Mosca-branca ameaça soja na safra 2026/27 e exige monitoramento antecipado
Calor intenso e períodos de seca associados ao El Niño podem favorecer a multiplicação da praga; pesquisador alerta para perdas de até 70% sem controle adequado
Publicado em: 11/09/2026 às 07:00hs
Os produtores de soja devem reforçar o monitoramento da mosca-branca (Bemisia tabaci) durante a safra 2026/27. A combinação de temperaturas elevadas e períodos de seca, esperada em áreas produtoras sob influência do El Niño, pode criar condições favoráveis para o crescimento das populações da praga.
O alerta é do pesquisador Germison Tomquelski, mestre e doutor em Agronomia e integrante da consultoria Desafios Agro, de Chapadão do Sul (MS). Segundo ele, a preparação antecipada e a identificação das primeiras infestações serão fundamentais para reduzir os riscos de prejuízos ao longo do ciclo da soja.
“A recomendação é que o produtor se prepare, monitore a lavoura e faça o controle no momento correto, ainda no início da infestação. Caso contrário, as perdas podem acompanhar a cultura durante todo o ciclo”, afirma.
El Niño pode favorecer avanço da mosca-branca
A mosca-branca apresenta maior capacidade de multiplicação em ambientes quentes e secos. Por isso, a possível prevalência dessas condições em importantes regiões produtoras de soja aumenta a preocupação para a temporada 2026/27.
Tomquelski acredita que o novo ciclo poderá registrar forte pressão da praga. Em temporadas anteriores marcadas por condições climáticas semelhantes, o aumento das infestações elevou a demanda por inseticidas específicos e chegou a provocar dificuldades de abastecimento no mercado.
Uma das ocorrências citadas pelo pesquisador foi observada na safra 2022/23, também influenciada pelo El Niño. Diante desse histórico, a orientação é planejar o manejo antes que as populações atinjam níveis críticos.
Mosca-branca pode causar perdas de até 70% na soja
Sem controle adequado, a mosca-branca pode provocar perdas estimadas entre 10% e 70% na produtividade da soja, de acordo com Tomquelski. Dependendo da intensidade do ataque e do potencial produtivo da área, o impacto pode variar de cinco a 30 sacas por hectare.
Os danos são provocados tanto pela alimentação do inseto quanto por seus efeitos indiretos. Ao sugar a seiva das plantas, a praga compromete o desenvolvimento e reduz o potencial produtivo da lavoura.
Além disso, a mosca-branca elimina uma substância açucarada sobre as folhas, favorecendo o aparecimento da fumagina. Esse fungo forma uma camada escura sobre o tecido vegetal, reduz a área fotossintética e prejudica o funcionamento da planta.
A praga também pode transmitir viroses capazes de atrasar o crescimento da soja, diminuir o peso dos grãos e comprometer o rendimento na colheita. Por esses impactos, é considerada pelo pesquisador uma das principais ameaças fitossanitárias da agricultura brasileira.
Monitoramento deve começar antes do fechamento da lavoura
A inspeção frequente dos folíolos é apontada como uma das principais medidas para identificar precocemente a infestação. O acompanhamento deve observar adultos, ovos e, principalmente, as primeiras ninfas presentes na face inferior das folhas.
Segundo Tomquelski, o produtor precisa intensificar as avaliações no período que antecede o fechamento das entrelinhas, etapa em que o avanço da massa foliar pode dificultar a cobertura das aplicações e a visualização da praga.
O pesquisador recomenda atenção quando forem encontradas entre duas e três ninfas por folíolo. A tomada de decisão, entretanto, deve considerar as condições da lavoura, o histórico da área e as orientações de um engenheiro-agrônomo.
“Faz muita diferença estar preparado, ter acesso aos produtos específicos e realizar o tratamento no momento correto. Quando o controle é atrasado, aumenta o risco de perdas expressivas”, ressalta.
Controle não deve seguir automaticamente o calendário de fungicidas
Um dos erros frequentes no manejo, segundo o especialista, é esperar a aplicação de fungicidas para incluir o inseticida destinado à mosca-branca na mesma operação.
Embora a associação de aplicações possa reduzir passadas de máquinas, o intervalo adequado para o manejo de doenças nem sempre coincide com o ciclo biológico da praga. A espera pode permitir o desenvolvimento de novas gerações e dificultar a redução da população.
Tomquelski explica que as reaplicações precisam ser determinadas pelo monitoramento e pelo modo de ação dos produtos, e não apenas pelo calendário de fungicidas.
“Muitas vezes, o produtor adota para a mosca-branca o mesmo intervalo usado no manejo de doenças. Dessa forma, pode não conseguir interromper o ciclo da praga”, observa.
Buprofezina atua principalmente sobre as formas jovens
Entre os ingredientes ativos disponíveis para o manejo da mosca-branca está a buprofezina, desenvolvida para atuar especialmente sobre as formas jovens do inseto.
Tomquelski participou dos trabalhos relacionados ao desenvolvimento do ingrediente ativo para essa finalidade. Segundo o pesquisador, a ação sobre as ninfas auxilia na interrupção do ciclo da praga e apresentou eficácia próxima de 80% nas avaliações realizadas.
O desempenho depende da aplicação no momento adequado, especialmente no início da infestação. Como o produto atua prioritariamente sobre os estágios jovens, o monitoramento das ninfas torna-se decisivo para o resultado do tratamento.
Manejo integrado ajuda a preservar eficiência do controle
O enfrentamento da mosca-branca deve combinar monitoramento, aplicação no momento correto e rotação de mecanismos de ação. A estratégia ajuda a reduzir a pressão de seleção e o risco de desenvolvimento de resistência aos inseticidas.
Também é importante evitar aplicações baseadas apenas no calendário, utilizar produtos registrados para a cultura e respeitar integralmente as recomendações de bula, as doses autorizadas, os intervalos de segurança e as orientações técnicas de um engenheiro-agrônomo.
No Brasil, a buprofezina é comercializada pela Sipcam Nichino sob a marca Fiera®. Conforme a companhia, o produto possui registro para o manejo de insetos sugadores e transmissores de patógenos na soja e em mais de 30 culturas, incluindo algodão, citros, feijão, milho, milheto, sorgo e tomate.
Com a possibilidade de uma safra marcada por calor e irregularidade das chuvas, a preparação antecipada pode definir a eficiência do controle. Para o produtor, acompanhar a lavoura desde os primeiros estádios será essencial para impedir que a mosca-branca se estabeleça e comprometa a produtividade da soja em 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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