Publicado em: 09/03/2026 às 17:00hs
O setor agropecuário do Paraná apresentou ao Governo Federal uma proposta de R$ 670 bilhões para o Plano Safra 2026/2027, com foco na ampliação do crédito rural, redução das taxas de juros e fortalecimento das políticas de gestão de risco no campo. O documento foi entregue nesta quarta-feira (4), em reunião realizada na sede da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Do total solicitado, R$ 486,3 bilhões seriam destinados ao crédito de custeio e comercialização, enquanto R$ 183,7 bilhões seriam reservados para investimentos no setor agropecuário. O montante reivindicado representa um aumento de quase 13% em relação aos recursos disponibilizados pelo Governo Federal para a safra 2025/2026.
Além da ampliação dos recursos, as entidades do estado defendem redução média de três pontos percentuais nas taxas de juros em comparação ao ciclo anterior.
De acordo com o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Marcio Nunes, a proposta busca fortalecer a capacidade de investimento do produtor rural.
“Nossa proposta não foca apenas no volume de recursos, mas também na qualidade do crédito. Precisamos de taxas de juros que permitam ao produtor investir em inovação e sustentabilidade. O Paraná é referência em produtividade e queremos manter esse protagonismo”, afirmou.
A proposta prevê a divisão dos recursos conforme o perfil dos produtores rurais.
Do total de R$ 670 bilhões solicitados, a distribuição sugerida é:
O documento foi entregue aos representantes do Governo Federal e também será encaminhado ao líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, e à presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella.
O material foi elaborado de forma conjunta por diversas instituições do agronegócio paranaense. Participaram da construção do documento:
O processo também contou com contribuições de sindicatos rurais, cooperativas, produtores e profissionais de assistência técnica e extensão rural, garantindo maior representatividade às propostas.
Durante a reunião, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, destacou a tradição de articulação entre as entidades do estado.
“Todos os anos elaboramos uma proposta conjunta para o Plano Safra. Hoje as margens da agricultura são mínimas e quem não tem produtividade enfrenta dificuldades para permanecer na atividade”, afirmou.
A defesa por taxas de juros mais baixas considera as perspectivas para a economia brasileira. Durante a reunião, o economista Salatiel Turra, analista da Gerência de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar, apresentou dados sobre a evolução da taxa básica de juros.
Segundo ele, a taxa Selic pode encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, com possibilidade de recuo para aproximadamente 10% em 2027.
Mesmo ainda elevada em termos históricos, a tendência de queda da Selic pode favorecer a redução do custo de captação de recursos, criando condições para juros menores nas linhas de crédito do Plano Safra.
No eixo de custeio e comercialização, a proposta prevê R$ 486,3 bilhões para financiar a produção agropecuária.
As entidades também defendem o aumento do limite de contratação anual para R$ 4,5 milhões por produtor.
Outro pedido é a elevação do limite de custeio das atividades de avicultura, suinocultura e piscicultura em regime de integração, passando de R$ 240 mil para R$ 400 mil quando não classificadas como cooperativas.
Para investimentos no setor produtivo, o documento propõe R$ 183,7 bilhões em recursos.
Entre os principais ajustes sugeridos estão:
A proposta também prevê mudanças no Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).
As entidades sugerem:
Outro ponto considerado estratégico pelas entidades é o fortalecimento dos instrumentos de gestão de risco.
Entre as propostas está a destinação de R$ 4 bilhões ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
O documento também sugere a criação de subvenções diferenciadas para culturas predominantes em cada região, como soja, milho e trigo, mais vulneráveis a eventos climáticos adversos.
Além disso, as entidades defendem que o orçamento do PSR seja transferido para o caixa das operações oficiais de crédito gerenciadas pela Secretaria do Tesouro Nacional, evitando contingenciamentos.
O documento também recomenda alterações na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).
Entre as sugestões estão:
As entidades também defendem a ampliação dos estudos técnicos utilizados no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).
A proposta prevê a destinação de recursos para que a Embrapa realize novos levantamentos técnicos, incluindo análises relacionadas aos níveis de manejo agrícola, aumentando a segurança das recomendações para os produtores.
Durante o encontro, representantes das entidades destacaram a importância da articulação entre as instituições para fortalecer a política agrícola nacional.
O presidente da Fetaep, Alexandre Leal dos Santos, ressaltou que a iniciativa representa a união das organizações do setor agropecuário paranaense e chamou atenção para os desafios enfrentados pela agricultura familiar, especialmente em relação ao endividamento.
Já o diretor de Gestão de Negócios do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Richard Golba, destacou que o Plano Safra é fundamental para garantir condições de desenvolvimento ao setor rural.
A mobilização reforça o protagonismo do Paraná nas discussões sobre o Plano Safra, considerado o principal instrumento de financiamento e estímulo ao desenvolvimento da agropecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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