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Análise de Mercado

Exportações do Brasil aos EUA caem 9,7% em 2026 e agropecuária recua 26,7%

Vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto; carne bovina avançou, mas café, sebo, madeira, fumo e sucos enfrentaram forte retração


Publicado em: 10/09/2026 às 20:00hs

Exportações do Brasil aos EUA caem 9,7% em 2026 e agropecuária recua 26,7%

As exportações brasileiras para os Estados Unidos acumularam queda de 9,7% entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os embarques totalizaram US$ 24,1 bilhões, o menor valor registrado para os oito primeiros meses do ano desde 2023.

Os dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) com informações do Comex Stat. A retração representou uma perda de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em vendas ao mercado norte-americano.

A agropecuária apresentou o recuo mais intenso entre os três grandes setores analisados. As exportações do segmento diminuíram 26,7%, enquanto a indústria extrativa caiu 28,9% e a indústria de transformação registrou redução de 4,9%.

O desempenho contrasta com as vendas brasileiras para os demais mercados. Excluídos os Estados Unidos, as exportações da agropecuária cresceram 9,5% no período. Também houve avanço na indústria extrativa, de 19,6%, e na indústria de transformação, de 6,6%.

Exportações reagem em agosto, mas volume cai

Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos apresentaram recuperação em agosto. As vendas alcançaram US$ 3,19 bilhões, crescimento de 12,1% em relação ao mesmo mês de 2025.

O aumento, entretanto, foi sustentado pelos preços. A quantidade exportada caiu 17,3%, atingindo o menor volume para um mês de agosto desde 2021, enquanto o preço médio dos produtos embarcados avançou 35,7%.

A base de comparação também favoreceu o crescimento em valor, uma vez que agosto de 2025 já havia sido afetado pelo início das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

No mês, o Brasil importou US$ 4,01 bilhões em mercadorias norte-americanas, alta de 1,1%. Com isso, a balança comercial bilateral apresentou déficit de aproximadamente US$ 824 milhões para o Brasil.

Carne bovina ganha espaço no mercado norte-americano

A carne bovina foi um dos principais destaques positivos do agronegócio brasileiro. As exportações de carne fresca aos Estados Unidos movimentaram US$ 182,2 milhões em agosto, avanço de 385,1% sobre igual período de 2025. O volume embarcado aumentou 389,8%.

Entre janeiro e agosto, as vendas de carne bovina fresca totalizaram US$ 1,46 bilhão, crescimento de 62,2%. A quantidade exportada avançou 37,2%, enquanto o preço médio subiu 18,2%.

Somente os embarques de carne bovina congelada somaram US$ 1,29 bilhão nos oito primeiros meses de 2026, alta de 56,3% em valor e de 32,6% em quantidade.

O resultado demonstra a relevância do mercado norte-americano para a proteína bovina brasileira, mesmo em um cenário de maior pressão tarifária sobre outros produtos do agronegócio.

Café avança no mês, mas acumula forte queda no ano

As exportações de café não torrado aos Estados Unidos também cresceram em agosto. Os embarques geraram US$ 136,4 milhões, alta de 23,7% em valor e de 34,8% em quantidade. O preço médio, porém, recuou 8,3%.

No acumulado de janeiro a agosto, o cenário permanece negativo. As vendas de café não torrado somaram US$ 991,6 milhões, queda de 29,6% na comparação anual. O volume exportado diminuiu 28,1%.

De acordo com a análise, o recuo está relacionado principalmente à menor disponibilidade do produto após problemas climáticos que afetaram a safra brasileira. As exportações de café para os demais destinos também caíram, mas em proporção menor, com retração de 10,8% em valor.

Sobretaxas pressionam sebo, madeira, fumo e produtos agroindustriais

Os produtos submetidos às tarifas adicionais mais elevadas continuaram enfrentando dificuldades. Os itens sujeitos a alíquotas entre 25% e 37,5% registraram queda de 10,5% nas exportações de agosto.

No acumulado dos oito primeiros meses, esse grupo movimentou US$ 3,64 bilhões, retração de 29,1% diante de igual intervalo de 2025.

Entre os produtos mais afetados está o sebo bovino. As vendas para os Estados Unidos somaram US$ 231,7 milhões entre janeiro e agosto, queda de 39,4% em valor e de 43,5% em quantidade. Em agosto, isoladamente, os embarques recuaram 26,2%.

Outros segmentos ligados ao agronegócio e à indústria florestal também perderam mercado:

  • fumo não manufaturado: queda de 39,9% no acumulado do ano;
  • madeira de coníferas: retração de 55,3%;
  • portas e respectivos caixilhos: redução de 32,5%;
  • madeiras compensadas: recuo de 26,1%;
  • peptonas e derivados: baixa de 17,6%;
  • sucos de outras frutas: queda de 12,3%;
  • couros e peles de bovinos: retração de 16,2%.

O álcool etílico não desnaturado movimentou US$ 16 milhões em agosto, valor 11,4% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. Embora o volume tenha crescido 14,7%, o preço médio caiu 22,8%.

Suco de frutas perde receita com preços menores

As exportações brasileiras de sucos de frutas e vegetais aos Estados Unidos alcançaram US$ 588,1 milhões entre janeiro e agosto, queda de 44,3%.

A quantidade embarcada diminuiu 10,3%, mas o principal fator de pressão foi a desvalorização do produto: o preço médio recuou 37,9%.

Segundo o relatório, o desempenho foi influenciado pela redução das cotações internacionais e pelo enfraquecimento da demanda global. As vendas brasileiras de sucos aos demais mercados também caíram 29,1%.

Celulose apresenta estabilidade no acumulado

As exportações de celulose para os Estados Unidos somaram US$ 121 milhões em agosto, crescimento de 27,9%. O volume avançou 5,7%, acompanhado de aumento de 21,1% no preço médio.

No acumulado do ano, entretanto, as vendas ficaram praticamente estáveis, com receita de US$ 915,7 milhões e recuo de 1,9%. A quantidade exportada cresceu 2,8%, mas o preço médio diminuiu 4,5%.

Considerando especificamente a pasta química de madeira, os embarques alcançaram US$ 858,9 milhões entre janeiro e agosto, queda de 1,2%.

Minas Gerais registra queda de 21,9% nas exportações

São Paulo permaneceu como o principal estado exportador brasileiro para os Estados Unidos, com US$ 8,2 bilhões entre janeiro e agosto. O valor correspondeu a 34% dos embarques nacionais ao mercado norte-americano, apesar da queda anual de 6,2%.

Minas Gerais apareceu na terceira posição, com US$ 2,5 bilhões e participação de 10,3%. As exportações mineiras recuaram 21,9%, pressionadas pelo desempenho de produtos como café não torrado e ferro-gusa.

O Rio de Janeiro ocupou o segundo lugar, com US$ 3,9 bilhões e queda de 18,5%. Espírito Santo e Rio Grande do Sul exportaram US$ 2 bilhões e US$ 1 bilhão, respectivamente.

Importações de fertilizantes dos EUA crescem 24,1%

Enquanto as exportações brasileiras perderam força, as importações de fertilizantes norte-americanos avançaram. Entre janeiro e agosto, o Brasil comprou US$ 546 milhões em adubos e fertilizantes dos Estados Unidos, aumento de 24,1% em valor e de 14,3% em quantidade.

O preço médio das compras cresceu 8,5%. O movimento ocorreu na direção oposta das importações brasileiras provenientes dos demais fornecedores mundiais, que recuaram 1,2%.

No total, as importações brasileiras de produtos dos Estados Unidos somaram US$ 27,3 bilhões nos oito primeiros meses do ano, queda de 8,6%.

Déficit comercial com os EUA chega a US$ 3,2 bilhões

A queda das exportações brasileiras foi mais intensa do que a redução das importações. Como consequência, o déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos aumentou 0,9% e atingiu US$ 3,2 bilhões entre janeiro e agosto.

Mesmo com a retração, os Estados Unidos permaneceram como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China, e também como a segunda principal origem das importações do país.

O cenário reforça os desafios enfrentados pelos exportadores brasileiros diante das sobretaxas, da menor oferta de alguns produtos agropecuários e das mudanças nos preços internacionais. Ao mesmo tempo, o avanço da carne bovina mostra que determinados segmentos ainda encontram espaço para ampliar sua presença no mercado norte-americano.

  • Bens sem sobretaxa: US$ 13,1 bilhões | -8,3%
  • Bens com sobretaxa: US$ 11,0 bilhões | -11,4%
  • Produtos sujeitos a sobretaxas de 25%-37,5%: US$ 3,6 bilhões | -29,1%

Fonte: Portal do Agronegócio

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