Confinamentos de Goiás têm 34% de ociosidade e custo diário de R$ 14,84 por boi
Resultados preliminares da Expedição PeseBem mostram capacidade para 755 mil cabeças, eficiência no ganho de peso e desafios relacionados à energia, conectividade e gestão de riscos
Publicado em: 22/09/2026 às 12:00hs
Os confinamentos avaliados pela Expedição PeseBem possuem capacidade estática para 755 mil bovinos, mas utilizam atualmente 501 mil vagas. A diferença representa ociosidade de 34%, equivalente a aproximadamente 254 mil cabeças, segundo resultados preliminares apresentados em Goiânia.
O levantamento também indica custo médio diário de R$ 14,84 por boi confinado. Nas unidades que prestam serviço de boitel, o valor sobe para R$ 15,79 por cabeça, enquanto as propriedades que não operam nesse modelo registram média de R$ 14,49.
Além dos custos e da capacidade instalada, o estudo traça um panorama dos modelos de produção, desempenho zootécnico, sanidade, comercialização, investimentos e principais gargalos enfrentados pela pecuária intensiva.
Pequenos confinamentos concentram maior ociosidade
A utilização das estruturas varia significativamente conforme o porte da operação. Os confinamentos com capacidade de até mil animais apresentam o maior nível de ociosidade: 77%.
Nesse grupo, 49 unidades somam capacidade para 52 mil cabeças, mas mantêm lotação próxima de 12 mil animais. Mesmo desconsiderando casos ainda sujeitos à verificação, a ociosidade permanece em 57%.
Nas estruturas com capacidade entre 1.001 e 6 mil bovinos, o índice é de 37%. As 36 unidades avaliadas nessa faixa comportam 173 mil cabeças e utilizam aproximadamente 109 mil vagas.
Os confinamentos com capacidade superior a 6 mil animais registram a maior utilização. As 15 unidades do grupo possuem espaço para 530 mil bovinos e lotação de 380 mil, resultando em ociosidade de 28%.
Custo da arroba produzida chega a R$ 263,30
A mediana do custo da arroba produzida ficou em R$ 263,30 para os bois. Entre as operações avaliadas, os valores variaram de menos de R$ 215 a mais de R$ 310 por arroba.
Para as vacas, o custo mediano foi de R$ 230 por arroba, com intervalo inferior a R$ 190 e superior a R$ 290. Nas novilhas, a mediana também alcançou R$ 230, variando entre menos de R$ 210 e mais de R$ 280 por arroba.
O custo diário ficou em R$ 13,64 por vaca e R$ 12,22 por novilha. Os resultados mostram que categoria animal, escala, dieta e modelo operacional influenciam diretamente as despesas de terminação.
Bovinos ganham sete arrobas em 103 dias
O desempenho zootécnico médio dos bois aponta entrada no confinamento com 12,4 arrobas, equivalentes a aproximadamente 372 quilos de peso vivo.
Após 103 dias, os animais saem com média de 19 arrobas, ou cerca de 568 quilos, acumulando ganho de sete arrobas. O ganho médio diário ficou em 1,9 quilo, com rendimento de carcaça de 56%.
As vacas entram com 12,4 arrobas e saem com aproximadamente 15 arrobas depois de 68 dias. O ganho médio diário é de 1,5 quilo, e o rendimento de carcaça chega a 51,5%.
No caso das novilhas, o peso evolui de dez para 14 arrobas durante um ciclo médio de 90 dias. O ganho diário também alcança 1,5 quilo, com rendimento de carcaça de 52%.
Concentrado representa 70% da dieta
A composição alimentar dos confinamentos avaliados é formada, em mediana, por 70% de concentrado e 30% de volumoso, considerando a matéria natural.
A participação do volumoso varia de 10% a 42%, evidenciando diferenças entre os sistemas produtivos, a disponibilidade regional de ingredientes e as estratégias nutricionais adotadas.
O perfil das propriedades mostra ainda que 66% compram boi magro, enquanto 58% mantêm recria própria. A terminação intensiva a pasto está presente em 37% das unidades, e 26% prestam serviços de boitel.
O Nelore aparece em 83% das operações, com participação de animais mestiços em 38%. Entre os confinamentos pesquisados, 79% trabalham com machos, 47% incluem novilhas e 41% terminam vacas. Em 43% das unidades, a operação é exclusiva com machos.
Falta de seguro amplia exposição ao risco
A gestão de riscos ainda representa uma fragilidade. O levantamento mostra que 74% das unidades não possuem seguro.
Além disso, 40% não conhecem ou não sabem informar sua rentabilidade anual. Entre os respondentes que apresentaram o indicador, a rentabilidade média anual alcançou 20%.
A proteção de preços é utilizada por 41% das operações. Entre os mecanismos adotados estão opções de compra e venda na B3, contratos a termo e travas de preço.
Os dados mostram que parte relevante dos confinadores permanece exposta às oscilações da arroba, dos grãos e de outros insumos sem instrumentos formais de proteção.
Sanidade apresenta ampla adoção de protocolos
O vermífugo é utilizado na entrada dos animais por 98% das unidades. A vacina contra clostridioses aparece em 89% das operações, seguida pela vacina respiratória, adotada por 75%.
O controle de ectoparasitas está presente em 62% dos confinamentos. A vacinação contra raiva alcança 57%, enquanto 48% utilizam vitaminas no protocolo de entrada.
A mediana da mortalidade anual ficou em 0,84%. As doenças respiratórias apresentaram índice mediano de 0,5%, com média de 1,4%, enquanto as afecções de casco atingiram 1,2%.
O levantamento também identificou ocorrência de cisticercose em 0,06%, além de monitorar problemas relacionados a resíduos de medicamentos e acabamento de gordura.
Exportações concentram 80% do volume comercializado
Embora 44% das unidades vendam exclusivamente para o mercado interno, os confinamentos que participam das exportações respondem por 97% do volume total comercializado.
Na distribuição do volume, o mercado externo representa 80%, enquanto o consumo doméstico absorve 20%.
O dado mostra a forte inserção internacional das operações de maior escala e evidencia a importância dos mercados externos para o escoamento dos bovinos terminados em confinamento.
Energia e sinal de celular lideram gargalos
As quedas no fornecimento de energia elétrica aparecem como o principal gargalo apontado pelos confinadores. A deficiência do sinal de celular ocupa a segunda posição, à frente da qualificação da mão de obra.
Também foram mencionados problemas relacionados à qualidade das estradas, rotatividade operacional, rotatividade da equipe técnica, burocracia fiscal e troca frequente de profissionais administrativos.
Os resultados mostram que parte dos principais obstáculos não está diretamente ligada à produção animal, mas à infraestrutura necessária para operar equipamentos, conectar sistemas e manter equipes qualificadas.
Seis em cada dez produtores pretendem investir
A melhoria da estrutura física é a principal prioridade de investimento, citada por 47% dos participantes. Os projetos incluem ampliação da capacidade, adequações de bem-estar animal e alternativas para geração de energia elétrica.
A mão de obra foi mencionada por 16%, especialmente em ações destinadas a reduzir a rotatividade das equipes. Outros 15% pretendem adquirir equipamentos para aumentar a eficiência operacional.
Somadas, as melhorias estruturais e as compras de equipamentos mostram que 62% dos produtores desejam investir nas operações.
Sombreamento ainda é lacuna no bem-estar animal
O manejo racional é adotado por 76% das propriedades, enquanto 49% utilizam aspersores para controlar a poeira. Apenas 26%, entretanto, possuem estruturas de sombreamento, apontadas como a principal lacuna relacionada ao bem-estar animal.
Na destinação dos resíduos, 92% encaminham os dejetos para compostagem ou adubação das próprias lavouras. Outros 6% comercializam o material com terceiros.
Na gestão de pessoas, 83% afirmam oferecer condições adequadas de trabalho, 77% adotam práticas de reconhecimento e feedback e 61% utilizam remuneração variável ou bônus.
Expedição PeseBem amplia diagnóstico da pecuária intensiva
O PeseBem surgiu em 2002 com a Balança do Produtor e avançou, em 2025, para a assessoria de abate. Em 2026, a Expedição PeseBem ampliou o diagnóstico das operações pecuárias.
O programa já acompanhou mais de 5 milhões de animais e utiliza fiscalização independente para aumentar a confiabilidade da pesagem.
Os resultados preliminares mostram uma pecuária intensiva com bom desempenho produtivo e forte presença no mercado externo, mas ainda com espaço para avançar na ocupação das estruturas, proteção financeira, conectividade, energia e bem-estar animal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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