Pesquisas

Embrapa lança projeto CaatÁgua para aumentar resistência das lavouras à seca no Semiárido

Iniciativa busca bioestimulantes e controle biológico para reduzir perdas na agricultura familiar


Publicado em: 23/03/2026 às 15:00hs

Embrapa lança projeto CaatÁgua para aumentar resistência das lavouras à seca no Semiárido
Foto: Saulo Coelho
Tecnologia para combater a seca e fortalecer a produção familiar

A Embrapa iniciou o projeto CaatÁgua, com objetivo de enfrentar um dos maiores desafios da agricultura familiar no Semiárido brasileiro: a perda de produtividade causada pela seca. A iniciativa desenvolverá um bioestimulante para aumentar a tolerância das plantas ao estresse hídrico e adaptará tecnologias de controle biológico de pragas às condições climáticas da região.

O projeto, aprovado no edital Cadeias Socioprodutivas da Agricultura Familiar e Sistemas Agroalimentares – ICT, da Finep, terá duração de 36 meses e reúne equipes de cinco estados: Paraíba, Ceará, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Segundo o pesquisador Paulo Barroso, da Embrapa, a proposta busca soluções voltadas à realidade da agricultura familiar do Semiárido: “A ideia é criar tecnologias baseadas em microrganismos nativos, capazes de ajudar as plantas a suportar períodos de seca e, ao mesmo tempo, melhorar o controle de pragas em sistemas com pouca irrigação.”

Demanda de agricultores motiva pesquisa aplicada

O projeto surgiu de demandas apresentadas por agricultores familiares, que apontam a estiagem como principal causa de perdas nas lavouras. Em anos de chuva regular, outro desafio se intensifica: a alta incidência de insetos-praga que afetam culturas essenciais como feijão-caupi, milho e algodão.

Para enfrentar esses problemas, o CaatÁgua combinará tecnologias microbianas com estratégias de manejo integrado de pragas, buscando aumentar a eficiência no uso da água, reduzir perdas agrícolas e melhorar a estabilidade produtiva das propriedades familiares.

Microrganismos da Caatinga como base de soluções

Parte das tecnologias do projeto terá origem em pesquisas da Embrapa Meio Ambiente, que desenvolveu o bioestimulante Auras, a partir da bactéria Priestia aryabhattai. O produto utiliza microrganismos isolados na Caatinga, um dos biomas mais diversos do país, e já foi estudado para amenizar os efeitos da estiagem.

Outro eixo do CaatÁgua é o controle biológico de pragas. Pesquisadores das unidades da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Algodão e Embrapa Meio Ambiente reuniram uma ampla coleção de fungos entomopatogênicos. Parte dessas linhagens será adaptada para as condições do Semiárido, caracterizadas por altas temperaturas, baixa irrigação e acesso limitado a equipamentos agrícolas.

Testes participativos em propriedades rurais

A validação das tecnologias será realizada com a Rede Borborema de Agroecologia, formada por agricultores familiares da Paraíba que cultivam algodão orgânico em consórcios com alimentos. Parte dos experimentos ocorrerá diretamente nas propriedades, garantindo que as soluções sejam adequadas à realidade do campo.

Mais de 70% das áreas cultivadas por agricultores familiares no Semiárido são ocupadas por feijão-caupi e milho. Ao fortalecer essas culturas e o cultivo agroecológico do algodão, o projeto pretende reduzir perdas e ampliar a segurança alimentar das famílias.

Fortalecimento da agroecologia e manejo sustentável

O CaatÁgua também visa consolidar sistemas agroecológicos de produção de algodão no Nordeste, integrando o cultivo da fibra com alimentos como feijão, milho e gergelim, ampliando diversidade produtiva e renda das famílias.

Além do bioinoculante, o projeto aprimorará protocolos de manejo integrado de pragas que utilizem entomopatógenos e parasitoides, compatíveis com sistemas orgânicos e agroecológicos. Espera-se reduzir impactos ambientais, como contaminação do solo e da água, e proteger polinizadores e inimigos naturais das pragas.

Capacitação e impacto social

Durante os três anos de execução, serão realizados cursos, oficinas e materiais educativos para agricultores, formando multiplicadores de práticas sustentáveis e fortalecendo redes comunitárias.

Ao final do projeto, os pesquisadores esperam entregar dois resultados principais: um bioinoculante osmotolerante e um protocolo de manejo integrado de pragas adaptado ao Semiárido. As tecnologias terão uso livre por organizações da agricultura familiar, ampliando a resiliência produtiva, a renda das famílias e o aproveitamento da biodiversidade da Caatinga como fonte de inovação agrícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

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