Arroz com feijão melhora qualidade da dieta, reduz custos e gera menor impacto ambiental, aponta estudo
Pesquisa com mais de 46 mil brasileiros identificou 44,5% menos inadequações nutricionais entre os maiores consumidores da combinação tradicional
Publicado em: 27/08/2026 às 12:30hs
Presente diariamente na mesa de milhões de brasileiros, a combinação de arroz com feijão pode oferecer benefícios que vão além da tradição e do sabor. Um estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens-USP) associou o maior consumo desses alimentos a uma dieta nutricionalmente mais adequada, econômica e sustentável.
Publicada na revista científica Public Health Nutrition, a pesquisa analisou informações de 46.164 pessoas de todas as regiões do Brasil. Entre os participantes que mais consumiam arroz e feijão, a ocorrência de inadequações nutricionais foi 44,5% menor.
O indicador considerado pelo estudo reúne tanto a ingestão insuficiente de fibras, vitaminas e minerais quanto o consumo excessivo de açúcar, sódio e gorduras.
Dieta com arroz e feijão custa 38% menos
Além do resultado nutricional, os pesquisadores identificaram vantagens econômicas e ambientais. As refeições dos maiores consumidores de arroz e feijão apresentaram custo 38% menor em comparação com as dietas dos grupos que consumiam menos a combinação.
O padrão alimentar também esteve associado a uma redução de 17,6% na pegada de carbono e de 21% no uso de água relacionado à produção dos alimentos.
Os dados reforçam o potencial da dupla para integrar uma alimentação acessível e de menor impacto ambiental, especialmente quando comparada a padrões baseados em produtos ultraprocessados.
Combinação oferece nutrientes complementares
O equilíbrio nutricional do prato está relacionado à complementaridade entre os dois alimentos. O arroz fornece principalmente carboidratos, responsáveis por oferecer energia ao organismo, enquanto o feijão acrescenta fibras, proteínas vegetais, vitaminas do complexo B e minerais.
Entre os minerais encontrados no feijão estão ferro, magnésio e potássio. Segundo a nutricionista Raissa Gorczevski, do Hospital Moinhos de Vento, os aminoácidos presentes em menor quantidade em um dos alimentos são compensados pelo outro, melhorando a qualidade da proteína vegetal oferecida pela refeição.
As fibras do feijão também retardam a digestão, enquanto as proteínas prolongam a sensação de saciedade. Esse efeito contribui para uma absorção mais gradual dos carboidratos e pode ajudar no controle da fome entre as refeições.
Maior consumo está ligado à menor presença de ultraprocessados
O estudo também relacionou o maior consumo de arroz e feijão a uma participação reduzida de alimentos ultraprocessados na dieta.
Esses produtos geralmente apresentam alta densidade energética e menor concentração de nutrientes quando comparados aos alimentos in natura ou minimamente processados. Suas formulações também podem favorecer o consumo frequente e em grandes quantidades.
De acordo com o nutrólogo Diego Nunes, do Hospital Moinhos de Vento, padrões alimentares com elevada presença de ultraprocessados são associados pela literatura científica ao aumento dos riscos de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.
O especialista ressalta que arroz e feijão devem integrar uma alimentação equilibrada, acompanhada por vegetais e outras fontes de nutrientes. Nesse contexto, a combinação pode contribuir para a prevenção de doenças crônicas e para a manutenção de hábitos alimentares mais saudáveis.
Arroz está presente em 91,1% dos lares brasileiros
O arroz mantém elevada presença na alimentação nacional. Pesquisa da Worldpanel by Numerator, encomendada pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), mostrou que o cereal foi consumido semanalmente em 91,1% dos lares brasileiros.
O levantamento, realizado entre outubro de 2024 e setembro de 2025, indica que o arroz esteve presente em 21,7 bilhões de refeições no período. O consumo ocorreu principalmente no almoço e no jantar.
O feijão continua ocupando posição central como principal acompanhamento do cereal, preservando uma das combinações mais características da culinária brasileira.
Novas formas de preparo ampliam consumo
Embora a dupla tradicional permaneça dominante, o levantamento identificou mudanças na forma como o arroz é consumido. O cereal aparece com maior frequência em preparações que incluem vegetais e diferentes fontes de proteína.
Para o presidente da Abiarroz, Renato Franzner, esse movimento revela a permanência de hábitos culturais e, ao mesmo tempo, uma busca crescente por refeições práticas e equilibradas.
A combinação de arroz com feijão reúne fatores importantes para a segurança alimentar: ampla disponibilidade, custo acessível, complementaridade nutricional e adaptação a diferentes preparações.
Os resultados do estudo do Nupens-USP reforçam que valorizar alimentos tradicionais e minimamente processados pode melhorar a qualidade da alimentação, reduzir despesas das famílias e diminuir os impactos ambientais ligados ao consumo alimentar.
Fonte: Portal do Agronegócio
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