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Safra de verão 2026/27 pode atingir recorde de 27 milhões de toneladas no Paraná

Primeira estimativa do Deral aponta aumento de 4% na produção de soja, avanço da área de milho e redução no cultivo de feijão; influência do El Niño mantém clima no centro das atenções


Publicado em: 31/08/2026 às 17:00hs

Safra de verão 2026/27 pode atingir recorde de 27 milhões de toneladas no Paraná

A safra de verão 2026/27 do Paraná poderá alcançar o recorde de 27 milhões de toneladas, segundo a primeira estimativa divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Caso a projeção seja confirmada, a produção ficará aproximadamente 700 mil toneladas acima das 26,3 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior. O desempenho deverá ser impulsionado principalmente pela soja, cuja área permanecerá praticamente estável, mas com expectativa de avanço na produtividade.

O levantamento também mostra crescimento da área destinada ao milho de primeira safra, enquanto o feijão e a batata devem perder espaço. Apesar da perspectiva inicial positiva, o resultado dependerá do comportamento do clima, especialmente diante da influência prevista do El Niño.

Produção de soja deve crescer 4% e superar 22,6 milhões de toneladas

Principal cultura agrícola do Paraná, a soja concentra o maior crescimento absoluto entre os produtos analisados pelo Deral. A produção está estimada em 22,636 milhões de toneladas, volume 4% superior às 21,796 milhões de toneladas colhidas na safra 2025/26.

O avanço corresponde a aproximadamente 840 mil toneladas adicionais, mesmo com pequena alteração na área plantada. A oleaginosa deverá ocupar 5,760 milhões de hectares, crescimento de apenas 0,5% em relação aos 5,733 milhões de hectares do ciclo anterior.

A diferença entre o avanço da área e o crescimento esperado da produção revela a importância da produtividade para a projeção recorde. O rendimento médio das lavouras paranaenses está estimado em mais de 3,9 mil quilos por hectare.

A confirmação desse potencial, entretanto, dependerá das condições de umidade, luminosidade e temperatura durante as principais fases de desenvolvimento da cultura.

Milho ganha área com demanda das cadeias de proteína animal

O milho de primeira safra deverá ocupar 373 mil hectares no Paraná, aumento de 2% diante dos 365,7 mil hectares cultivados em 2025/26. Apesar da expansão da área, a produção está estimada em 4,097 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 4,142 milhões de toneladas obtidas no ciclo anterior.

Segundo o analista do Deral Edmar Gervasio, o cereal vem ganhando espaço sobre a soja em algumas regiões devido à demanda elevada do mercado interno, especialmente das cadeias produtoras de proteína animal.

Outro fator é a atratividade econômica alcançada pelo milho em áreas de alto desempenho. Em determinadas regiões paranaenses, a produtividade pode superar 14 mil quilos por hectare, tornando o cultivo mais rentável do que a soja.

A estimativa inicial aponta uma expansão moderada, mas o Deral avalia que a área poderá aumentar conforme o plantio avance e os produtores definam suas estratégias para a temporada.

Feijão perde 12% da área na primeira safra

O feijão apresenta movimento contrário ao observado no milho. A área destinada à primeira safra deverá cair de 102,2 mil para 90,3 mil hectares, redução de 12%.

A produção também deverá recuar, passando de 192,4 mil para 180,8 mil toneladas. A queda estimada é de 6%, menor do que a retração da área, indicando expectativa de recuperação da produtividade média.

A redução reflete uma mudança na estratégia dos agricultores. Em áreas aptas ao cultivo de soja, muitos produtores têm priorizado a oleaginosa durante o verão, em razão da maior rentabilidade e da comercialização mais previsível.

De acordo com o chefe do Deral, Marcelo Garrido, o feijão vem perdendo participação na primeira safra, mas ganhando espaço no segundo ciclo. A decisão depende das características regionais, das condições climáticas e das oportunidades de mercado.

Área e produção de batata devem recuar

A batata de primeira safra deverá ocupar 16,2 mil hectares em 2026/27, ante 16,8 mil hectares na temporada anterior. A retração estimada é de aproximadamente 4%.

A produção está projetada em 539,6 mil toneladas, queda de 5% na comparação com as 566,2 mil toneladas colhidas em 2025/26.

Mesmo com a redução da área e do volume, a produtividade deverá permanecer relativamente estável, próxima de 33,3 mil quilos por hectare. O resultado indica manutenção do desempenho das lavouras, desde que as condições climáticas permaneçam adequadas.

El Niño pode aumentar frequência de chuvas no Paraná

A safra de verão começa sob expectativa de influência significativa do El Niño. O fenômeno climático costuma favorecer maior frequência de chuvas no Sul do Brasil, especialmente durante a primavera.

A maior disponibilidade de água pode beneficiar a implantação e o desenvolvimento inicial das lavouras. Contudo, o volume total não é o único fator determinante. A distribuição das precipitações ao longo do ciclo será fundamental para a produtividade.

Períodos prolongados de chuva, baixa luminosidade ou excesso de umidade também podem prejudicar o desenvolvimento das plantas, dificultar operações agrícolas e elevar a pressão de doenças.

Por essa razão, o Deral acompanhará continuamente a evolução do clima e seus impactos sobre o plantio, o crescimento das lavouras e a colheita.

Setembro e outubro serão decisivos para implantação das lavouras

Os meses de setembro e outubro concentram a semeadura e o estabelecimento de grande parte das culturas de verão no Paraná. Nesse período, a umidade adequada do solo será essencial para garantir germinação uniforme e bom desenvolvimento inicial.

Entre novembro e janeiro, soja, milho e feijão avançam por fases determinantes, como crescimento vegetativo, floração e enchimento de grãos. A regularidade das chuvas será decisiva para a formação da produtividade prevista pelo Deral.

Em fevereiro e março, quando a colheita ganha ritmo, o excesso de precipitações poderá interferir na retirada dos grãos, afetar a qualidade dos produtos e dificultar o acesso das máquinas às lavouras.

Paraná pode registrar maior safra de verão da história

A projeção de 27 milhões de toneladas coloca o Paraná diante da possibilidade de alcançar sua maior safra de verão. O resultado esperado se apoia menos na ampliação da área e mais no potencial de produtividade, sobretudo da soja.

Marcelo Garrido destaca que a perspectiva inicial é favorável, mas ainda depende da evolução climática. Portanto, o recorde somente será confirmado se as lavouras encontrarem condições adequadas durante todo o ciclo.

Com a soja liderando o crescimento, o milho ganhando área e o feijão migrando parcialmente para a segunda safra, o planejamento dos produtores mostra uma busca por maior rentabilidade e melhor aproveitamento das janelas de cultivo no Paraná.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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