Publicidade
Agricultura Precisão

Inteligência artificial e agricultura de precisão criam novas profissões no agronegócio

Digitalização das máquinas e das operações agrícolas aumenta a demanda por profissionais que combinam conhecimento do campo, tecnologia, dados, automação e eletrônica


Publicado em: 24/09/2026 às 08:00hs

Inteligência artificial e agricultura de precisão criam novas profissões no agronegócio

A transformação digital do agronegócio brasileiro está mudando não apenas a forma como as atividades agrícolas são executadas, mas também o perfil dos profissionais que trabalham no campo. A expansão da agricultura de precisão, da telemetria, da conectividade, da automação e da inteligência artificial (IA) vem criando novas funções e ampliando a necessidade de qualificação técnica.

Máquinas agrícolas passaram a incorporar sensores, softwares, sistemas de comunicação e ferramentas capazes de coletar e processar grandes volumes de informações. Com isso, profissionais que antes atuavam exclusivamente na operação ou manutenção dos equipamentos precisam cada vez mais compreender dados, eletrônica embarcada e tecnologias digitais.

Esse movimento ocorre em paralelo à expansão do mercado de trabalho no agronegócio. Dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que o setor empregou 28,4 milhões de pessoas em 2025, o equivalente a 26,3% dos ocupados no país.

Na comparação com 2024, foram mais de 600 mil novos postos de trabalho. O levantamento também registrou crescimento de 8,3% no número de trabalhadores com ensino superior e de 4,2% entre aqueles com ensino médio.

Operador de máquinas ganha novas funções

A evolução tecnológica dos equipamentos agrícolas está entre os principais fatores responsáveis pela mudança no perfil profissional.

Segundo Vitor Kaminski, gerente de treinamento técnico da AGCO, empresa detentora da marca Massey Ferguson, o operador de máquinas deixou de exercer apenas uma função operacional.

Com a incorporação de tecnologias digitais, esse profissional também precisa compreender as informações produzidas pelos equipamentos e utilizá-las para melhorar o desempenho das atividades.

O mesmo processo ocorre na manutenção. Mecânicos agrícolas passaram a trabalhar com softwares de diagnóstico, sensores, módulos eletrônicos e sistemas conectados, além dos componentes mecânicos tradicionais.

Na prática, a modernização das máquinas aproxima cada vez mais as áreas de mecânica, eletrônica, agronomia e tecnologia da informação.

Máquinas agrícolas se transformam em plataformas digitais

Recursos como piloto automático, controle de seções, aplicação em taxa variável, telemetria e plataformas digitais de gestão já fazem parte da realidade de propriedades que adotam agricultura de precisão.

Essas tecnologias permitem acompanhar indicadores relacionados ao desempenho das máquinas, consumo de combustível, qualidade das operações e utilização dos equipamentos.

A inteligência artificial amplia esse potencial ao permitir a análise de grandes volumes de dados e a geração de informações que podem auxiliar na tomada de decisões.

Nesse cenário, o profissional deixa de apenas operar ou reparar uma máquina e passa a atuar também na configuração, interpretação de informações, diagnóstico e otimização do equipamento.

“Hoje, as máquinas são plataformas tecnológicas. Elas geram dados, se comunicam com outros sistemas e oferecem informações que ajudam o produtor a tomar decisões mais rápidas e assertivas”, explica Kaminski.

Para o especialista, a qualificação dos profissionais é fundamental para que os recursos tecnológicos sejam efetivamente convertidos em ganhos de eficiência no campo.

Quais são as novas profissões do agro digital?

A digitalização também está abrindo espaço para carreiras que até pouco tempo tinham pouca presença no setor agropecuário.

O estudo “Profissões Emergentes na Era Digital”, elaborado pelo SENAI em parceria com a GIZ, aponta funções relacionadas diretamente à integração entre tecnologia e produção agrícola.

Entre os exemplos estão:

  • Cientista de dados agrícolas: analisa informações para apoiar decisões relacionadas à produção;
  • Engenheiro agrônomo digital: combina conhecimentos agronômicos com ferramentas tecnológicas aplicadas ao campo;
  • Engenheiro de automação agrícola: trabalha na integração de sistemas inteligentes às operações agrícolas;
  • Técnico em agricultura digital: utiliza soluções tecnológicas para melhorar processos e operações;
  • Técnico em agronegócio digital: atua na aplicação de ferramentas digitais à gestão da produção.

A tendência é que essas funções convivam com profissões tradicionais, que também passam por um processo de transformação tecnológica.

Agricultura de precisão amplia espaço para especialistas

Um exemplo desse novo perfil profissional é Marlon Ferreira, engenheiro mecânico especializado em máquinas agrícolas e agricultura de precisão da Massey Ferguson.

Sua atuação combina engenharia, tecnologia embarcada e análise de dados para transformar as informações produzidas pelas máquinas em indicadores que podem contribuir para a gestão das operações.

Entre as atividades estão calibração e otimização de equipamentos, análise de desempenho operacional, interpretação de dados de telemetria e capacitação de operadores e equipes técnicas.

O trabalho também envolve projetos de eficiência energética, utilizando diagnóstico técnico e análise de dados para buscar redução do consumo de combustível e melhor aproveitamento da energia utilizada pelos equipamentos.

A análise das condições reais de operação permite estabelecer estratégias de utilização das máquinas que buscam preservar produtividade, segurança e confiabilidade.

“O futuro do agronegócio está na integração entre conhecimento técnico, tecnologia embarcada e tomada de decisão baseada em dados”, afirma Ferreira.

Formação profissional acompanha transformação do campo

A expansão das tecnologias digitais também aumenta a necessidade de aproximação entre fabricantes de máquinas, universidades, escolas técnicas e instituições de capacitação.

O objetivo é preparar trabalhadores para operar, diagnosticar, manter e extrair informações de equipamentos cada vez mais conectados.

A Massey Ferguson, por exemplo, mantém parcerias com universidades, instituições de ensino técnico e entidades como SENAI e SENAR, com iniciativas que combinam formação teórica e atividades práticas.

A capacitação envolve diferentes perfis, incluindo operadores, técnicos e profissionais responsáveis pela manutenção de máquinas agrícolas.

Dados ganham importância na tomada de decisão

A evolução da agricultura de precisão indica que a tecnologia não substitui necessariamente o conhecimento técnico do profissional, mas amplia as ferramentas disponíveis para sua atuação.

Sensores, telemetria, automação e inteligência artificial produzem informações que precisam ser interpretadas e transformadas em ações dentro da propriedade.

Por isso, o mercado tende a valorizar profissionais capazes de transitar entre diferentes áreas: agronomia, mecânica, eletrônica, tecnologia da informação, análise de dados e gestão agrícola.

Para Vitor Kaminski, o desenvolvimento tecnológico continuará modificando as funções existentes no campo, mas a capacidade humana de interpretar informações e tomar decisões continuará sendo determinante.

Agro digital exige profissionais cada vez mais preparados

A expansão da inteligência artificial e da agricultura de precisão está criando um novo mercado de trabalho dentro do agronegócio brasileiro.

O profissional do futuro no campo tende a precisar de uma combinação de conhecimento técnico, domínio de tecnologias digitais e capacidade de interpretar dados.

Enquanto as máquinas se tornam mais inteligentes e conectadas, cresce também a necessidade de pessoas capazes de extrair o máximo desses sistemas. Nesse cenário, a qualificação profissional passa a ser um dos elementos centrais para transformar a digitalização do agro em ganhos de produtividade, eficiência e sustentabilidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias