EPAMIG integra instituto nacional que transforma biodiversidade brasileira em novos alimentos e impulsiona inovação no agro
Novo INCT FoRC, liderado pela USP, reúne universidades, centros de pesquisa e parceiros do setor produtivo para desenvolver alimentos funcionais, tecnologias sustentáveis e fortalecer as cadeias produtivas da biodiversidade brasileira.
Publicado em: 14/08/2026 às 08:00hs
A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) passa a integrar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Alimentos (INCT FoRC), uma iniciativa coordenada pela Universidade de São Paulo (USP) que pretende ampliar o aproveitamento da biodiversidade brasileira para o desenvolvimento de novos alimentos, ingredientes funcionais e tecnologias sustentáveis voltadas ao agronegócio e à indústria alimentícia.
O novo instituto reúne pesquisadores de diversas instituições brasileiras e internacionais em um amplo programa de pesquisa que conecta ciência, inovação e produção agropecuária. O objetivo é transformar o enorme potencial das espécies nativas brasileiras em soluções capazes de gerar valor econômico, fortalecer cadeias produtivas e promover uma alimentação mais saudável e sustentável.
Biodiversidade brasileira ainda é pouco explorada na alimentação
Embora o Brasil possua uma das maiores biodiversidades do planeta, apenas uma pequena parcela das espécies vegetais nativas é utilizada na produção de alimentos.
Quando o assunto envolve alimentos funcionais — aqueles que oferecem benefícios à saúde além da nutrição básica — esse aproveitamento é ainda mais limitado.
O INCT FoRC surge justamente para ampliar esse conhecimento, identificando compostos bioativos presentes em plantas brasileiras e transformando essas descobertas em novos ingredientes, produtos alimentícios e oportunidades para produtores rurais e empresas.
Pesquisa conecta campo, indústria e ciência
Coordenado pela USP, o instituto reúne especialistas da:
- Universidade Federal de São Paulo (Unifesp);
- Universidade Federal do Paraná (UFPR);
- Universidade Federal da Bahia (UFBA);
- Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB);
- EPAMIG;
- Fundecitrus;
- startups de base tecnológica;
- parceiros internacionais.
A proposta é integrar diferentes áreas do conhecimento, acelerando a transformação das pesquisas em aplicações práticas para o setor produtivo.
Segundo a coordenadora-geral do INCT FoRC, Bernadette D. G. M. Franco, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, o novo instituto consolida um modelo de pesquisa multidisciplinar voltado à solução de desafios reais.
"O objetivo é estudar toda a jornada dos alimentos, desde sua origem na natureza até sua aplicação na promoção da saúde humana e na produção sustentável, aproximando ciência, produtores rurais e indústria."
Três plataformas impulsionam inovação em alimentos
As pesquisas do instituto serão desenvolvidas em três grandes frentes estratégicas.
- Prospecção da biodiversidade: Os pesquisadores irão identificar espécies vegetais brasileiras com potencial para a obtenção de compostos bioativos e ingredientes capazes de agregar valor à cadeia de alimentos.
- Desenvolvimento de novas tecnologias: Outra plataforma será dedicada ao desenvolvimento de processos biotecnológicos sustentáveis para obtenção de novos ingredientes, alimentos funcionais e produtos inovadores destinados ao mercado.
- Fortalecimento das cadeias produtivas: O instituto também atuará diretamente junto aos produtores rurais, cooperativas, empresas e formuladores de políticas públicas, promovendo capacitação, transferência de tecnologia e estudos sobre os impactos econômicos, sociais e ambientais das cadeias produtivas ligadas à biodiversidade.
Ciência aplicada para gerar inovação no agronegócio
Além da produção científica, o INCT FoRC pretende ampliar a geração de tecnologias, patentes, novos negócios e formação de profissionais altamente qualificados.
O vice-coordenador-geral do instituto, Eduardo Purgatto, destaca que a participação de startups, empresas de base tecnológica e instituições ligadas ao setor agropecuário permitirá direcionar as pesquisas para demandas concretas enfrentadas pelas cadeias produtivas brasileiras.
Segundo ele, essa integração facilita a transferência do conhecimento científico para soluções que possam ser adotadas diretamente no campo e pela indústria de alimentos.
Investimentos fortalecem pesquisas pelos próximos cinco anos
O novo instituto é resultado da evolução do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), criado em 2014 com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Agora, na condição de Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, o projeto contará com R$ 10 milhões em investimentos ao longo dos próximos cinco anos, recursos provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fapesp e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Os investimentos permitirão ampliar pesquisas, desenvolver tecnologias inovadoras e fortalecer a cooperação entre universidades, centros de pesquisa, setor produtivo e instituições públicas.
Pesquisa fortalece o futuro da bioeconomia brasileira
A participação da EPAMIG no INCT FoRC reforça o papel da pesquisa agropecuária na construção de uma bioeconomia baseada na biodiversidade nacional.
Ao integrar ciência, inovação, sustentabilidade e produção rural, o instituto pretende ampliar o uso de espécies nativas brasileiras, gerar novos alimentos de alto valor agregado e criar oportunidades para produtores, agroindústrias e empresas que atuam nas cadeias da alimentação.
A iniciativa representa um passo estratégico para transformar a riqueza biológica do Brasil em inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável, consolidando o país como referência internacional na pesquisa em alimentos e no aproveitamento da biodiversidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
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