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VBP agropecuário de São Paulo deve cair 3,6% em 2026, para R$ 170,4 bilhões

Queda dos preços pressiona cadeias tradicionais, enquanto bovinocultura de corte, hortaliças e produtos florestais compensam parte das perdas, aponta FAESP


Publicado em: 06/11/2026 às 12:00hs

VBP agropecuário de São Paulo deve cair 3,6% em 2026, para R$ 170,4 bilhões

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de São Paulo deve atingir R$ 170,4 bilhões em 2026, uma redução de 3,6% em relação aos R$ 176,8 bilhões de 2025. A estimativa do Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) reflete principalmente a queda dos preços recebidos pelos produtores em importantes atividades do estado.

O levantamento integra a segunda edição do relatório trimestral da entidade. Embora a projeção geral seja de retração, o desempenho varia entre as cadeias: a bovinocultura de corte, as hortaliças e os produtos florestais apresentam crescimento, enquanto as frutas registram a maior queda entre os grupos analisados.

A cana-de-açúcar permanece na liderança do faturamento agropecuário paulista, seguida pelos bovinos. Juntas, as duas atividades concentram 47,7% do VBP estadual projetado.

Bovinocultura de corte impulsiona crescimento da pecuária paulista

O VBP da pecuária de São Paulo está estimado em R$ 56,2 bilhões, avanço de 4,8% sobre 2025. O principal suporte vem da bovinocultura de corte, beneficiada pelo aumento dos abates e pela valorização da arroba do boi gordo.

A receita bruta dos bovinos deve alcançar R$ 32 bilhões, crescimento de 16,9% na comparação anual. Com participação de 18,8% no VBP paulista, a atividade ocupa a segunda posição entre as cadeias de maior faturamento do estado.

Outros segmentos também apresentam resultados positivos. O VBP da tilápia registra alta de 18,9%, enquanto o do mel cresce 8,9%.

O movimento, porém, não se estende a toda a pecuária. As projeções indicam recuos de 5,6% tanto para frango quanto para leite, além de quedas de 11,2% para ovos e de 22,8% para suínos.

Frutas têm queda de 33,2% no faturamento bruto

O grupo de frutas apresenta a retração mais intensa do levantamento, com queda de 33,2% e VBP estimado em R$ 19,2 bilhões.

Segundo a FAESP, o resultado está relacionado principalmente à redução dos preços de comercialização de produtos como banana, goiaba, laranja e manga.

A laranja, uma das principais cadeias agrícolas paulistas, deve responder por R$ 9,99 bilhões, equivalentes a 5,9% do VBP estadual.

Cana-de-açúcar mantém liderança, apesar do recuo de receita

A cana-de-açúcar deve gerar R$ 49,2 bilhões em valor bruto da produção, mantendo a maior participação na agropecuária paulista: 28,9% do total.

Apesar da liderança, a projeção representa uma redução de 5,9% em relação a 2025, influenciada pelo recuo das cotações.

O peso da cultura na economia rural do estado faz com que esse desempenho tenha impacto relevante sobre o resultado agregado do VBP.

Hortaliças avançam 39,5%, com destaque para cebola e batata-doce

Entre os grupos com crescimento, as hortaliças apresentam a maior expansão percentual. O faturamento bruto está projetado em R$ 6,4 bilhões, alta de 39,5% na comparação anual.

Os destaques são a cebola, com avanço de 127,9%, e a batata-doce, com crescimento de 57,2%. De acordo com a FAESP, as elevações dos preços foram determinantes para os resultados dessas culturas.

Produtos florestais crescem com preços e maior produção

O VBP dos produtos florestais deve alcançar R$ 7,1 bilhões em 2026, aumento de 13,7% frente ao ano anterior.

A madeira em tora de eucalipto responde por cerca de R$ 4,8 bilhões, com crescimento de 14,6%. Já a produção de lenha de eucalipto apresenta avanço de 30,9% no faturamento.

Nesse último caso, o resultado combina preços firmes com um aumento de 20% no volume produzido, segundo o levantamento.

Grãos devem movimentar R$ 21,4 bilhões em São Paulo

O grupo de grãos apresenta VBP estimado em R$ 21,4 bilhões, crescimento de 3,6% em relação a 2025.

O feijão lidera os avanços percentuais entre as culturas destacadas, com alta de 45,8%, seguido pelo amendoim, com 13,1%.

Soja e milho mantêm receitas próximas às do ano anterior. O faturamento bruto da soja deve chegar a R$ 10,9 bilhões, aumento de 0,7%, enquanto o milho está projetado em R$ 5,3 bilhões, avanço de 0,3%.

As dez maiores atividades do VBP paulista em 2026

O ranking da FAESP mostra a seguinte distribuição do faturamento bruto projetado e da participação de cada atividade no total estadual:

  • Cana-de-açúcar: R$ 49,16 bilhões — 28,9%;
  • Bovinos: R$ 32,02 bilhões — 18,8%;
  • Café: R$ 10,99 bilhões — 6,4%;
  • Soja: R$ 10,90 bilhões — 6,4%;
  • Laranja: R$ 9,99 bilhões — 5,9%;
  • Frango: R$ 9,62 bilhões — 5,6%;
  • Leite: R$ 6,30 bilhões — 3,7%;
  • Ovos: R$ 5,80 bilhões — 3,4%;
  • Milho: R$ 5,29 bilhões — 3,1%;
  • Eucalipto para madeira em tora: R$ 4,78 bilhões — 2,8%.

As estimativas apontam um ano de resultados distintos para o agronegócio paulista. A recuperação de algumas atividades ajuda a limitar a retração, mas não compensa integralmente as perdas de faturamento projetadas para cadeias de grande participação na produção estadual.

Fonte: Portal do Agronegócio

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