Leite em pó importado: investigação confirma dumping e FPA intensifica defesa da cadeia leiteira brasileira
Após governo reconhecer prática desleal nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai, Frente Parlamentar da Agropecuária cobra aplicação de medidas antidumping para proteger mais de 1,1 milhão de produtores rurais.
Publicado em: 05/08/2026 às 19:00hs
Cadeia leiteira brasileira reforça mobilização contra concorrência desleal
A defesa da cadeia produtiva do leite voltou ao centro das discussões no agronegócio brasileiro após a confirmação, em 2026, da prática de dumping nas exportações de leite em pó da Argentina e do Uruguai para o Brasil. A decisão técnica fortaleceu a posição da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que há anos acompanha o tema e defende mecanismos de proteção para garantir competitividade aos produtores nacionais.
Segundo a bancada, a entrada de leite importado a preços artificialmente reduzidos compromete a sustentabilidade econômica da atividade, especialmente entre pequenos e médios produtores, responsáveis por grande parte da produção nacional.
FPA acompanha disputa comercial desde 2019
A atuação da FPA em defesa do setor leiteiro ganhou destaque em 2019, quando foram retirados os direitos antidumping aplicados sobre o leite em pó importado da União Europeia e da Nova Zelândia.
Na época, a bancada classificou a decisão como um retrocesso para a pecuária leiteira brasileira, argumentando que a retirada das barreiras comerciais reduziria a competitividade da produção nacional diante de produtos estrangeiros beneficiados por políticas de incentivo.
Desde então, parlamentares passaram a defender a manutenção de instrumentos de defesa comercial para preservar a renda dos produtores e fortalecer a cadeia leiteira.
Crescimento das importações reacendeu debate em 2023
O avanço das importações provenientes da Argentina e do Uruguai recolocou o tema na agenda do Congresso Nacional em 2023.
Com o aumento da entrada de leite e derivados do Mercosul, a FPA ampliou a articulação junto ao governo federal para cobrar providências contra práticas consideradas predatórias de comércio internacional.
Os parlamentares defenderam mecanismos capazes de equilibrar a concorrência, destacando que os produtores brasileiros enfrentam custos elevados de produção, enquanto concorrentes estrangeiros contam com subsídios e incentivos econômicos concedidos em seus países de origem.
Mudança técnica durante investigação gerou reação do setor
Em 2025, uma alteração no entendimento técnico do Departamento de Defesa Comercial (Decom), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), provocou forte reação do setor produtivo.
A mudança ocorreu durante a investigação antidumping e modificou um posicionamento adotado por mais de duas décadas sobre a similaridade entre o leite fluido e o leite em pó.
O novo entendimento levou representantes da FPA, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e demais entidades da cadeia produtiva a solicitar esclarecimentos ao governo.
Na avaliação da bancada, a alteração poderia comprometer a investigação e favorecer a continuidade das importações em condições consideradas desleais.
Pedro Lupion alerta para impactos sobre milhares de famílias
Para o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), a concorrência desleal coloca em risco uma das atividades mais importantes da agropecuária nacional.
Segundo o parlamentar, a cadeia leiteira reúne aproximadamente 1 milhão e 171 mil propriedades rurais, predominantemente de agricultura familiar, cuja sobrevivência depende da manutenção de condições equilibradas de mercado.
Parlamentares defendem medidas urgentes para proteger produtores
Diversos integrantes da FPA reforçaram a necessidade de ações imediatas para preservar a competitividade da pecuária leiteira brasileira.
O deputado Rafael Simões (União-MG) afirmou que a crise ultrapassa os aspectos econômicos e pode comprometer a autossuficiência do Brasil na produção de leite.
O deputado Zé Vitor (PL-MG), coordenador de Política Agrícola da bancada, ressaltou que pequenas oscilações de preços já provocam grandes impactos financeiros sobre a atividade.
Já o deputado Sérgio Souza (MDB-PR) destacou que produtores argentinos e uruguaios competem em condições favorecidas por incentivos governamentais inexistentes no Brasil.
A deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO) chamou atenção para os efeitos sociais da crise, lembrando que milhares de famílias dependem diretamente da atividade leiteira.
O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC) defendeu maior participação das indústrias e cooperativas na busca por soluções para evitar que os prejuízos sejam suportados exclusivamente pelos produtores rurais.
Por sua vez, o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) reforçou que a produção de leite está presente em praticamente todos os municípios brasileiros, tornando o fortalecimento da atividade uma política estratégica para o desenvolvimento do campo.
Investigação confirma prática de dumping em 2026
Após meses de apuração, o Departamento de Defesa Comercial concluiu, em 2026, que havia prática de dumping nas exportações de leite em pó da Argentina e do Uruguai destinadas ao mercado brasileiro.
A investigação identificou margens superiores a 60% e apontou que o produto chegava ao Brasil por valores até 53% inferiores aos praticados nos próprios mercados de origem, resultado da concessão de subsídios e incentivos governamentais.
Apesar da conclusão técnica favorável à aplicação de medidas antidumping, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu suspender temporariamente a adoção das tarifas para avaliar possíveis impactos sobre a inflação dos alimentos e sobre as relações comerciais dentro do Mercosul.
FPA cobra aplicação imediata das medidas antidumping
A decisão da Camex gerou novas manifestações da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Coordenadora da Subcomissão do Leite na Câmara dos Deputados, Ana Paula Leão (PP-MG) defendeu a adoção imediata de medidas provisórias antidumping para proteger a cadeia produtiva nacional enquanto o processo é concluído.
O deputado Rafael Pezenti (MDB-SC) criticou a diferença de preços entre os mercados, afirmando que o leite argentino chega ao Brasil custando significativamente menos do que é comercializado no próprio país de origem.
Na mesma linha, o deputado Cobalchini (MDB-SC) defendeu a implementação das tarifas antidumping como instrumento legítimo de defesa comercial.
Para o deputado Zé Silva (União-MG), proteger a produção nacional significa assegurar renda ao produtor, fortalecer a segurança alimentar e garantir alimentos de qualidade ao consumidor brasileiro.
Defesa comercial busca preservar competitividade da pecuária leiteira
Além da cobrança pela aplicação das tarifas antidumping, a FPA protocolou um pedido formal de investigação sobre o crescimento das importações de leite e derivados, com o objetivo de identificar possíveis irregularidades e avaliar os impactos econômicos sobre a produção brasileira.
Na avaliação da bancada, a adoção de instrumentos de defesa comercial é considerada essencial para preservar a competitividade da cadeia leiteira, incentivar investimentos nas propriedades rurais e garantir segurança econômica para mais de um milhão de famílias que dependem da atividade em todas as regiões do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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