Publicidade
Análise de Mercado

Exportações de soja crescem 18% em agosto, enquanto embarques de milho recuam 31%, aponta ANEC

Brasil exportou 9,6 milhões de toneladas de soja e 5 milhões de toneladas de milho no mês; demanda internacional também impulsionou preços do cereal e do farelo de soja nos portos


Publicado em: 10/09/2026 às 19:20hs

Exportações de soja crescem 18% em agosto, enquanto embarques de milho recuam 31%, aponta ANEC

As exportações brasileiras de soja alcançaram 9,6 milhões de toneladas em agosto de 2026, crescimento de 18,4% em relação às 8,1 milhões de toneladas embarcadas no mesmo mês do ano passado. O resultado reforçou o desempenho positivo do complexo soja, enquanto os embarques de milho perderam força na comparação anual.

Os dados constam no informativo mensal da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), que também destaca a sustentação dos preços do milho e do farelo de soja nos portos brasileiros. Mesmo com o avanço da colheita da segunda safra, a demanda externa e a menor disponibilidade imediata limitaram a pressão sobre as cotações.

Considerando soja, farelo de soja, milho, DDGS e sorgo, os embarques brasileiros totalizaram 17,13 milhões de toneladas em agosto, ante 17,48 milhões de toneladas no mesmo período de 2025.

Exportações de soja superam 94 milhões de toneladas no ano

Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil exportou 94,3 milhões de toneladas de soja em grão. O volume representa crescimento de aproximadamente 7% frente às 88,1 milhões de toneladas embarcadas nos oito primeiros meses de 2025.

Somente em agosto, as exportações chegaram a 9,59 milhões de toneladas, acréscimo de quase 1,49 milhão de toneladas na comparação anual.

Para setembro, o line-up — programação de navios nos portos — indica embarques de aproximadamente 7,74 milhões de toneladas. A redução mensal é considerada compatível com o movimento sazonal do mercado, que abre mais espaço nos terminais para o escoamento da segunda safra de milho.

A China permaneceu como o principal destino da soja brasileira, respondendo por 70% dos embarques acumulados entre janeiro e agosto. Na sequência aparecem Espanha, com 4%, e Tailândia, Turquia e Paquistão, com participações de 3% cada.

Clima nos Estados Unidos mantém mercado de soja em alerta

Além da demanda internacional, o mercado acompanhou atentamente as condições das lavouras nos Estados Unidos.

O calor intenso e a estiagem registrados em julho prejudicaram parte do desenvolvimento da soja norte-americana. Em agosto, a melhora das chuvas favoreceu o enchimento dos grãos em diferentes estados produtores.

No fim do mês, 58% das lavouras dos Estados Unidos eram classificadas em condições boas ou excelentes, abaixo dos 60% registrados na semana anterior.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta uma produção de 123 milhões de toneladas de soja no país. A Pro Farmer trabalha com uma estimativa superior, de 124,4 milhões de toneladas.

Milho perde ritmo nas exportações, apesar da safra recorde

As exportações brasileiras de milho somaram 5,03 milhões de toneladas em agosto, queda de 31,4% frente às 7,34 milhões de toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025.

Para setembro, a programação inicial aponta vendas externas de 5,2 milhões de toneladas. A ANEC ressalta, porém, que o line-up ainda está em formação e pode passar por revisões ao longo do mês.

A retração dos embarques em julho e agosto está relacionada à retenção do milho pelos produtores, à maior atratividade do mercado físico doméstico e às margens mais apertadas para exportação.

Parte dos produtores optou por armazenar o cereal e acompanhar os preços futuros negociados na B3. No mercado exportador, custos como frete, armazenagem, prêmios e movimentação portuária reduziram a competitividade do produto e dificultaram a originação.

Colheita da segunda safra chega a 96,6%

A colheita brasileira do milho segunda safra estava praticamente concluída no início de setembro. Até a primeira semana do mês, os trabalhos alcançavam 96,6% da área cultivada, praticamente em linha com a média de 96,5% dos últimos cinco anos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou sua estimativa para a produção brasileira de milho de 141,7 milhões para 143 milhões de toneladas.

O consumo doméstico também avançou e deve alcançar 95 milhões de toneladas em 2026. A demanda de indústrias, fábricas de ração e usinas de etanol contribui para aumentar a concorrência pelo cereal disponível.

No mercado externo, o Egito respondeu por 28% das exportações brasileiras de milho entre janeiro e agosto. Irã, com 14%, e Vietnã, com 12%, completaram a lista dos três maiores compradores.

Demanda sustenta milho no Porto de Santos

Apesar da entrada da segunda safra, o mercado brasileiro de milho encerrou agosto com preços sustentados. A demanda doméstica e o fluxo de exportações absorveram parte da oferta, evitando uma pressão mais intensa sobre os valores negociados nos portos.

A Platts, divisão da S&P Global Energy, avaliou o milho no mercado spot FOB Santos em US$ 240,83 por tonelada no dia 31 de agosto. A cotação acumulou alta de 8,7% no mês.

Nas primeiras semanas de agosto, a oferta avançou de maneira gradual em algumas regiões. Também houve relatos de atrasos na colheita e de problemas pontuais de qualidade relacionados à umidade dos grãos.

Na segunda metade do mês, as negociações ganharam força. Tradings ampliaram a procura por carregamentos previstos para outubro e novembro, enquanto usinas de etanol de milho elevaram a disputa pela produção da safrinha.

A estimativa da S&P Global Energy é de que o Brasil exporte 39 milhões de toneladas de milho no atual ano comercial.

Farelo de soja supera US$ 400 por tonelada

O farelo de soja também se valorizou em agosto, mesmo em um ano marcado por safra e processamento recordes no Brasil.

O preço spot do farelo de soja FOB Paranaguá alcançou US$ 401,35 por tonelada no fim do mês, avanço de 10,7% frente aos US$ 362,55 por tonelada registrados no encerramento de julho.

Foi a primeira vez desde outubro de 2024 que o produto superou a marca de US$ 400 por tonelada.

No Porto de Santos, o indicador SOYBEX avançou quase 10% e encerrou agosto em US$ 532,07 por tonelada, maior patamar desde dezembro de 2023.

A valorização foi sustentada pelas margens reduzidas de esmagamento, pela disponibilidade limitada de soja para algumas indústrias e pela demanda consistente pelos derivados.

Exportar soja ficou mais rentável do que processar

Com os preços elevados da matéria-prima, as indústrias brasileiras enfrentaram dificuldades para preservar as margens de processamento. Segundo agentes consultados pela S&P Global Energy, exportar a soja em grão chegou a ser cerca de 10% mais rentável do que realizar o esmagamento.

O cenário levou algumas processadoras, principalmente unidades menores do Paraná, a reduzir o ritmo das operações ou antecipar paradas para manutenção.

A possibilidade de uma oferta mais restrita de derivados nos meses seguintes fortaleceu os prêmios do farelo de soja no Porto de Paranaguá e estimulou negócios para embarques no quarto trimestre.

O mercado também foi influenciado pela paralisação temporária dos serviços de praticagem na Argentina no início de agosto. O movimento interrompeu embarques pelo corredor do Rio Paraná e gerou incertezas sobre o fornecimento do país, maior exportador mundial de farelo de soja.

Embora a paralisação tenha sido rapidamente encerrada, parte dos compradores internacionais voltou sua atenção para o produto brasileiro.

Exportações de farelo aumentam em agosto

O Brasil exportou 2,11 milhões de toneladas de farelo de soja em agosto, crescimento de 4,6% na comparação com as 2,02 milhões de toneladas registradas no mesmo mês de 2025.

Para setembro, o line-up da ANEC aponta embarques de aproximadamente 2,64 milhões de toneladas, volume 34,3% superior ao observado no mesmo período do ano anterior, caso a programação seja confirmada.

A Indonésia foi o principal destino do farelo brasileiro entre janeiro e agosto, com participação de 17%. Holanda e Tailândia responderam por 11% cada, enquanto o Irã representou 10% dos embarques.

Sorgo e DDGS ampliam presença na pauta exportadora

Além dos principais grãos, o informativo mostra avanço de produtos que vêm ganhando espaço nas exportações brasileiras.

Os embarques de DDGS, coproduto utilizado principalmente na alimentação animal, totalizaram 113,8 mil toneladas em agosto, volume quase seis vezes superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

As exportações de sorgo alcançaram 275,5 mil toneladas no período. Para setembro, a programação indicava embarques de aproximadamente 1,15 milhão de toneladas, embora o volume ainda dependesse da confirmação do line-up.

Portos se preparam para mudança sazonal dos embarques

Os números de agosto mostram uma mudança gradual na composição das exportações agrícolas brasileiras. A soja continua liderando os embarques, mas tende a perder espaço nos portos durante o segundo semestre, acompanhando o comportamento sazonal da safra.

Ao mesmo tempo, milho, farelo de soja, sorgo e DDGS passam a ocupar parcela maior da programação portuária.

A intensidade desse movimento dependerá da disposição dos produtores para comercializar, das margens das tradings, da demanda das usinas de etanol e das condições do mercado internacional. Custos logísticos, prêmios de exportação e oscilações dos preços nas bolsas também permanecerão no centro das negociações.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias