GPS agrícola com precisão de 2,5 centímetros impulsiona automação e agricultura de precisão no campo
Tecnologias de correção de sinal permitem orientar máquinas com precisão centimétrica, reduzir sobreposições e falhas nas operações e viabilizar práticas como plantio automatizado, pulverização localizada e tráfego controlado.
Publicado em: 29/10/2026 às 07:00hs
A evolução do GPS agrícola está ampliando as possibilidades de automação no campo. Com tecnologias de correção capazes de reduzir erros de posicionamento de metros para poucos centímetros, produtores e empresas do agronegócio conseguem executar operações com maior precisão, repetir trajetos entre diferentes atividades e melhorar o aproveitamento de insumos.
Entre as soluções disponíveis está o CenterPoint RTX, da PTx Trimble, tecnologia que pode alcançar precisão horizontal inferior a 2,5 centímetros, conforme as condições de operação, sem exigir a instalação de uma estação-base na propriedade.
O sistema recebe correções por satélite ou internet e pode ser utilizado em atividades como plantio, pulverização, distribuição de fertilizantes e outras operações que dependem de posicionamento preciso.
A melhoria é especialmente relevante em propriedades que trabalham com grandes áreas e operações mecanizadas. Quando uma máquina não segue exatamente o trajeto planejado, pode haver sobreposição de passadas, áreas sem aplicação ou deslocamentos desnecessários. A precisão centimétrica ajuda a reduzir esses problemas e a tornar as operações mais consistentes.
Como o GPS agrícola alcança precisão de centímetros
Os receptores de navegação por satélite utilizam sinais de sistemas globais conhecidos como GNSS para calcular a localização de máquinas e equipamentos. O processo considera o tempo que os sinais levam para percorrer a distância entre os satélites e o receptor.
Entretanto, o posicionamento pode sofrer interferências de fatores atmosféricos, condições orbitais e imprecisões nos relógios envolvidos no sistema. Esses fatores limitam a exatidão da localização quando o receptor utiliza apenas os sinais convencionais.
As tecnologias de correção ajudam a compensar parte desses erros. Estações de referência ou modelos globais identificam diferenças entre a posição calculada e referências conhecidas. Os dados adicionais são enviados ao receptor, que recalcula sua localização com maior precisão.
Esse processo permite que o equipamento siga trajetórias mais próximas das planejadas e, quando a tecnologia oferece repetibilidade, retorne ao mesmo percurso em operações futuras.
Segundo Rosiéli Mika Bonette, gerente de Marketing de Produto da PTx Trimble na América Latina, a qualidade do posicionamento é fundamental para a agricultura de precisão.
“Quanto mais precisa ela é, maior é a capacidade de executar uma operação exatamente no local planejado e voltar àquele mesmo ponto quando necessário”, afirma.
Diferenças entre RangePoint RTX, CenterPoint RTX e RTK
As tecnologias de posicionamento oferecem diferentes níveis de precisão e estruturas de funcionamento, de acordo com as necessidades de cada operação agrícola.
- RangePoint RTX: utiliza correção via satélite e oferece precisão de aproximadamente 15 centímetros passada a passada. É indicado para atividades que não exigem repetibilidade entre safras e dispensa uma estação-base local.
- CenterPoint RTX: alcança precisão centimétrica e permite repetir o posicionamento sem a necessidade de instalar uma estação-base na propriedade.
- RTK (Real-Time Kinematic): utiliza uma estação-base local para fornecer correções e também pode atingir precisão horizontal na faixa de 2,5 centímetros, dependendo da distância entre o receptor e a base.
A escolha depende do tipo de atividade, da necessidade de repetir trajetos ao longo do tempo, da infraestrutura disponível e das características da área trabalhada.
Em operações nas quais a máquina precisa retornar exatamente à mesma linha de plantio ou circulação, a repetibilidade ganha importância estratégica.
Receptores com mais constelações ampliam a disponibilidade de sinal
Outra evolução está na capacidade dos receptores de utilizar diferentes constelações de satélites. De acordo com a PTx Trimble, seus receptores GNSS trabalham com GPS, BeiDou, GLONASS e Galileo.
A empresa informa que, na comparação apresentada, um receptor multiconstelação pode utilizar 2,5 vezes mais satélites do que um modelo de duas constelações, o que representa um aumento de 150% nessa comparação.
A maior disponibilidade de satélites pode favorecer o desempenho do posicionamento, inclusive em áreas com obstruções que dificultam a recepção dos sinais.
No Brasil, esse recurso tem relevância adicional devido à cintilação ionosférica, fenômeno natural capaz de provocar instabilidade nos sinais de satélite.
Segundo a empresa, tecnologias como o IonoGuard foram desenvolvidas para aumentar a resistência dos receptores a essas interferências. Já o ProPoint reduziu o tempo de convergência do sinal para poucos minutos.
Usinas de cana-de-açúcar utilizam precisão centimétrica no plantio
A aplicação do posicionamento de alta precisão já faz parte de operações agrícolas brasileiras de grande escala.
A Usina Santa Lúcia, do setor sucroenergético, utiliza o CenterPoint RTX no plantio de cana-de-açúcar. Segundo a empresa, a operação alcançou precisão de 2,5 centímetros, com capacidade de repetir o posicionamento ao longo das atividades.
A Usina Delta também utiliza a tecnologia. Conforme as informações divulgadas pela PTx Trimble, a empresa registra ganhos de produtividade no plantio e redução das horas de máquina parada em razão da cintilação, mantendo precisão e repetibilidade nas operações.
Os exemplos mostram como o posicionamento pode contribuir para a organização do trabalho mecanizado, sobretudo em sistemas produtivos que dependem de trajetórias consistentes ao longo de várias etapas do ciclo agrícola.
Tráfego controlado pode contribuir para a produtividade dos canaviais
A repetibilidade do posicionamento é um dos elementos necessários para implementar o tráfego controlado, prática que busca concentrar a circulação das máquinas em faixas definidas.
Com o deslocamento restrito a trajetos planejados, é possível evitar passagens desnecessárias sobre as áreas de cultivo. A prática é utilizada por usinas e, conforme estudos citados pela empresa, pode contribuir para ganhos de produtividade e maior longevidade do canavial.
Para que o sistema funcione de maneira consistente ao longo dos anos, é importante que as máquinas consigam retornar às mesmas linhas de tráfego, reforçando a importância das tecnologias com repetibilidade garantida.
GPS de alta precisão abre caminho para máquinas autônomas
A demanda por posicionamento preciso tende a crescer com a expansão da automação agrícola. Além de orientar máquinas em tarefas específicas, a localização confiável é uma das informações necessárias para que sistemas automatizados executem atividades nos pontos planejados.
A tecnologia também pode contribuir para a coordenação de equipamentos e para a segurança de pessoas e máquinas nas proximidades das operações, embora esses resultados dependam do conjunto de recursos e dos sistemas de segurança utilizados.
Outro diferencial é a possibilidade de aplicação em frotas mistas, independentemente da marca das máquinas. As soluções podem ser incorporadas a equipamentos já em operação, por meio de modernização, ou integradas a máquinas novas.
Para Rosiéli Mika Bonette, o avanço da automação amplia o papel das correções de posicionamento na agricultura de precisão.
A integração entre posicionamento, automação e dados permite que diferentes tecnologias identifiquem onde cada tarefa deve ser executada, criando condições para operações agrícolas mais precisas e consistentes.
Precisão de 2,5 centímetros depende das condições de operação
A PTx Trimble informa que a precisão horizontal bidimensional do CenterPoint RTX é inferior a 2,5 centímetros, com confiabilidade de 95%, com base em medições repetidas em campo.
Segundo a empresa, a tecnologia alcança a precisão máxima em menos de cinco minutos globalmente e em menos de dois minutos em regiões selecionadas das Américas e da Europa.
O desempenho e o tempo de inicialização podem variar conforme o receptor, a antena, a localização geográfica, as condições atmosféricas, a intensidade da cintilação ionosférica, a disponibilidade e integridade dos sinais GNSS e a presença de obstáculos, como árvores de grande porte e edifícios.
Assim, a precisão centimétrica representa um avanço importante para a mecanização agrícola, mas os resultados dependem das condições de uso e da configuração dos equipamentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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