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Pesquisas

Bioinsumos ganham força na América Latina e estudo da FAO aponta potencial de redução de custos e aumento da produtividade agrícola

Pesquisa da FAO analisa experiências em cinco países e mostra que biofertilizantes, bioestimulantes e agentes de biocontrole podem ampliar a rentabilidade, fortalecer a sustentabilidade e reduzir a dependência de insumos convencionais


Publicado em: 27/07/2026 às 15:00hs

Bioinsumos ganham força na América Latina e estudo da FAO aponta potencial de redução de custos e aumento da produtividade agrícola

A adoção de bioinsumos na agricultura da América Latina e Caribe apresenta potencial econômico e financeiro positivo para produtores rurais, segundo novo estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A pesquisa aponta que tecnologias baseadas em microrganismos, plantas e outros recursos biológicos podem contribuir para reduzir custos de produção, melhorar a produtividade e aumentar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

O estudo, intitulado “Estudos de caso de adoção e produção de bioinsumos na América Latina: uma análise de custos e benefícios”, reúne evidências de experiências realizadas em cinco países da região: Argentina, Bolívia, Brasil, Costa Rica e México.

A análise destaca, porém, que os resultados econômicos dependem de fatores como cultura agrícola, tipo de solo, condições climáticas, escala produtiva, tecnologia empregada e capacidade de manejo dos produtores.

América Latina lidera expansão global dos bioinsumos

A América Latina e o Caribe são atualmente a região do mundo com maior ritmo de crescimento no uso de bioinsumos, com expansão anual estimada superior a 10%.

Segundo a FAO, enquanto a média global de adoção de produtos como biofertilizantes, bioestimulantes e agentes de controle biológico está em torno de 38% dos produtores, o Brasil apresenta uma das maiores taxas de utilização, alcançando aproximadamente 67% de adoção.

O avanço ocorre em meio a um cenário de maior busca por alternativas aos insumos tradicionais, especialmente após a forte elevação dos preços dos fertilizantes no mercado internacional.

A crise global provocada pelo aumento dos custos do gás natural e pelos impactos da guerra na Ucrânia elevou a preocupação dos países produtores com a segurança de abastecimento. Em 2022, o valor das importações de fertilizantes na América Latina e Caribe aumentou 137%, segundo dados apresentados pela FAO.

Bioinsumos podem reduzir dependência de fertilizantes e defensivos

O estudo aponta que os bioinsumos podem desempenhar papel estratégico na agricultura ao contribuir para:

  • redução dos custos de produção;
  • melhoria da fertilidade e qualidade dos solos;
  • aumento da eficiência no uso de nutrientes;
  • maior resistência dos cultivos a desafios ambientais;
  • redução dos impactos ambientais da atividade agrícola.

Além disso, a utilização dessas tecnologias pode ampliar a competitividade dos produtores diante de mercados internacionais que exigem padrões cada vez mais rigorosos de sustentabilidade e segurança alimentar.

Estudo avaliou diferentes modelos de produção e uso

A pesquisa da FAO analisou três principais estratégias de utilização de bioinsumos:

  • aplicação de produtos comerciais em sistemas agrícolas convencionais;
  • produção de bioinsumos dentro das próprias propriedades rurais;
  • implantação de biofábricas associativas ou cooperativas.

Os pesquisadores avaliaram diferentes culturas e sistemas produtivos, considerando desde pequenos produtores até modelos empresariais.

Entre os casos analisados, a aplicação de bioinsumos comerciais em culturas como cana-de-açúcar no México e soja e uva na Bolívia apresentou resultados positivos, com aumento da rentabilidade devido ao ganho de produtividade ou redução dos custos operacionais.

Já os sistemas baseados em bioinsumos produzidos dentro das propriedades apresentaram resultados mais variados. Em algumas situações, o aumento da necessidade de mão de obra reduziu parte dos ganhos econômicos.

Produção própria exige controle técnico e qualidade

De acordo com a FAO, a produção de bioinsumos dentro das propriedades pode ser uma alternativa competitiva, principalmente em regiões afastadas dos centros de distribuição.

No entanto, a organização alerta que o sucesso depende da adoção de protocolos técnicos adequados, controle de qualidade e garantia da eficiência e segurança dos produtos utilizados.

A pesquisa também indica que biofábricas cooperativas podem apresentar viabilidade financeira quando dimensionadas de acordo com a demanda regional e quando utilizam infraestrutura e recursos disponíveis no território.

Bioinsumos podem abrir novas oportunidades para exportações agrícolas

Além dos benefícios econômicos, a FAO destaca impactos ambientais associados ao uso de bioinsumos, como:

  • redução das emissões de gases de efeito estufa;
  • maior eficiência no uso da água;
  • melhoria da saúde dos solos;
  • estímulo à biodiversidade.

Os pesquisadores ressaltam que esses benefícios podem estar subestimados devido à falta de dados suficientes para medir todos os efeitos positivos dessas tecnologias.

Outro ponto destacado é que a adoção de bioinsumos pode facilitar o acesso a mercados internacionais mais exigentes, especialmente para produtos como café, cacau, banana e abacate, ao contribuir para o cumprimento de limites de resíduos de pesticidas.

FAO recomenda políticas públicas e investimentos em bioinsumos

Com base nos resultados obtidos, a FAO recomenda o fortalecimento de políticas públicas e investimentos para acelerar a adoção dos bioinsumos na agricultura latino-americana.

Entre as principais medidas sugeridas estão:

  • ampliar linhas de financiamento para produtores;
  • fortalecer assistência técnica e capacitação rural;
  • incentivar pesquisas científicas sobre eficiência dos produtos;
  • aprimorar sistemas de controle de qualidade;
  • desenvolver marcos regulatórios que aumentem a confiança do mercado.

Segundo a organização, a expansão dos bioinsumos representa uma oportunidade para tornar os sistemas agrícolas mais resilientes, competitivos e sustentáveis, reduzindo vulnerabilidades relacionadas aos preços internacionais de fertilizantes e fortalecendo a agricultura de baixo impacto ambiental.

Fonte: Portal do Agronegócio

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