IoT no agronegócio deve movimentar US$ 549 milhões no Brasil até 2030
Sensores, câmeras e inteligência artificial ampliam o monitoramento de máquinas agrícolas e apoiam decisões sobre manutenção, segurança e eficiência operacional
Publicado em: 27/10/2026 às 07:00hs
O mercado brasileiro de Internet das Coisas (IoT) aplicada ao agronegócio deve alcançar US$ 549 milhões até 2030, ante US$ 367,5 milhões em 2025. A projeção da MarketsandMarkets indica crescimento médio de 8,4% ao ano, acompanhando a digitalização das operações e a busca por maior controle sobre máquinas, veículos e recursos utilizados no campo.
A expansão abre espaço para equipamentos capazes de reunir informações de sensores, câmeras, GPS e sistemas de processamento. Integrados a plataformas de gestão, esses recursos ajudam a acompanhar o funcionamento dos ativos e a identificar situações que exigem intervenção.
O movimento ocorre em um setor com investimentos expressivos em mecanização. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a indústria nacional de máquinas e implementos agrícolas faturou R$ 66,75 bilhões em 2025, alta de 7,4% sobre o ano anterior.
Tecnologia embarcada transforma máquinas em fontes de informação
Tratores, colheitadeiras, pulverizadores e caminhões podem incorporar dispositivos que registram localização, deslocamento, velocidade, tempo de funcionamento e condições de operação.
Além dos dados de telemetria, a captação de imagens acrescenta informações sobre o ambiente e as atividades executadas. Com apoio da visão computacional, sistemas podem interpretar essas imagens para reconhecer padrões e sinalizar ocorrências.
Para Braulio de Carvalho, CEO da Maxtrack, a integração amplia o papel dos equipamentos na gestão agrícola.
“A tecnologia embarcada permite que a máquina deixe de ser apenas um ativo operacional e passe a funcionar também como uma fonte contínua de inteligência”, afirma.
Segundo o executivo, a combinação de imagens com os dados gerados pelas máquinas oferece ao gestor mais elementos para avaliar o andamento das operações.
Visão computacional amplia acompanhamento de grandes áreas
Em propriedades extensas, com diferentes equipamentos trabalhando simultaneamente, acompanhar cada atividade de forma individual pode dificultar a identificação rápida de problemas.
A integração entre câmeras, sensores e videotelemetria busca ampliar essa capacidade de acompanhamento. Enquanto a telemetria registra parâmetros de utilização dos ativos, as imagens ajudam a contextualizar o que ocorre durante o trabalho.
De acordo com Carvalho, essa combinação pode reduzir o intervalo entre a identificação de uma situação e a tomada de decisão, especialmente em operações com grande número de máquinas e veículos.
O benefício depende da capacidade de transformar os registros em informações úteis para a rotina, direcionando a atenção dos responsáveis às ocorrências mais relevantes.
Conectividade rural é essencial para integrar dispositivos
A disponibilidade de conexão continua sendo um componente importante para o avanço da IoT no campo, sobretudo em regiões com cobertura limitada das redes convencionais.
Entre as alternativas estão tecnologias como a LoRa, utilizada para comunicação de dados a longas distâncias entre dispositivos. A escolha da infraestrutura precisa acompanhar as necessidades de cada aplicação e as características da propriedade.
Na avaliação do executivo, conectar equipamentos e integrar as informações permite ampliar a visibilidade sobre as atividades realizadas em diferentes pontos da operação.
Dados apoiam manutenção e uso mais eficiente dos ativos
O acompanhamento contínuo das máquinas também pode contribuir para o planejamento da manutenção. A análise dos registros permite identificar mudanças de comportamento e direcionar inspeções aos equipamentos que apresentem sinais fora do padrão.
Essa abordagem ajuda a antecipar intervenções e a reduzir o impacto de paradas não planejadas, que podem comprometer o andamento das atividades agrícolas.
Quando reunidas em plataformas de gestão, as informações também apoiam decisões sobre distribuição de máquinas, utilização da frota, segurança e organização das operações.
Segundo a MarketsandMarkets, sensores, GPS, conectividade e dispositivos de processamento estão entre as tecnologias que sustentam a expansão da IoT agrícola no Brasil, com aplicações em monitoramento de culturas, agricultura de precisão e otimização de recursos.
Integração das informações orienta gestão das máquinas agrícolas
Para a Maxtrack, o principal avanço está na possibilidade de cruzar diferentes fontes de dados. Saber onde uma máquina está e por quanto tempo funcionou ganha maior utilidade quando essas informações podem ser relacionadas às condições observadas durante a operação.
Carvalho avalia que a sofisticação dos equipamentos aumenta a importância de acompanhar seu uso e identificar oportunidades de melhoria.
Nesse contexto, a tecnologia embarcada pode apoiar uma gestão mais integrada, conectando o desempenho dos ativos ao planejamento das atividades e às necessidades de cada operação agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
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