriais apontaram diferenças expressivas entre os produtos avaliados. Enquanto um bioinseticida à base de baculovírus apresentou mortalidade média de até 87% das lagartas, outras quatro formulações comerciais registraram índices entre 5% e 28%, evidenciando a importância do controle de qualidade na fabricação desses insumos biológicos.
Pesquisa surpreende pesquisadores com diferenças de desempenho
Segundo a coordenadora do estudo, a professora e pesquisadora Karina Cordeiro Albernaz Godinho, a expectativa era encontrar diferenças entre os produtos, mas não em uma magnitude tão elevada.
De acordo com a pesquisadora, os cinco bioinseticidas avaliados foram adquiridos em revendas agrícolas, simulando exatamente as condições de compra enfrentadas pelos produtores rurais.
Os resultados indicam que parte dos produtos comercializados atualmente não apresenta desempenho compatível com o esperado para o manejo eficiente da praga.
Para a pesquisadora, o principal problema está relacionado à ausência de um controle de qualidade mais rigoroso por parte dos fabricantes.
Controle de qualidade pode definir o sucesso do manejo biológico
O estudo reforça que a eficiência dos baculovírus depende não apenas do princípio ativo, mas também da qualidade da formulação, da concentração viral e dos processos industriais utilizados durante a fabricação.
Segundo Karina Albernaz, poucas marcas conseguem entregar produtos com elevada eficiência, situação que pode comprometer a confiança dos agricultores justamente em um momento de forte expansão dos biodefensivos no Brasil.
A pesquisadora defende que cada lote de produtos biológicos seja submetido a testes antes da comercialização, garantindo maior segurança ao produtor e maior confiabilidade ao mercado.
Metodologia utilizou condições controladas de laboratório
Os ensaios foram realizados utilizando 120 lagartas de segundo ínstar por tratamento, mantidas sob condições controladas de temperatura, umidade e alimentação durante dez dias.
Cada produto foi aplicado na dose de 50 gramas ou 50 mililitros por hectare, conforme a formulação comercial.
Um dos destaques do experimento foi a rapidez de ação observada em um dos produtos avaliados, que atingiu aproximadamente 50% de mortalidade já no quarto dia após a aplicação, desempenho considerado expressivo para um bioinseticida.
Os pesquisadores também avaliam que o tipo de formulação, especialmente produtos em pó molhável, pode ter contribuído para a menor eficiência observada em parte das amostras.
Laboratório da UFG amplia atuação em produtos biológicos
Além da pesquisa científica, o Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da UFG informa possuir estrutura para atender empresas, consultores e produtores interessados em avaliações técnicas de produtos biológicos.
A instituição realiza estudos envolvendo eficácia, resistência de pragas e desenvolvimento de novas tecnologias para o manejo integrado de insetos de importância econômica.
Mercado de biodefensivos mantém forte expansão no Brasil
O estudo chega em um momento de crescimento acelerado do mercado brasileiro de produtos biológicos.
Segundo dados da consultoria Kynetec, o setor de biodefensivos agrícolas movimentou R$ 4,35 bilhões na safra 2024/25, registrando crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior.
A expansão reflete a crescente adoção de tecnologias sustentáveis pelos produtores, impulsionada pela busca por maior eficiência, redução do impacto ambiental e integração ao manejo de resistência de pragas.
Ensaios comerciais reforçam importância da qualidade dos bioinseticidas
De acordo com informações divulgadas pela AgBiTech Brasil, o bioinseticida Cartugen® Max, utilizado como referência no estudo, também apresentou elevado desempenho em avaliações realizadas em áreas comerciais.
A empresa informa que o produto foi testado em mais de 45 localidades cultivadas com soja, milho e algodão, registrando mortalidade média de 85% das lagartas, enquanto outros bioinseticidas avaliados apresentaram média próxima de 24%.
Os resultados reforçam que a qualidade das formulações pode ser determinante para o sucesso do controle biológico da Spodoptera frugiperda, uma das principais pragas das lavouras brasileiras.
Controle de qualidade deve ganhar protagonismo no mercado de bioinsumos
Com o crescimento acelerado do segmento de produtos biológicos, especialistas apontam que a consolidação do mercado dependerá não apenas da ampliação da oferta, mas também da padronização da qualidade dos produtos disponíveis.
A adoção de protocolos mais rigorosos de fabricação, certificação e controle poderá aumentar a confiança dos produtores e fortalecer o uso dos bioinsumos como ferramenta estratégica para uma agricultura mais produtiva, sustentável e eficiente.
Fonte: Portal do Agronegócio
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